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terça-feira, 23 de julho de 2013

REPORTAGEM-SEXTA-FEIRA SANTA NO BAIRRO PORTUGÊS DE SANTA CRUZ


A frontaria da Igreja de Santa Cruz virada para o rio Chao Praya (Praiá). Quem navegar pelo rio acima, depois de navegados uns cinco quilómetros a seguir a Missão Diplomática de Portugal, ao seu lado esquerdo, visionará uma cúpula com um cruz no topo. Recomenda-se visitá-lo, a igreja e dar um volta pelo bairro de vielas estreitinhas. Pode sem receio algum de tirar fotos, visitar as "fabriquetas" caseiras de queques portugueses. E que digam as pessoas ou crianças que é "portuguete" (nome porque é pronunciado na língua thai Portugal)... Vão gostar de as ouvirem.
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Lá vão muitos anos que a minha Sexta-Feira Santa, o fim da tarde é despendido no velho bairro português de Santa Cruz. Por norma visito-o umas três ou quatro vezes por ano. 
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Faço o mesmo de quando em quando ao Bairro da Imaculada Conceição até porque tenho um especial carinho por aquele pequeno aglomerado populacional. Fun-dado pelos portugueses um século antes da caída de Ayuthaya em 1767. 
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Ainda, e a pouco mais de duzentos metros da Embaixada de Portugal, há outro bairro luso de nome Senhora do Rosário. 
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Neste já não existe qualquer vestígio da pernanência de portugueses e lusos tailandeses. Desapareceram e os bairros, como as pessoas, igualmente, morrem. 
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Se não houver alguém que se debruce sobre a história, os ainda vivos, a memória desaparece e os vindouros pouco ou nada ficam a conhecer sobre como eram os bairros portugueses de Banguecoque e as gentes que por lá nasceram e fizeram suas vidas. 
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Voltando e agora referindo-me mais uma vez Bairro da Imaculada Conceição que há duas dezenas de anos o visitei pela primeira vez, portugueses ou luso-descendentes, naquele pequeno nucleo não encontrei alma que fosse ali residente. 
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Mas achei o segundo livro, da paróquia, de assentos e nascimento, casamentos e óbitos e deu-me a certeza que o bairro da Imaculada Conceição é genuínamente luso. O primeiro livro de registo tinha desaparecido.
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O segundo com muitas páginas amarelecidas e em péssimo estado de conservação consegui fazer-lhe cópias em papel A3. Muitas horas perdidas, depois de copiadas as páginas e com muita paciência tornei aquele livro, com 375 páginas, legível.
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Porém a história de Portugal na Tailândia, por várias vezes tem sido deturpada em que aparece sempre alguém a clamar os bairros para êles (países). O livro de 375 páginas e com numerosos assentos de nascimento, casamentos e baptizados os nomes ali designados são puramente portugueses. Fiz questão para que minha filha Maria Martins fosse na igreja da Imaculada da Conceição (1987) fosse junto da pia de água benta baptizada. 
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No bairro ainda lá está o cemitério com gente sepultada portuguesa. E dois mausoléus por ali estão, um de uma senhora grada, portuguesa, que nasceu e faleceu no bairro em completa ruina. 
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Valeria a pena a quem de direito, perguntar à administração da paróquia da Imaculada Conceição a fim de poder ser restaurado o jazigo e, pelo menos, ficava a memória respeitada da senhora e a de Portugal.


O antigo cenitério do bairro de Santa Cruz (que conheci) deu lugar a esta construção. O campo de repouso foi construido após a fundação do bairro (1767). Foto lado esquerdo: "os priores da paróquia" conforme vai terminando sua vida terrena descansam, eternamente, nas traseiras da igreja.

No bairro de Santa Cruz muitas das suas características, dentro do contexto da urbanização, desapareceram. O cemitério deu lugar a uma grande construção para os serviços de administração da paróquia. Ao lado direito a construção de apartamentos onde residem umas centenas de pessoas. 
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Quando conheci o bairro a demografia não era significativa. Cresceu no decorrer de 20 anos e, no bairro de Santa Cruz frequentam as escolas centenas de crianças nos estudos primários. 
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Por isso pensamos que o cemitério teria sido "profanado" (não a contento de muitos residentes e o desagrado noticiado na imprensa local); foram transferidas as ossadas para um cemitério, propriedade da Igreja do Vaticano, a 40 quilómetros do bairro e na província de Nakhon Phaton. No interior do bairro pouco haja sido mudado. 
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As pessoas, a maior parte delas, católicas, praticam a religião de tal forma que me impressiona. É gente simpática e podemos caminhar, que ninguém nos molestam. As crianças olham os "farangs" (estrangeiros para os tailandeses) com um sorriso de hospitalidade. 
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Não nos pedem nada e que se fique aqui a saber: as raízes tradicionais dos tailandeses é o orgulho de ofereceram e não pedirem. Qualquer visitante que visite a Tailândia poderá encontrar pedintes, sentados nos passeios, a pedir esmolas. Esses pobres, a maioria, entraram, clandestinamente, no território de outros países e controlados por "gangues".
 
A senhora, residente no bairro de Santa Cruz embala os queques portugueses. Na foto do lado esquerdo expostos para venda ao público.

Os residentes são pessoas de vivência modesta, ocupando-se, os jovens ao balcão de grandes superfícies, vendedores de roupas nas bancas de mercados que abundam pelas cidade. Outras há que têm as suas indústrias caseiras. 
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Uma delas é o fabrico de doçaria tailandesa onde estão incluídos os queques portugueses. Os queques, o fio de ovos, o Tong Ion e o Tong Ip (bolas ovais de doce de ovos e açucar) foram as primeiras indústrias caseiras de sobreviência que surgiram no bairro desde a fundação. 
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Os fios de ovos, o Tong Ip, o Tong Ion deixaram de ser fabricados no bairro. Ainda sou do tempo que uma velha senhora possuía uma "fabriqueta" de cozinha e onde produzia, praticamente, quantidades industriais. De queques existia só uma "fabriqueta",na margem do rio quando visitei o bairro pela primeira vez. 
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A confecção era absolutamente artesanal e do tempo dos portugueses e luso/tailandeses viviam no "Ban Portuguete". O cozimento é feito a lume brando de lenha, com uma tampa de lata a cobrir os queques e esta em cima com brazas acesas para tostar levemente a superfíce do queque. 
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O amassamento da farinha, misturada com água, farinha e ovos era efectuado pela força das mãos com uma corda enrolada à haste que no movimento de vai-e-vem fazia com que duas pás, se movimentassem no fundo do alguidar de porcelana e a massa depois de pronta colocada nas formas onduladas e em seguida estas colocadas na chapa em cima do forno, de tijolos circular onde se procedia ao cozimento.

Por dois séculos o tempo ou a formiga branca não conseguiu destruir as casas de tabuinha e já familiarizado com o caminho, onde estão, como que elas sejam coisa minha. Na fotografia da esquerda o telhado, oblíquo, em ripas de madeira de teca construído o sol. Talvez o "pé-de-cabra" no futuro, faça o ajuste de contas para dar lugar a um edíficio de ferro e concreto

Dentro do bairro caminha-se pelas vielas estreitas, estas já foram traçadas de quando os portugueses e luso/tailandeses quando ali se instalaram (1767). Os habitantes deslocados do "Bangue Portuguete", seriam (sem nunca se tenha sabido ao certo) umas três mil almas. 
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Ora a fundação do "Ban Portuguete" vinha dos anos (segundo os meus cálculos) de 1518. Em 1767, já com cerca de 250 anos e com três paróquias, erigidas três igrejas, é de prever que a população de três mil pessoas deve corresponder à veracidade. 
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Como já por várias vezes me referi, nos vários trabalhos que escrevi relacionados com o "Bairro de Santa Cruz", o terreno do bairro foi oferecido graciosamnete, pelo General Thaksin, o libertador da Tailândia após ter corrido os "peguanos" do Reino do Sião depois de terem invadido e saqueado Ayuthaya a segunda capital em 1767. A dádiva do General Thaksin foi pelo facto da lealdade que os portugueses sempre hajam demonstrado. 
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Thaksin entronizar-se-ia o primeiro Rei da era de Banguecoque, fez transportar os portugueses e luso/tailandeses para a nova capital e instala-os no terreno; oferece-lhes madeira para construirem suas residências, igreja para a prática do culto católico e com isto formar nova comunidade. 
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Segundo o Dr. Joaquim Campos, um proeminente historiador, Cônsul de Portugal em Banguecoque (1936/1944 ) escreveu: "o campo de Santa Cruz não foi oferecido ao Estado Português mas à comunidade portuguesa/luso/tailandesa deslocada do Ban Portuguete".


Ando à 20 anos a investigar a quem pertenceu esta bela e elegante casa construída de madeira de teca, que teima resistir ao tempo e à corrente do Rio Chao Praya (Praiá). Foto do lado direito: a construção de um muro de cimento e ferro, na margem do rio, para a elegante casa volte a ter jardim, plantas, a "sala" e o fontenário.

Entre as casas de tabuinhas e ripinhas do Bairro de Santa Cruz, umas ainda por ali existem que mesma velhas teimam resistir à idade e à destruição que nos dá conta que ali viveu gente de negócios, rica e grada. Conheci uma moradia de dois andares e nos rés do chão uma varanda virada para o rio. 
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Um pequeno jardim junto à margem do "Chao Prya". Conheci aquela linda habitação que me fascinou o seu traço de carpinteiro de boa obra. Imaginei-me até dentro dela e sentado naquela varanda absorver o fresco do fim da tarde, a olhar o majestoso rio, ao que chamei por tantas vezes meu. 
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Nunca cheguei a saber quem foram os proprietários. Há uns 14 anos uma estudante amiga, a "Pla" (peixe na língua tai) que pela manhã tomávamos café junto à margem do rio, pedi-lhe se me acompanhava na manhã de um domingo para irmos ao Bairro de Santa Cruz. 
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A época era a das chuvas. Chegamos junto ao prédio e por desgraça minha vi desaparecer, perante os meus olhos, a elegante "Sala" (palavra portuguesa deixada na Tailândia), de tecto e cornijas rendilhadas. Levou igualmente para as águas do Golfo do Sião as terras do jardim, já sem plantas e um fontanário no meio. 
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Ontem, pela viela cheguei, mais uma vez, entre as tantas que ali fui, para lhe recolher imagens. Um residente do bairro chegou-se a mim e diz-me, indicando-me o lugar junto à margem, onde poderia obter boas imagens. E em verdade obti aquelas que nunca tinha conseguido. A casa lá estava teimando viver. De janelas fechadas e a varanda à frente virada para o rio. 
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E para meu contentamento vai viver por muitos mais anos (a madeira de teca é eterna), porque o Governo da Tailândia está a construir um longo muro junto às margens do Chao Prya e roubar ao rio as terras que lhe levou. Depois do muro voltarei à minha investigação quem teria sido a família que viveu naquela linda casa.

Um homem dá volta ao bairro matraqueando a matraca anunciando que o "Auto do Calvário" se aproximava. Num pátio davam os últimos retoques de maquilhagem aos actores da representação. Outros preparam a decoração das imagens, à volta da igrela para a Via-Sacra

O princípio da noite estava próximo e fui me aproximando para o adro da igreja. Às sete horas estava programado o início do espectáculo religioso do Auto do Calvário e a Paixão de Jesus Cristo. Os habitantes do bairro, já acostumados, passa de geração em geração, todos trabalham nos arranjos. 
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Ora enfeitam o andor onde Jesus Cristo será deitado depois de descido da cruz; surgem mulheres de todos as vielas com jarras com flores brancas. Outras enfeitam a imagem de Virgem Maria, em cima de uma mesa que vai assistir a descida do crucificado filho. O som de música sacra chega ao ouvido de todos. 
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Um homem dá volta ao bairro matraqueando uma matraca. Um objecto, velho e que me fez recordar aquela matraca que em miúdo matraqueei nas ruas da minha aldeia. 
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Num pátio maquilhavam o bom e o mau ladrão com tinta vermelho vivo para lhe dar o toque. de golpes, de sangue fresco. Senhoras maquilhavam a Maria e Maria de Madalena e o José. A outro lado a guarda Pretoriana. Não vi o Juda e não sei se já se tinha pendurado numa "árvore" pelo pescoço pela conspiração.
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O guardas Pretorianos, José, Maria e Maria Madalena, aguardam a descida de Jesus da cruz. Nos lugares de honra e (a) (b) os embaixadores de Portugal Maria da Piedade e António de Faria e Maya. (os primeiros embaixadores de Portugal que assistiram a esta cerimónia)

Chega José de Arimatéia ladeado de mais cinco samaritanos, que vão fazer descer, piadosamente, Jesus Cristo da Cruz. O palco decorado com uma pintura do Monte das Oliveira em Jerusalém. Os alto-falantes através do som sopram o vento. 
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O momento é de silêncio e de reflexão. Os devotos sentados no chão, com os dedos tapam os ouvidos porque sabem não tarda o rebentamento de petardos que são os trovões e as iras do céu contra os que crucificaram Jesus Cristo. 
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Aquela imagem pregada na cruz não representa só a sua pessoa mas a de outros Cristos que ao de cima da terra estão sujeitas à "pata" do poder, às injustiças e ao despotismo. 
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Ao lado lá estão os dois malfeitores, os ladrões bíblicos, que deveriam ser uns ladrões, naquele tempo "pilhas" galinhas.Um era o bom o outro mau que não conseguimos definir qual dos dois seria o melhor e o simpático ladrão.


Maria e Maria de Madalena e atrás três guardas Pretorianos

A descida de Jesús aproxima-se. José de Arimatéia e seus samaritanos ajoelham-se aos pés da imagem de Virgem Maria. Jesus no alto da cruz com a cabeça tombada sobre o peito. A religiosidade dos samaritanos de mãos postas perante Maria transmitem-lhe que vão trazer o seu filho às mãos e dar-lhe a condigna sepultura. 
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Troa os som das batidas do martelo no lenho para retirar das mãos os cravos com que foi crucificado Jesus. Conforme vão retirando os ferros que prendem Cristo vêm ofertar, de joelhos, a Maria. 
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Ela é uma das imensas Maria/mulher, do Mundo, que sofrem pela morte dos filhos. O acto é de reflexão para todos que presenciam a generosidade de José de Arimatéia.

Jesus arriado da cruz que depois será transportado para um andor e depois ali deitado

Jesus deitado na cama de um andor, em procissão, acompanhado pelos moradores do bairro de Santa Cruz e outros peregrinos que ali vieram para assistir ao Auto do Calvário e a descida de Jesus Cristo da Cruz
 
A cerimónia acabou junto às nove horas da noite. Lá estaremo para o ano de 2009
José Martins (fotografias do autor do texto)

LUSA TAILANDESA NUMA FINAL DE CONCURSO DE DANÇA EM BABGUECOQUE



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CONCURSO DE DANÇA - LUSA TAILANDESA NUMA FINAL

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BAÚ DE MINHAS MEMÓRIAS - JUDITE DE SOUSA


Publicada por Maria Manuel “A Vida é um Minuto – O Poder e a Imagem” é o título do novo livro de Judite Sousa, que será apresentado no próximo dia 2 de Setembro, na livraria Bulhosa, em Entrecampos.
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O novo livro da jornalista, que será editado pela Oficina do Livro, vai ter a apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, também autores do prefácio da mais recente obra da jornalista.
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"A Vida é um Minuto - O Poder e a Imagem" vai abordar questões e acontecimentos políticos, nacionais e estrangeiros. Situações como a demissão do ministro da Economia Manuel Pinho, caso Freeport, serão alguns dos temas abordados.Este é o segundo livro da jornalista. O primeiro, editado em 2002, tem como título “Olá Mariana - O Poder da Pergunta”, que, para quem é uma amante de jornalismo como eu, recomendo vivamente.
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À MARGEM: Memórias há muitas para continuar a retirar do meu baú.
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Fui um "gajo", em Banguecoque, conhecido por governadores, ministros, jornalistas e outras figuras públicas.
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Há no meu baú montes de coisas para revelar. Não penso que tenha havido alguém que eu tenha servido ou acompanhado em Banguecoque, que tenha partido e dito mal de mim...
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A todos servir no meu melhor!
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Bebemos copos, perdemos noites e como fui um tipo "porreiro" nunca dei com a línguas nos dentes.
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Quando me começo a elogiar ninguém me segura...
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Mas tranquilos, porque com a idade que tenho não procuro promoção nenhuma nem favores de um "tacho".
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Deixo as "basófias" e vou falar de Judite de Sousa e orgulho-me de ter sido eu o primeiro "gajo" que colaborou, no estrangeiro, com uma das mais inteligentes jornalistas que na Tailândia lidei.
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Não posso afirmar com convicção quantos dias a acompanhei se por dez ou mais dias em Banguecoque.
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A Judite foi a destacada para realizar um longa metragem, da série "Portugal sem Fim", em cima da história de Portugal na Tailândia e de Malaca.
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Estavamos no ano de 1986. Antes da Judite viajar para a Tailândia, teve um encontro com o Embaixador Mello-Gouveia, de férias em Portugal, a dar-lhe conta do seu projecto na Tailândia e na Malásia, e solicita-lhe a ajuda de alguém e, desde logo, o nome do José Martins lhe foi indicado, como "barra", conhecedor das coisas de Portugal na Tailândia.
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Na altura ainda não tinha viatura, aluguei um carro e viajamos para Ayuthaya, Bairros Portugueses de Banguecoque, cemitérios (ainda não tinha sido profanados), filmou-se o fabrico dos fios de ovos (Foi Tong) como séculos atrás, foi-se a casa de um descendente da familia, luso-descendente, Sequeira e, muito velho, dedilhou o Hino Português no seu piano.
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Um trabalho excelente e de quando em Banguecoque existia muita coisa de um passado. O progresso ainda não tinha chegado a Banguecoque.
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Minha filha Maria gestava-se na barriga de minha mulher e viria a nascer um mês depois.-
Acompanharam a Judite, de Lisboa, um operador de câmara e o ajudante para carregar o pesado gravador.
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À noite visitamos o famoso Soi Paptong e viu aqueles "shows", como jornalista curiosa.
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Partiu com um "bom trabalho" elaborado a poupar o mais que possível, porque o dinheiro que trazia com ela era pouco.
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Nunca mais vi a Judite, mas passados 13 anos veio acompanhada do marido o Prof. Fernando Seara, (actualmente Presidente da Câmara de Sintra), seu filho do primeiro casamento e não se esqueceu do José Martins e foi à procura dele à Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Alguém foi à minha sala de trabalho e disse-me: "Está lá fora a Judite de Sousa à sua procura".
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Encontrei aquela menina, franzina, em 1999 como a tinha visto em 1986.
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Delicado como sou, pedi licença ao Prof. Fernando Seara, se poderia abraçar a sua esposa.
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Dei-lhe um grande abraço e nos seus olhos um brilhozinho.
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À noite fomos jantar à esplanada do hotel, ao lado, o "Royal Orchid Sheratoñ".
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Partiu de Banguecoque e foi despedir-se de mim.
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Além das suas entrevistas na RTPi, nunca mais a vi em pessoa.
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Talvez um dia a volte a ver em Banguecoque.
José Martins

1 comment:

Judite Sousa12:33 am
Caro José Martins, fiquei muito feliz de ver a " nossa " história de Banguecoque tão bem contada no seu blogue. Gostei de recordar aqueles dias magníficos e de recordar a sua preciosa ajuda. Desejo que tudo esteja bem consigo e gostaria de o rever um dia destes, ou em Lisboa ou na Tailândia. As saudades são muitas e as recordações infinitamente boas. Abraço amigo. Judite Sousa

LEMBRANDO O FALECIMENTO DE UM AMIGO

Há 5 anos noticiavamos 

JOÃO AZEREDO FALECEU


João e sua mulher Gobporn Azeredo, um casal feliz (foto do autor em 2006)
Depois de prolongada doença e a lutar pela vida, faleceu às três horas da manhã de 23.07.08, no "Lard Prao Hospital", em Banguecoque, João Azeredo, Adido Cultural da Embaixada de Portugal, na capital tailandesa. 
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Doente desde há cerca de 8 meses, cujo  mal  do João se sabia ser-lhe fatal, continuava, dentro de si a vontade de viver. Já em estado "terminal", há cerca de uma semana, pedi a minha mulher, (mais corajosa do que eu) que visitasse o João Azeredo no hospital e encontrou-o já bastante debilitado, alimentado a "soro" e a respirar artificialmente. 
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Levou-lhe um liquido fortificante e, no acto da entrega disse-lhe: bebe-o para que voltes forte: em sílabas respondeu a minha mulher:I hope so... (tenho esperança). 
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Conheço o João Azeredo há uns 10 anos, na Embaixada de Portugal e durante as comissões dos embaixadores: Tadeu Soares, Lima Pimentel e Faria e Maya. 
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As nossas áreas de serviço dentro da missão foram diferentes, mas sempre tivemos um óptimo relacionamento. Homem reservado, cumpridor das suas obrigações que era o ensino da língua portuguesa em duas universidades de Banguecoque. 
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Parte dos livros que figuram na minha biblioteca ao João Azeredo lhos devo que nunca se haja esquecido de me oferecer exemplares que chegava duplicados de Macau ou do Instituto Camões de Lisboa. Partiu desta vida sem ter completado a obra que pretendia levar a efeito. Nem sempre as coisas lhe teriam sido fáceis, devido à falta de fundos. 
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Escapou à morte durante a tragédia do "Tusnami" na estância balnear do Phuket em 26 de Dezembro de 2004, no primeiro andar do hotel onde estava hospedado mais a esposa. 
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 Porém não escapou às leis da natureza que o levou deste mundo, ainda jovem e que muito haveria a esperar de João Azeredo. Eu e minha família apresentamos os sentidos pêsames à esposa, de nacionalidade tailandesa, Goporn Azeredo.
José Martins

domingo, 21 de julho de 2013

Tailândia e os Portugueses

 
Ligação do Reino do Sião com o Ocidente
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A cultura de paises estrangeiros chega ao Sião da Índia e muito antes de outras nações.O povo siamês recebeu a religião, a arte, a ciência e a original, ortografia, também, da Índia. 
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A cultura indiana é assim predominante em toda a peninsula Indo-Chinesa por tempos remotos. Volta importante a partir do século XIII e de quando o Islão cresce na Índia. Neste século a Mongólia invade a China e larga população chinesa imigra para o Cambodja e o Sião. 
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Subsequentemente o Imperador da China, da dinastia Yuan, enviou um embaixador ao Sião e quando a capital era em Sokhutai. Esta visita viria a resultar, desde então, a cultura chinesa comece a ganhar raizes no Sião  
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De todas as nações da Europa os portugueses são os primeiros a chegar ao Sião; encetaram relações de amizade; permissão para residirem; autorização para a divulgação da religião católica e livremente permutar mercadorias. Este relacionamento aconteceu em 1511.
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Aos portugueses é-lhes dado o nome de “Farangue”, apelido chegado da Índia e assim conhecidos os europeus como “Farangui”. Desde essa data até à presente os estrangeiros continuam a ser conhecidos na Tailândia por “Farangue”
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Trinta anos depois de os portugueses já estarem no Sião estala um conflito entre o Sião e o Pegú (Birmânia). Nesta guerra estão inseridos cerca de 120 homens lusos, “mercenários” no exército siamês. Presença que Fernão Mendes Pinto relata na sua obra a “Peregrinação”, no capitulo 182.
Terminada a guerra e com a vitória do siameses alcançada, aos portugueses, como gratidão e bons ofícios prestados ao Rei do Sião foi-lhes oferecido um terreno numa área rural e do lado ocidental da cidade real e junto Rio Chao Praiá, para nele construirem suas casas e igreja para a prática da religião católica.
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Estão assim, oficialmente, os portugueses com residência permanente e concessão do previlégio para viveram nas terras do Sião. A data e não temos a menor dúvida, pelos relatos de Fernão Mendes Pinto seria (mais ou menos) entre anos de 1545 e 1550 o princípio da formação da comunidade luso/siamesa no “Ban Portuguete (Aldeia dos Portugueses), assim, ainda, hoje conhecido o lugar.
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Os objectivos dos Reis de Portugal, além da conquista do comércio oriental, já concretizada era o de cristianizar as nações que se tinha relacionado, comercialmente, ou para nelas os portugueses se movimentarem livremente. 
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A expansão da religião católica traria melhor harmonia inter-étnias. Nas viagens das naus lusas, para oriente, seguiam para a propagação da fé missionários do Padroado Português do Oriente (de várias nacionalidades) entre eles se destaca Francisco Xavier, natural de Navarra (Espanha), que efectuou várias missões apostólicas no oriente, com éxito, em Goa, Japão e, nunca conseguiu penetrar na China, a sua ambição apostólica e morre às portas do grande império na Ilha de Sanchuão em 1552.
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No Sião os missionários do Padroado e, devido à tolerância, dos Reis, numa nação de fé budista a disseminação de outras crenças não encontram dificuldades para praticarem e converterem, almas, livremente. 
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Os Dominicanos construem a primeira igreja, rudimentar, por volta de 1540 na parcela de terreno oferecida pelo monarca siamês. E, porque, os homens portugueses chegavam ao oriente sem mulheres foi-lhes fácil a assimilação e o de terem contraído matrimónio com mulheres siamesas. Casamentos, como é óbvio, celebrados, pelos padres do Padroado nos termos, da religiosidade, como o eram em Portugal.
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Os descendente lusos/tailandeses seguiram a fé de seus pais, transmitindo-a a seus filhos e netos e no presente, embora já não haja sangue luso na Tailândia, em Banguecoque, ainda estão em pé três igrejas no mesmo número de bairros com os nomes genuinamente portugueses: Senhora do Rosário, Santa Cruz e Imaculada Conceição.
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Durante os anos em que os portugueses foram os únicos residentes estrangeiros em Aiutaá os conflitos entre o Sião e Burma são continuados por cerca de meio século. Têm, então, os portugueses um papel primordial na defesa do reino no seguinte: introduzem a arte de produzir armas e o manejo das mesmas; construção de fortes que protejam, os pontos estratégicos do arremesso dos projectiles disparados pelos canhões do inimigo. Com isto, os siameses e graças ao ensino da arte de fabricar armas, ministrado pelos portugueses, estas chegam ao Japão, em 1606, como presente dirigido ao Imperador Shogun.
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Este encontrando a excelente qualidade das espingardas escreveu uma carta ao Rei do Sião agradecendo-lhe a dávida e pergunta-lhe se lhe pode enviar mais. 
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São as armas e o manejo destas, os portugueses ajudando o Rei a conseguir vitórias no envolvimento das guerras em que, constantemente, o Sião se vê a braços com Burma que esses simples e humildes homens de Portugal grangeiam a simpatia da corte e das gentes siamesas.
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Hoje no ano 2004 e na proximidade dos 500 anos de relações amistosas, vivem em pedaços de história que são os fortins, onde ainda se encontram, bem erguidas as ameias típicas e iguais às dos castelos por todo o Portugal que serviram para manter a identidade Lusitana. Estes marcos, pouco conhecidos dos portugueses, poderão ser vistos: na velha capital de Aiutaá, Lampang, Kanchanaburi, Svargalok e Sukothai.
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Além destas memórias a relembrar Portugal no Sião vamos encontrar, em certos museus e templos de províncias umas poucas espingardas expostas e moldados em terracota soldados portugueses, em posição de sentido, com a armas nas mãos.
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No pescoço e nas mãos vamos encontrar nessas estátuas vivas, na memória dos tailandeses, com voltas de flores que lhes colocam e oferecem em forma de gratidão. Poder-se-ão, também, observar essas figuras, em murais de templos, por toda a Tailândia, onde o artista, através do pincel, expressava os seus sentimentos relacionados com os soldados de Portugal ao serviço e na defesa do Reino do Sião.
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Outras nações da Europa chegam ao Sião no século XVII. Os holandeses em 1604, os ingleses em 1612, os dinamarqueses em 1621. Entretanto estes países não têm nos seus projectos o de se fixarem com uma Feitoria em Aiutaá mas apenas praticarem o comércio, de ocasião e este efectuado, em maior escala, no porto de Mergui na costa do mar de Andaman e na altura território siamês.
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Os ingleses e os holandeses já a professarem o protestantismo não está dentro dos seus planos a propaganda religiosa, protestante, redigida por Filipe Melâncton e aprovada por Martinho Lutero nas primeiras décadas do século XVI 
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Os espanhois chegam, também, ao século XVII, Nunca conseguiram, permanentemente, se fixarem no Sião porque tinham interesses no Cambodja e apoiavam os cambodjanos nas guerras que espaçadamente as duas monarquias se envolviam. Por tal nunca foram bem-vindos em Aiutaá.
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Depois da metade do século XVII, em 1662 os primeiros franceses chegaram ao Sião. O motivo principal foi o de Luis XIV de França pretender expandir-se pela Ásia, esta já bem conhecida pelos Ingleses e Holandeses. Assim envia, primeiro, uma missão de missionários, jesuitas, para que semeassem a religião católica e, também, divulgassem a grandeza da monarquia francesa pelos países da Ásia. Acção que não tinha outros propósitos do que preparar as pretensões do alargamento, territorial, francês além-Europa.
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Luis XIV não ignorava que os portugueses eram já os senhores do comércio oriental e a França, assim como outros países da Europa já comprava as especiarias e a pedraria em Lisboa. 
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A missão de missionários jesuitas franceses é enviada por terra e viajam, pela Síria, Pérsia e Índia. Entretanto, os clérigos, encontram pela frente a força da religião muçulmana e nada tolerante para que outras religiões penetrassem nesses países com diversos emiratos onde os líderes religiosos, comungavam e trransmitiam, fanáticamente, a ideologia do profeta Maomé.
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Na viagem tomam conhecimento que mercadores (possivelmente dos persas) tinham relações, comerciais, com o Reino do Sião onde a religião Budista estava implantada e aceitava e tolerante à divulgação de outras. Em princípio e de quando da partida dos religiosos de França não tinham nos seus planos, de viagem, os objectivos de fixação em Aiutaá porque pensavam não ser o país conveniente para a propagação da religião.
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Após Luis XIV ter tido conhecimento da chegada dos missionários ao Sião, juntamente com o Papa aprovaram a ideia de se estabelecerem na cidade de Aiutaá e ali instalarem um bispado com tentáculos, abrangentes, a todo o Oriente. 
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Os missionários franceses desde que tomam assento em Aiutaá começam pelas obras de caridade oferecendo esmolas aos pobres, confortando e curando os doentes e visitando os presos. A caridade deles é muito bem recebida pelos siameses e com isto o de alcançarem a total simpatia.
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Os missionários portugueses, quando os seus homólogos, franceses, chegaram ao Sião, já estavam em Aiutaá havia mais de cem anos e isto viria a criar, entre a duas congregaçãoes, uma guerra fria, religiosa e com a mistura de queixas e protestos dirigidos ao Papa Clemente X de que sua Santidade não lhes dá ouvidos ou os aceita e pretende quebrar toda a resistência portuguesa. 
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Portugal tinha estado sob o domínio da corôa espanhola e durante  seis décadas o prestígio do clero português deixou de ter, a importância que tinha tido no Vaticano durante vários séculos e gozado de enorme vitalidade e a concessão de privilégios. Durante a dominação castelhana os Papas não ordenam bispos portugueses.

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As três congregações religiosas, portuguesas, estabelecidas em Aiutaá: Dominicanos, Jesuitas e Franciscanos viviam dentro de alguma pobreza e lhes iam valendo, para sobreviver, das esmolas e da cera, silvestre, para alumiar os altares das três igrejas, angariadas dentro da comunidade luso/tailandesa que deveria ser, nessa ocasião, de mais de duas mil almas.
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Reinava o rei Prá Narai, um monarca liberal e deseja que o seu Reino seja próspero e os seus súbditos felizes. A caridade dos missionários franceses viria a impressionar o monarca e, lhes confere o privilégio da oferta de uma larga porção de terra para ali viverem e construirem a Igreja de S. José (ainda hoje existe) para instalarem escolas e seminário. 
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Isto acontece numa altura em que no Sião os holandeses já estavam estabelecidos por quem o Rei Narai tinha alguma suspeição. Com isto os franceses, ganham terreno e pé em Aiutaá e um óptimo relacionamento entre o Rei Narai e Luis XIV de França. A França e a Holanda estavam em guerra na Europa.
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O monarca francês apressa-se, após os missionários desbravarem o terreno, em despachar oficiais militares e engenheiros para ajudarem o Sião. Os engenheiros constroem a residência, de verão, do rei Narai; o palácio de Constantino Falcão em Lopburi; fortificam os pontos estratégicos da cidade para no caso haverem conflitos com forças maritimas estrangeiras; em Banguecoque (com uma população reduzida), constroem uns três fortes nas margens do rio Chao Praiá e aonde hoje se encontra um que serve de Escola Naval da Marinha Real Tailandesa.
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A França atravessava um periodo da invenção de novas tecnologias e, parte destas são enviadas para o Sião onde, no grupo, é despachado um telescópio que seria oferecido ao Rei Narai para observar, de perto, as estrelas.
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Por detrás das ofertas, introduzidas no Sião, existia a hipocresia, camuflada, que era o de criar a confusão, religiosa, que não era mais, tão-pouco menos, que subjugar o Sião e a oportunidade de os franceses o vir a colonizar.
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Os franceses estão bem certos da potencialidade de riqueza do Sião e já cobiçado actuam: os missionários, os diplomatas; os engenheiros com  operários especializado, vindos de França, construindo fortes junto às margens dos rios; desenhando mapas; os missionários jesuitas (a fina flor enviada para o Sião) conforme podiam introduzindo: a caridade, a educação, a religião e a ciência da astronomia de que já eram mestres.  
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Os jesuitas, com os seus missionários especializados em astronomia montaram um observatório, em Lopburi para observar os astros que viria a dar a oportunidade do Rei Narai de pela primeira vez, observar um eclipse em 1685.
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Infiltrados no palácio procuravam por todas as formas, tentar, converter o Rei Narai; os diplomatas iam estreitando as relações através do grego Constantino Falcão, homem que nutria as maiores simpatias do monarca siamês e o tinha nomeado Ministro Principal do Sião. 
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Os missionário franceses pensavam que depois de convertido o Rei Narai todo o povo seguiria o monarca. Os rumores espalham-se que o Rei tinha sido convertido e com a nova, surge, uma campanha, anti-França, entre as classes nobres siamesas, encabeçada por Phra Petjraja que viria a entronizar-se Rei após a morte do Rei Narai em 1688. No reinado de Phra Pejraja toda a influença francesa desaparece do Sião.
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Aiutaá foi destruida em 1767 entretanto os missionários franceses, depois de expulsos em 1688, já estavam, novamente, no Sião missionando a prática do culto e estabelecidos na Igreja de S.José, enquanto que as três congregações, portugueseses, continuam no Ban Portuguete (Aldeia dos Portugueses) com a liberdade total da divulgação do cristianismo.
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Com o saque de Aiutaá, pelas tropas da Birmânia muita cultura europeia perdeu-se. Pouca ficaria além da arte de fundir canhões e o saber usar as armas de fogo ensinado pelos portugueses .
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A queda de Aiutaá provoca o desparecimento daquilo que os franceses introduziram no Sião. Os vinte anos de presença, o espirito anti-francês; a destruição do palácio de Constantino Falcão, do observatório de astronomia instalado pelos missionários jesuitas, em Lopburi e as igrejas para a prática do culto entram os franceses no ról do esquecimento assim como a Obra edificada.
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Curioso e ainda hoje se mantém com enorme popularidade em toda a Tailândia foi a confeitaria portuguesa : os queques esponjosos, chamados na língua tailandesa “ Kanom Farang” e os fios de ovos, “Foi Tong” cuja esta especialidade se diz ter sido a Maria de Pina Guiomar, lusa/descendente de mistura de sangue português e japonês que os confeccionou, de quando a chefe de cozinha de sua majestade o Rei do Sião. Outras especialidade de doçaria portugueses, também, foram inseridas, na culinária siamesas, mas a que atingiu popularidade, foram os fios de ovos.
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A destruição da capital Aiutaá, fez desaparecer a pouca comunidade estrangeira, residente, os missonários, franceses partiram para Indochina já colonizada por eles, os pouco holandese para a Batávia (Indonésia) e, os ingleses para a colónia Índia. 
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A comunidade luso/descendente, que não vivia abastada, no “Ban Portuguete”, foram apoiados na sua deslocação pelo General Taksin para se estabelecerem, na margem esquerda do rio Chao Praiá, em Banguecoque e fica conhecido o lugar como bairro de Santa Cruz.
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Depois da saída de Aiutaá, além da reunificação dos siameses o Sião está a braços durante 15 anos para consolidar a sua independência e no comando das operações militares está o General Taksin (filho de pai chinês e de mãe siamesa) que viria a ser intronizado o Rei Phya Tak.  
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Segue-se o Rei Rama I (reina durante 28 anos) e dá o início da Dinastia Chakri cuja esta ainda se mantém viva, no ano 2004, na pessoa de S.Magestade o Rei Bhumidol Adulyadej o Grande e entronizado em 1946. .
No periodo da fundação da cidade de Banguecoque, que viria acontecer em 1782, na Europa dá-se início de uma época conturbada com a Revolução Francesa e as invasões napoleónicas e de que faz que o Sião esteja isolado do ocidente por 40 anos.
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O Reino tem apenas relações diplomáticas e comercias com o Oriente e como parceiro principal está a China ( já este país possuia larga comunidade, assente, junto à margem, direita, do Rio Chao Praiá que fica conhecido, mais tarde, por “Sampengue”). 
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Não tardam, porém, a chegar indianos e efectuam transações comerciais entre o Sião e a Índia. Esta comunidade cresce significativamente durante o período do Rei Chulalongkorn que numa das suas visitas à Índia convida alfaiates que se estabeleçam no Sião. Estes já familiarizados na confecção de fatos para os “gentlemens” súbditos de S. Majestade a Rainha Vitória e residentes na colónia, como funcionários públicos ou comerciantes sob a administração inglesa.
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Na cidade de Banguecoque e, passado mais de um século a indústria de alfaiataria está na posse da comunidade indiana, integrada na cidadania tailandesa, assim como a indústria téxtil (onde se incluem a fabricação de tecidos ou fios de algodão e sintéticos) imobiliária e bancária que a torna uma comunidade próspera e uma força económica na Tailândia.  
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Assim se restabelecem as relações com as nações do ocidente durante o reinado de Rama II que ascende ao trono em 1809. Nessa altura a corte vive uma fase de tratados de guerra com a Birmânia e do Império dos Anamitas (hoje oVietname).
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Existe a preocupação da corte siamesa e necessita de aquisição de armas e munições para se defender de possíveis ataques de duas nações vizinhas. 
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Dois barcos com o pavilhão do Sião navegam em destino aos portos de Singapura e Macau com os porões carregados de mercadoria (madeiras, arroz, oleoginosas, compotas, gengibre e,outros produtos abundantes no Sião) para ser permutada com material de defesa e traze-lo de volta para ser empilhado nos arsenais.
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Durante o período desse relacionamento o Sião adopta na sua bandeira o emblema do “Elefante Branco” e fica como o símbolo do reino e de união nacional Passam assim os barcos siameses a arvorarem a sua bandeira de igual modo como nas embarcações dos países do ocidente.  
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A adopção do símbolo do “Elefante Branco” dá-se na ocasião em que nos estábulos reais residem três elefantes brancos e então o Rei Rama II é cognomizado pelos seus homólogos europeus : “Lorde do Elefante Branco.”
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Em 1918 o Governador de Macau enviou ao Sião um enviado com credenciais de diplomata para solicitar ao Rei Rama II autorização dos portugueses comercializarem no Sião assim como construirem barcos. Sua Majestade o Rei Rama II deu bom acolhimento a Carlos Manuel Silveira e, não só lhe concede o livre comércio, como o privilégio de residência aos portugueses, impostos alfandegários reduzidos, assim como a instalação de doca para a construção de barcos. Confere-lhe a honraria de usar o título honorífico, nobre: Luang Abaya Vanij .
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Além desta honraria ofereceu, o Rei Rama II, como presente uma larga parcela de terreno, para funções de Feitoria (onde nos dias de hoje se instala a Embaixada de Portugal e a Residência do Embaixador) ocupada por um príncipe Anamita cuja esta lhe foi retirada. 
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É assim Portugal que além de ser o primeiro país ocidental a marcar presença no Sião, na velha capital Aiutaá, em 1511, é priviligeado com a primeira Feitoria na cidade de Banguecoque que no início do século XIX iniciava a sua formação como capital do Reino.
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Após os portugueses se fixarem em Banguecoque os missionários franceses, voltam de novo e acolhem-se dentro da comunidade lusa/descendente que se estabeleceu na nova capital depois da queda de Aiutaá. 
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Entretanto nessa altura nenhum siamês fala uma sequer palavra de país da Europa, excepto os luso/descendentes que introduziram palavras portuguesas como nomes de baptismo dos seus filhos e assimilam-nas na língua tai. Assim os missionários franceses, para o relacionamento com os siameses são obrigados aprende-la.
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As relações com a Inglaterra eram resumidas em 1822. A Companhia das Índias estende as relações comerciais com o Sião e tinha como Governador Geral o Marquês de Hasting e como enviado especial e diplomático à Corte do rei Rama II, despachou o Dr. Crawfurd com uma proposta e pedido para a realização de um tratado de comércio e amizade.
 
O Dr. Crawfurd depara com muitas dificuldades para a negociação do tratado isto porque no Sião ninguém falava a língua inglesa. É então solicitado um interprete malaio que traduzisse, em palavras, a língua inglesa para a siamesa para que o Ministro do Comércio siamês entendesse os propósitos do enviado inglês. A resposta do Ministro do Comércio siamês é dada nos mesmos moldes e não existe o papel com assinaturas.
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Infelizmente o Dr. Crawfurd chega ao Sião numa má altura dado que o Sultão de Kedah (Malásia) que era vassalo do Rei Rama II e conspirou e colocando-se aos lado dos birmaneses, cujas as boas relações com o Sião ainda não tinham sido consolidades depois de 1767.  
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O Sião e dada a atitude do Sultão de Kedah o Rei Rama II envia um exército que invade e ocupa Kedah. Os ingleses que ocupavam Penang não lhes agrada muito a atitude siamesa. 
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O Dr. Crawfurd foi então enviado a Kedah e negociar com o Sultão a restauração e seria durante essas negociações que o Sultão teria indicado ao enviado inglês ter assinado um tratado de Comércio e Amizade com o Sião e de que o Rei Rama II não teria gostado.

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Mas o real atrito que existia era que o monarca siamês não lhe encantava ou confiava nos ingleses dado que estes tinham todas as facilidades, comerciais, com a Birmãnia e nas permutas dos seus produtos, estes en troca, forneciam-lhe armas e munições que seriam para usar contra o Sião. Está assim a Inglaterra no caminho desejado em criar relacionamento comercial e amistoso com a Birmânia. Mas seriam necessãrios alguns ajustamentos.
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O Dr. Crawfurd sabe que os siameses têm necessidade de armas e munições para defenderem o seu território e, o seu país estava na disposição de lhe vender o material bélico, com uma condição: “de este não deveria ser usado contra as nações com quem a Inglaterra tinha relações amistosas, entre o número, estava a Birmânia inimiga, feudal, do Sião”. Mercê da proposta do Dr. Crawfurd as negociações para o tratado anglo/siamês caíu por terra.
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Há entretanto amizades, permanentes, já bastante chegadas com Macau, Penang e Singapura e nestes portos os barcos do Sião aportavam e permutavam mercadorias a troco de armas. O Rei Rama II faleceu e sobe ao trono Rama III em 1824. 
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Nesse ano dá-se a primeira guerra entre a Inglaterra e a Birmânia e, então nesse ano que o Sião é convidado para um tratado de aliança com o Reino Unido. Chega a Banguecoque o Capitão Burney como enviado da côroa inglesa cujas conversações resultou no primeiro tratado entre o Sião e a “Bristh East India Company” em 1825.
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As dificuldades deparadas durante a presença do Dr. Crawfurd em 1822 são ajustadas e, então lavrado o tratado em quatro línguas: a siamesa, inglesa, malaia e portuguesa (em Aiutaá, em Banguecoque e em todos os portos do Oriente a língua portugueses, foi usada, como franca por mais de três séculos). Após o tratado os barcos ingleses são uma constante presença no porto de Banguecoque.
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O primeiro comerciante inglês a estabelecer-se em Banguecoque é Roberto Hunter (que foi casado com a lusa/tailandesa Rosa Hunter do Bairro da Imaculada Conceição), que se instala cerca do terreno doada pelo Rei Rama II à comunidade luso/descendente vinda de Aiutaá depois da queda em 1767 a que lhe foi dado o nome Bairro de Santa Cruz. O Rei Rama II confere a Roberto Hunter o título de nobre com a categoria de Luang Vises Banij.
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Os missionários americanos protestantes chegam ao Sião em 1833. Antes de chegarem a Banguecoque, já estabelecidos com missões na China. Em 1798 os Estados Unidos da América, apontaram o primeiro cônsul em 1798 na cidade de Cantão e autorizado o arvorar da bandeira em 1802. 
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O motivo da vinda para o Reino do Sião foi pelo facto de terem tido conhecimento que uma larga comunidade chinesa vivia na Tailândia e, fazem as três primeiras conversões, no Sião, a três nativos provenientes da província de Kuantung.
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Antes de entrarem em acção pediram autorização ao Governo para as suas residências e a propagação da religião e que, de imediato, lhes é concedida. Fixam-se na área do “Sampeng” e a localização da maioria da comunidade chinesa. Não ignoram, entretanto, a população siamesa no tratamento de doentes e assistências humanitária aos carentes.
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Os siameses consideram os missionários americanos médicos, dado ao tratamento de mazelas e, à assistência aos moribundos vitimas da febre tifoide, que afligia a cidade de Banguecoque, cujas casa tinham sido construídas na margem, dos inúmeros de canais, erguidas em cima de estacas. 
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São achados pelo nome de médicos, estes missionários e recebidos amigavelmente e por tal hospitalidade consideram o Sião um país onde poderão instalarem-se outras missões. A primeira missão foi instituida na parcela cedida por empréstimo no terreno que tinha sido doado a Portugal pelo Rei Rama II.
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A presença, no Sião, dos missionários americanos foi de certo modo benéfica para a monarquia. Introduzem muitos benefícios onde se inclue a arte de imprimir cartas e jornais e instalam uma tipografia. No entanto não foram os americanos os primeiros a imprimir e a publicar ortografia siamesa e latina no Sião, pelo sistema de Cutemberg .
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O inglês de nome Coronel Low, em comissão de serviço na “Far East Company”, depois da missão de Crawfurd teria incentivado o Low aprender a língua siamesa e a escrevê-la. Mais tarde, escreveu uma gramática da língua siamesa, para que os ingleses, residentes no Sião, aprendessem o siamês, os caracters foram fundidos no chumbo e passados ao papel numa tipografia em Calcute. O Low de Calcute despachou a tipografia para Singapura.
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Quando os missionários americanos têm os conhecimentos, bastantes, da língua siamesa deslocam-se a Singapura para imprimei as suas obras e acabam por adquirir a maquinaria de impressão e traze-la para Banguecoque em 1836. 
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Em 1837 são os missionários americanos os primeiros a introduzirem a vacina para as bexigas. Em 1844, imprimem o jornal “ The Bangkok Recorder” e o primeiro no Sião.Banguecoque em meados do sec. XIX tem como parceiro principal, nas transações comerciais a China e toda a mercadoria são transportadas, exclusivamente, pelos juncos chineses. Embarcações, deste tipo, construídas no Sião e na China.
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Quando os europeus se fixam em Banguecoque as sua embarcações (assim se compreende dada a distãncia entre a Europa, Estados Unidos) são de calado superior; mais seguros e, evidentemente, já equipados com as novas tecnologias de navegação mais aperfeiçoadas. 
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De Macau da Índia portuguesa, as viagens era procedidas, pelas embarcações que ostentavam o pavilhão português, até a meados do Sec. XIX, teriam sido os juncos e ainda as naus do tipo usado depois de 1500.
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Entretanto os juncos chineses foram as embarcações adequadas para navegarem pelo rio Chao Praiá até Aiutaá. Deles o Fernão Mendes Pinto se refere, na altura, que mais o António Faria vestiram a pele de pirata e piratearam nas águas do norte do Golfo do Sião e na foz do Rio Mekong.  
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Com a chegada das embarcações ocidentais a Banguecoque, o porto marítimo, nas águas do rio Chao Praiá, a pouco mais de um quilómetro de distância da Feitoria portuguesa e a jusante, toma outra forma, de intenso, de trafego marítimo.
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Um jovem nobre da Corte de Rama III, Luang Sidhi de que mais tarde viria a ser o Regente no reinado do Rei Chulalongkorn, ganhou grande simpatia e paixão pelos barcos ocidentais e propõe-se a construir um estaleiro para que este tipo de barcos fossem construídos no Siam. Luang Sidhi seu Pai é um Ministro do Rei Rama II e com autoridade sobre os territórios das províncias do leste, onde nestes se situa Chantaboon (Canthaburi) com largas florestas de árvores de Teca; de fácil corte e transporte, e arrasto, pela força dos elefantes para as margens dos rios que levariam os toros ao estaleiro para a construção de novas embarcações.
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Em Chantaboon é montado um estaleiro e empregados operarios de construção naval estrangeiros. Entre os especialistas estrangeiros estão os portugueses a ministrar os ensinamentos aos siameses na arte de bem saber construir barcos. 
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Embora se pense (sem dado concretos) que alguns ingleses estaria incluídos entre os operários especializados portugueses. Portugal desde os anos quinhentos, largas centenas de artífices, navais, partiram para a Índia e outros portos onde as naus aportavam ou para as repararem, calefetar ou construi-las desde o porão. 
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Por exemplo, temos, a magnifica nau D. Fernando II e Glória, construida em Goa no ano de 1863 e a última joia, da Marinha Portuguesa da carreira da Índia.
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Uma embarcação do estilo europeu é oferecida ao Rei Rama III no ano de 1835. O monarca siamês fica maravilhado pela a obra que acabara de receber e não hesita, em ordenar, que todas os barcos construídos no Sião fossem do tipo ocidental.
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Nessa altura o Rei Rama III tinha mandado restaurar um templo a uma centena de metros da doca de Banguecoque. Rama III sabe que a era da construções dos barcos juncos tinham chegado ao fim no Sião. 
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E para que essa memória não ficasse perdida, entre as gerações vindouras, mandou construir um junco, dentro da sua originalidade no terreno adjascente do templo “Wat Jannawa”, cujo este, no ano de 2004 se encontra no mesmo local.
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O mais importante e de um certo modo ter influenciado os siameses assimilar (não na totalidade) a cultura ocidental foi de quando da primeira guerra Anglo-Chinesa ocorrida no ano de 1842. Alguns siameses, nessa altura, acreditam na propaganda chinesa, que para esconder a realidade corre no Sião que o Governo chinês tinha firmado um tratado de paz com a Inglaterra. Esta não correspondia à realidade.
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Mas há três homens, no Sião, que não acreditam na vitória a favor dos chineses e a derrota no lado dos ingleses. A força, bélica, dos países do ocidente, na Àsia é já um facto. 
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As três personalidades que não acreditam na vitória dos chineses são: Rei Mongkut (na altura monge num templo budista), o seu irmão, de sangue e príncipe real, Pra Pin Klao, que viria a ser o segundo rei no reinado do Rei Mongkut e, mais ainda o Regente Luang Sidhi.
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Estas três figuras reais, simultâneamente, têm a visão de que o Sião necessita de absorver, para que o Reino progrida, conhecimentos culturais e tecnológicos, do século XIX, da Europa e, com isto prepara o seu reino para o próximo futuro.  
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Rei Mongkut é um académico que escreve e fala as línguas latina e inglesa (embora não tenhamos encontrado documentos que nos possa dar a certeza), cremos, e dado ao interesse do monarca na aprendizagem de línguas estrangeiras devia, preliminarmente, falar o português isto devido à sua permanência, como monge budista, no Templo Mahadhatu, a portas do Bairro Português da Imaculada Conceição, na área de Samsem.
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Os professores do rei Mongkut são: de latin o Bispo Pallegoix e do inglês um missionário americano de nome Caswell. Seu irmão o príncipe Phra Pin Klao, vem aprender, também o inglês, mas não tanto aplicado como seu irmão Mongkut e, prefere seguir os estudos militares e, empossado como Comandante da Forças de Terra do Reino do Sião. 
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Phra Pin Klao traduz um livro de artilharia,ocidental, para a língua siamesa cuja obra ainda hoje exite. O Regente Luang Sidhi continua um apaixonado pela arte de construção de navios de transporte e de guerra que considera mais impotante que aprendizagem de línguas.
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A lado das três personalidade reais há mais duas pessoas: o Príncipe Krom Luang Vongsa, o avô do Dr. Yai Snidhavongs que escolhe a como profissão a de médico, estudando medicina europeia com os missionários americanos. O outro foi Nai Mode Amatyakul que foi director do Tesouro no reinado do Reinado de Mogkut que estuda química e máquinas e, não aprendem línguas estrangeiras.
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Luang Sidhi dentro do seu entusiasmo da construção naval enviou um jovem cadete siamês, para a Inglaterra, para em ordem aprender navegação. O estudante regressa ao Sião com certificado de “master” e serve a Marinha siamesa no reinado do Rei Mongkut.
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Em 1850 o Governo de Inglaterra enviou o diplomata Lorde James Brooke ao Sião para revisão do tratado de Burney. É esta a primeira vez que o Tratato é discutido na língua inglesa. 
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O Rei Mongkut está perfeitamente à altura de se exprimir na língua de Shakespeare, o que não aconteceria no reinado de seu irmão Rama III cuja assinatura do Tratado, foi malograda e numa altura que o monarca se encontrava mal de saúde.
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Rei Mongkut durante os seus 26 anos no templo budista e dado ao seu desenvolvimento no interesse em aprender línguas estrangeiras, efectuou extensivas peregrinações pelo território siamês. 
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É o primeiro membro da família real siamesa que possui os mais vastos conhecimentos das necessidades e obsoletas, práticas de governação, existentes no reino e das necessidades, carentes, dos seus súbditos.

No seu reinado trava correspondência com importantes personalidades mundiais em perfeito inglês onde se contam:
- Franklin Pierce – Presidente dos Estados Unidos
- Rainha Vitória
- Presidente Buchanan
- Papa Santus IX
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O rei Mongkut é um humanista (humanismo que transmite a seu filho o Rei Chulalongkorn) e durante as cerimónias de sua coroação concede audiências aos estrangeiros residentes; aboliu a prática dos siameses fecharem as portas e janelas, de suas casas, quando o Rei passava nas ruas. Hábito, feudal, que teria sido copiado da China. 
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Mas além da liberdade das janelas e portas se manterem abertas na passagem do monarca é, autorizado aos siameses, pessoalmente, oferecerem presentes ao Rei. Graças a estas abolições o Rei Mongkut ganha a total popularidade entre os siameses e a comunidade estrangeira residente.
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No início do reinado do Rei Mongkut o Governo da Inglaterra apontou o Lorde John Bowring como Governador de Hongkong e confere-lhe a credencial e poderes de procurar levar a cabo um Tratado entre o Reino Unido e o Sião. 
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O Lord Bowring sabe de antemão que o Rei Mongkut fala perfeitamente a língua inglesa é um monarca liberal e antes que as negociações para a concretizaçaõ de um Acordo, trava uma correspondência, pessoal e amistosa com o monarca siamês.
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O Lorde Jhon Bowring, é convidado pelo Rei Mongkut, para uma visita oficial ao Sião e o Tratado é facilmente negociado. Seguido a este Tratado outros se vêm a concretizar entre Governos da Europa e Estados Unidos. 
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Embaixadores siameses, voltam à Europa, depois de um interregno de 200 anos e no reinado do rei Narai e na Corte de França. Lorde Jhon escreveu um livro e refere-se, elogiosamente, ao rei Mongkut nos termos eguintes:
“ o raro e ilustre exemplo de um ilustre monarca; o talento de um Rei, impar, dentro das soberanias de países orientais; cultiva a literatura e o estudo das filosofias das nações ocidentais”
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Rei Mongkut tem o perfeito conhecimento que está ainda muito longe de se equiparar com os seus homólogos ocidentais e, possuir a maneabilidade diplomática que os monarcas da velha Europa bem delas já se serviam para penetrar no Oriente onde havia muito a permutar, especialmente as matérias primas, para alimentar as suas indústrias numa era já muito progressiva dentro da revolução industrial europeia.
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Ao lado do monarca simaês permanecem os poucos que juntos pretendem elevar o Reino do Sião a um novo caminho e se coloque ao lado das grandes nações do Globo. 
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Porém o monarca e dentro dos seus desejos de aumentar as exportações, do Sião, para o exterior a Banguecoque chegam os representatntes dos países com quem o Rei tinha firmado tratados e, não lhe foi fácil o ajustamento aos privilégios que essa gente reclamava numa monarquia de “portas abertas”, comercialmente, ao estrangeiro.
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O Rei Mongkut que nunca viajou ao exterior foi alojando na sua mente todas as informações das personalidades, diplomáticas, que visitavam o Sião e daquelas já residente no Sião sob a sua generosa anfitrialidade. Um Rei que transmite o seu pensamento ao Princípe Herdeiro Chulalongkorn que depois e de quando a sua entronização viria a seguir e colocar na prática as palavras de seu pai que foi um Rei Celestial.
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Debruçando-nos na história antiga e na contemporânia da Tailândia analisamo-la como uma monarquia, impar, dentro de um contexto de várias nações de etnias diferentes no região do Sudeste Asiático desde os anos de 1180 em que os Tais, saiem do estado de nómados e se idenficam como nação soberana. Olhando o percurso dos tais, ao longo de séculos verificamos, justamente, patriotismo e nunca a desunião do Povo.
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Em Aiutaá na proximidade dos 500 anos de bom e salutar relacionamento são os portugueses os primeiros ocidentais a serem acolhidos. A gente humilde lusa não tem vista e nos seus planos práticas conspirativas. 
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Afonso de Albuquerque, que conquista Malaca, não pretende mais nada do Sião que boas relações de amizade e comerciais. O Rei Rama Tibodi II o monarca que recebe, em procissão real, António Miranda de Azevedo em 1512, o enviado especial de Afonso de Albuquerque logo dá conta estar com boa gente.
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Mas voltando à formação de Banguecoque e aos desejos do Rei Mongkut, o monarca pretende criar uma nação similar às da Europa e para isso só os mecanismos ocidentais, dentro do Sião, poderão, levá-lo ao ponto certo e à concretização das suas aspirações
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Contrata e deu emprego a homens ocidentais e americanos no Sião onde entre esta gente à engenheiros, marinheiros, administrativos e dos tribunais para organizarem o sistema judicial, para que para todos os siameses a justiça fosse de igual para igual; entendidos em comunicações e correios, instrutores do exército e da polícia. A todos eles lhe foi concedidas residências ( a construção de pequenos palacetes) e títulos nobres. Algumas desta personalidades, ocidentais, depois das suas comissões de contrato regressaram aos seus países outros optaram ficar, para sempre, no “Reino dos Sorrisos”
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Um jornal já circula, o dinheiro, papel, é imprimido a cunhagem da moeda e substitutidas pelo sistema, antigo, oval e passa ao plano. Construído o edifício da alfândega, junto à margem do Rio Chao Praiá e a uns 200 metros da Feitoria de Portugal. 
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Construção de traço ocidental onde nas suas linhas arquitectónicas estão bem patentes a configuração dos vários palacetes construídos na época e conhecidos por Sino/Portugueses e, do mesmo molde da residência dos chefes de missão da Embaixada de Portugal em Banguecoque, construida depois de meados do século XIX.
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Feitoria de Portugal no princípio do XIX

A “ New Road” (Rua Nova) é construída numa jovem cidade onde a circulação se efectuava navegando pelos canais em pequenas embarcações. Artéria que se estende desde o Grande Palácio, atravessando o área da comunidade chinesa no Sampeng (o pulmão e a alavanca comercial dessa altura e ainda de hoje), e segue junto à margem do Chao Praiá por vários quilómetros onde pouco depois casas de comércio são construídas, consulados, hoteis e surge o tráfico rodoviário: carruagens em cima de carris, puxados a cavalos e não tardam que os automóveis se movimentem nessa artéria.
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A cidade de Banguecoque na era do Rei Mongkut tem já uma comunidade estrangeira significativa e, aonde já se fala a língua latina, a inglesa e a francesa.
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Entre todas as mais popular é a portuguesa e, os tratados, uma das exigências da corte, é que nas redacções deve figura uma na língua de Camões. A comunidade portuguesa era composta de nativos, luso/tailandeses e de macaenses. 
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Viviam dos seus serviços prestados a outrem e os macaenses, gente já bem instruída para a época expressando-se nas línguas: inglesa, portuguesa , tailandesa e serviram, com mérito, como interpretes nas empresas estrangeiras estabelecidas ou na Corte do Rei Mongkut. Depois há também os “protegidos” da Feitoria de Portugal, que nada tinham a ver com o sangue ou descendência lusa.
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(1)Terreno doado a Portugal pelo Rei Rama II , jardim e residência do Embaixador. (2)Actual Chancelaria, um armazem alugada à firma, alemã, Benh, Meyer & Cº.Ltd (3) Sala de amostras de produtos alemães que ocupava todo o interior do armazem
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Nos registos no Consulado de Portugal não encontramos gente abastada dentro dos lusos/descendentes mas, apenas, viviam, modestamente, do seu trabalho. Igualmente nos seus cadastros consulares não havia registos crimes, de vulto, contra propriedades ou pessoas. 
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Portugal, no reinado do Rei Mongkut está alheado ao desenvolvimento do Sião e, com isso não produz Obra de valor a não ser a mão-de-obra dos operários portugueses (possivelmente alguns arquitectos) que ajudaram a construir as belas casas sino/portuguesas que, ainda, umas poucas pela baixa de Banguecoque têm sobrevivido, heroicamente, ao camartelo demolidor.
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Com a fixação da comunidade estrangeira e a evidente presença de crianças, vindas com os pais e outras nascidas no Sião, preocupava de certo modo os siameses dado que o contacto entre elas (que tudo aprendem e copiam quando juntas) poderia influenciá-las e optarem, no futuro, pela religião cristão. Havia outra razão para os siameses duvidarem isto porque os missionários americanos já ensinavam e educavam nos termos ocidentais nas suas escolas instaladas nas missões.
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O Rei Mongkut, quando se recolheu no templo para se entregar à vida de monge budista, já tinha dois filhos. Durante o seu reinado foram achados já com idade de não aprenderem línguas. Depois de ser entronizado nascem-lhe dois filhos que estão muito crianças para aprenderem outros idiomas. Assim a educação dos dois princípes aguardam até 1862 quando, principalmente o Herdeiro da Corôa o Princípe Chulalongkorn está em idade escolar.
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O Rei Mongkut para educar, com o esmero, o Príncipe Chulalongkorn, futuro Rei do Sião e as crianças residentes no palácio contratou uma professora, inglesa, Anna Leonowens para que eduque o Príncipe Herdeiro dentro dos muros do palácio real, nos termos ocidentais da época. Anna conserva-se desde 1862 a 1867, apenas, uns curtos cinco anos na corte, tempo que não foi suficiente para o príncipe aprender com perfeição a língua inglesa e viria a completar esse ensinamente com o Pai.
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Anna Leonowens, uma brilhante novelista e com a arrogância “vitoriana”, depois da sua permanência na Corte do Sião e residir entre-muros do palácio real, escreveu duas novelas e publicadas em Nova Iorque: “The English Governess at the Siamese Court” (em 1870) e “The Romance of the Haren” (em 1873). O inserido nestas novelas que não correspondem à realidade de que como era a vida no palácio do rei Mongkut.
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A escritora, novelista, procurou dentro de meras fantasias da sua mente, que passa ao papel, o fazer impressionar os leitores, americanos, que poucos conheciam relacionado com o Reino do Sião. 
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Os livros tornam-se “best-sellers”, passam à Europa e em 1946 é rodada uma grande metragem, musical, cujos protagonistas sao: Deborah Kerr e Yul Brynner, cuja exibição esgota salas de espectáculos pelo mundo. Porém, apesar, da não veracidade das novelas contadas pela Anna, elas contribuiram para que a Tailândia fosse conhecida no Mundo.
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Sua Majestade o Rei Mongkut foi um monarca de enorme grandeza!
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Graças à sua inteligência e aos dotes de maniabilidade diplomática conseguiu reger a sua corte contra a cobiça estrangeira de colonizar o Sião. O Príncipe Herdeiro o Rei Chulalongkorn seguiu os passos de seu Pai; foi durante o seu reinado, de 42 anos, que o Reino do Sião atingiu o auge da modernização graças ao Grande Rei que foi “Mongkut Rei do Sião”.
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Um Reino que passou a denominar-se Tailândia e em 2004 sob a benção de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej (bisneto do Rei Mongkut) o Reino da Tailândia não pára de crescer, económicamente; em harmonia que o coloca entre os paises modernos do Mundo. Por vezes vozes “maldizentes” atingem a Tailândia cujas estas por quém sejam sopradas, ao vento, não têm feito a mínima “mossa”.
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O Lorde Buda abençoa a Tailândia “Terra Livre” , tolerante e de boa gente.
José Martins/2004
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Fontes informativas: minhas da longa vivência na Tailândia e como guia cronológica: “The Introduction of Western Culture in Siam” por S. A. O Príncipe Damrong, folhas escritas e proferidas numa conferência em 7 de Agosto de 1925 “United Club” em Banguecoque. Fotografias do meu arquivo, particular, copiadas de diversas obras que fui adquirindo ao longo de muitos anos.