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sexta-feira, 19 de julho de 2013

MEMÓRIAS: "GRADUAÇAO DE MINHA FILHA MARIA"

Saturday, 11 July 2009


HOJE É O MEU DIA!

É, uma satisfação enorme, para os pais que vêm um filho ou filha atingir suas licenciaturas e preparados para a vida futura.
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Minha filha Maria Martins, aos 23 anos, obteve, hoje, a licenciatura, pela prestigiosa Universidade de Chulalongkorn em Banguecoque em “Novas Tecnologias de Comunicação” , em língua inglesa.
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Foi a primeira lusa tailandesa, em toda a história de Portugal na Tailândia, de quase 500 anos, obter este diploma.
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A cerimónia de entrega de diplomas foi presidida
pela Princesa Real Sua Alteza a Princesa Maha Chakri Sirondhorn, na referida universidade, que neste momento ainda está a decorrer no Salão Nobre com grande pompa.
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Maria Martins, começou a sua educação aos 5 anos de idade em infantário, aos 7 foi matriculada na “International Community School” de Banguecoque, terminando os seus estudos secundários aos 18 anos, sen
do nesta altura matriculada no primeiro curso, em toda a história da Universidade de Chulalongkorn, em língua inglesa, sendo seleccionada, entre 3.000 candidadtos, para 90 vagas, classificando-se em 43 lugar.
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Durante os quatro anos de falculdade nunca perdeu uma disciplina. Nunca perdeu o sentido de gostar de Portugal e por anos seguidos, durante as festas de escola envergou um traje de minhota (ganhou dois prémios pelo vestido mais bonito) e apresentou-se sempre com a bandeira portuguesa na inauguração das festa.-Em 1990, nas mesma universidade onde hoje obteve a sua licenciatura, abriu um cortejo (quando dez reis de gente), vestida de minhota pela mão de uma estudante de português, tailandesa, com o mesmo traje, para a divulgação de línguas estrangeiras.
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Durante a minha permanência neste país, não poderia aqui deixar em branco, que procurei no meu melhor servir Portugal e a Tailândia, contribuindo para a divulgação dos dois velhos aliados, cuja amizade remonta desde 1511. Se fui ou não reconhecido, por quem deveria ser, pouco me interessa nunca esperei pelas “migalhas” da mesa dos outros.
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Mas sinto-me orgulhoso pelo aquilo que haja feito e ainda o muito irei fazer e mais ainda preparei uma filha que fará como Pai o seu melhor para o seguir e contribuir para uma Tailândia moderna e progessiva.
José Martins

quinta-feira, 18 de julho de 2013

MEMÓRIAS - CASAMENTO ELEGANTE EM BANGUECOQUE

 

CASAMENTO
de
Soraya Simsiri e Moubere Lorasae

Moubere Lorasae Da Silva Horta, filho de Drª Ana Pessoa e do Prof. Ramos Horta,  Prémio Nobel  da Paz, em 1996 , casou-se com a jovem e formosa  tailandesa, Soraya Simsiri, filha da Srª Araya Simsri e do Sr. Apisit Simsiri, alto funcionário do Ministério da Agricultura  da Tailândia, em 29 de Agosto de 2004, no Hotel Sofitel na capital tailandesa.


Moubere, a Mãe e a Irmã Tatianan      Lindas tailandesas transportam oferendas.

Os nubentes tiveram como padrinhos o Dr. Thaksin Shinawatra, Primeiro Ministro, do Governo da Tailândia e esposa “Khunying” (condecoração honorífica atribuído às senhoras, tailandesas, que se  distinguiram em obras e acções em prol da monarquia) Potjama Shinawatra; Dr. Mari Alkatiri, Primeiro Ministro de Timor-Leste e esposa Drª Marina Alkatiri.


General Chaovalit Yongchaiyudh Vice-Primeiro Ministro do Governo da Tailândia aguarda Moubere e sua Mãe Dr. Ana Pessoa, Ministra da Justiça de Timor-Leste.

A celebração foi sob a tradição da união matrimonial na Tailândia, de rara e impar  beleza que fascina todos aqueles que tiverem a felicidade de seguir, o cerimonial, do príncipio até ao final.


Moubere espera pela futura  esposa Soraya Sua Mãe, Ana Pessoa e o General Chavalit sentam-se nos lugares de honra no palco onde vai decorrer dentro de momentos a primeira celebração do casamento.

No dia 26, pela manhã, ainda o sol não tinha despertado no horizonte, já o pessoal encarregado da decoração e dos arranjos florais do Hotel Sofitel Central Plaza, se movimentada de sala para sala transportando os apetrechos que não tardaria a dar aos dois espaços requintada decoração e onde num, por volta das 9 horas, Moubere Lorasae, iria receber a sua futura esposa a Soraya Simsri.


Fotógrafos dos jornais e revistas em procura do melhor ângulo para a captação da  imagem. (X) Maria Martins, minha filha, debuta na reportagem fotográfica. As fotos desta peça são de sua autoria


Ramos de flores de toda a espécie e cores cheias de frescura e nas pétalas, ainda, gotículas da orvalhada noturna se mantinham. A rainha de todas eram  as orquídias que só a Tailândia as produz, com  requinte, nos seus jardins suspensos, por todo o país  a lembrar os babilónicos da minha imaginação.



Altas indivualidades do Governo e da sociedade tailandesa presentes. General Chavalit entrega as alianças a Moubere


Seis menos e um quarto da manhã, eu e minha filha Maria, saimos de casa de máquinas fotográficas, prontas a disparar e  colher em imagens todos os momentos da celebração de um casamento onde o noivo era “farangue” (nome dado aos estrangeiros na Tailândia); filho do Prof. Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz em 1996; uma proeminente figura, sobejamente, conhecida nos círculos internacionais; um lutador incansável para que Timor-Leste e o seu Povo se identificasse como nação livre e soberana.



Os noivos colocam as alianças nos dedos    Depois da cerimónia abençoados pela mãe de Moubere


Moubere acompanhado de sua mãe e a irmã Tatianan seguiam à frente da procissão que saiu de uma pequena sala, adjacente ao “lobby”, do Sofitel onde foram preparados todos os ornamentos: as prendas que seriam depois entregues por Moubere a Soraya.


À entrada do grande salão  “Vibhavadee Ballroom” esperava  o cortejo o  General Chaovalit Yongchaiyudh, altas individualidades, tailandesas,  da vida política e social, onde se contavam muitas senhoras e membros da “Thai-East Timor Cultural and Economic Cooperation Association” (TECECA) que organizaram, impecávelmente,  a celebração do casamento de Moubere e Soraya.





 Emblema da Ass. Cultural Cooperação e Económica Tai-Timor Leste  “The Nation” inseria na 1ª página o evento mtrimonial


O Presidente da “Thai-East Timor Cultural and Economic Cooperation”, vocacionada para a ajuda e desenvolvimento de Timor-Leste, General Chaovalit, personalidade que ao longo de muitos anos tem feito parte de vários executivos do Governo da Tailândia e já assumiu, por quatro anos, o alto cargo: “Comandante em Chefe das Forças Armadas da Tailândia”.


Foto de família                                Expressão de ternurae felicidade  entre  Soraya e Moubere.


Fotógrafos de revistas do “coração” dos  jornais diários, banguecoquianos, colocavam-se em lugares onde podessem captar o melhor “boneco” da cerimónia nupcial. 


O importante matutino de Banguecoque “The Nation” na edição de 29 noticiava, na primeira página, com fotografia dos noivos: “Wedding ties Thais to East Timorese” ( Casamento que estreita as relações dos Tailandeses com os Leste Timorenses).




Depois da primeira cerimónia de apresentação e compromisso de casamento do Moubere à  Soraya e esta  ter recebido as prendas do seu futuro marido, receberem a bênção dos seus pais; as várias fotos de “familia” onde todos se querem juntar para colocar nos albuns a foto do casamento e recordarem o matrimónio de duas pessoas de diferentes nacionalidades e religiões que ali unem as suas vidas numa só.

O Prof. Ramos Horta, pai de Moubere, não esteve presente à primeira cerimónia, dado à sua actividade e compromissos, agendados. na qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste.  

(A seguir 2ª parte)

José Martins/2004

Fotos: Maria Martins



CASAMENTO
de
Soraya Simsiri e Moubere Lorasae


No viver das gentes tailandesas depois do nascimento de uma pessoa o facto mais importante de suas vidas é o casamento. A união pode ser celebrada numa aldeia rural, parte remota, numa vila ou num hotel e genericamente todas têm o mesmo estilo das tradições tailandesas.



Manhã “cedinho” o pessoal do Sofitel decora a sala onde vai ser realizada a  Grande festa
Fernando e Estela Ferreira amigos de longa data do Prof. Ramos Horta vieram da Austrália


As cerimónias obedecem aos ritos seculares da monarquia e, apesar de os noivos receberem a bênção pelos monges budistas, durante o evento, são multirraciais e não existe quaisquer segregação ou impedimento de que se os nubentes forem de credo diferentes (estamos, perante um Moubere Lorasae que professa a religião católica e a Soraya Simsiri a budista).


A tolerância, a harmonização, a meditação e a não violência são os pilares, fundamentais, do Budismo e isto nos transmite o olhar de  doçura das imagens “míticas” em redor de todos os milhares de templos que por todo este mundo de verdura que é a Tailândia tenham sido implantados desde os  tempos imemoriais. 


Os casamentos tailandeses, desde há meia dúzia de anos, voltaram em moda para casais de várias nacionalidades que mesmo depois de já unidos  (alguns com muitos anos de vida em comum) viajam até aos “País dos Sorrisos”, para uma experiência inolvidável que lhes dará o dom de se amaram mais. 


Existem hoteis, em Banguecoque, que por marcação realizam estas uniãos a preços acessíveis a todas as bolsas. Para os interessados alvitramos a consulta ao website: www.thailandlife.com/wedding/



Os pais e  os  noivos durante o assento do casamento pelos funcionários do registo dos matrimónios. Depois do assento a foto com com os padrinhos P.M. DE Timor-Leste Mari e Marina Alcatiri


O mês do ano, preferido, para a festa nupcial é o de Agosto. Assim, durante este mês, é corrente, observarem-se casamentos por toda a Tailândia. A união de Moubere e Soraya não fugiu à regra do mês e escolhidos os dias 26 e 29.



Depois de assinada a união a foto com amigos e familiares  Fotógrafos em posição de “ataque”!


A data  do casamento dos tailandeses  é um dia muito especial, quer para os noivos ou seus familiares. No Moubere (menos que a Soraya) era bem visível no seu olhar um certo nervosismo, enquanto que o Pai o Prof. Ramos Horta o procurava encobrir, ja a Mãe a Drº. Ana Pessoa o disfarçada com um elegante sorriso que nunca o largou desde o início até ao final das festividades. 


Muita gente, familiares dos noivos e amigos vindos de varios países do globo onde se inlcuem os Estados Unidos, Austrália, Moçambique e outros assistiram à oficialidade do enlace. 



Grinaldas de flores e presentes são oferecidos pela Soraya ao seus padrinhos de Timor Dr. Mari e Marina Alcatari e seus sogros Drª Ana Pessoa e Prof. Ramos Horta


Na manhã de 29 de Agosto o pessoal do hotel preparava a sala, esmeradamente, onde a partir das 9 horas se iria dar lugar a três cerimónias distintas. A primeira seria o lavrar o assento do casamento; a segunda os cânticos de 9 budas e a terceira a bênção das águas lançada nas mãos pelos pais e amigos do novo casal.


Depois da oficializazção do casamento a foto com os amigos
O funcionário que lavrou o assento não esconde a satstação


Os nubentes depois de registados e oficialmente declarados marido e mulher, houve sessão de fotografia em imagens separadas, com os seus pais, padrinhos, os convidados e numa incluiram-se os funcionários  do Registo Civi. 


O Moubere vestia calças preta e “camisão” de seda pura tailandesa de cor vermelha escura, enquanto a Soraya (linda e elegante) trajava saia comprida com o estampado de flores tailandesas de cor verde e blusa branca. 



Umas belezas  vindas  de Timor!
Soraya e Moubere acendem as velas do altar antes dos cânticos dos monges


Finalizada a cerimónia oficial do assento e a sessão de fotografias entram na sala nove monges que durante uma hora cantarão um sermão, budista, para cimentar a união, doravante, de Moubere e Soraya.


Depois de os monges tomarem lugar, perfilados, de pernas cruzadas num  estrado erguido a cerca de meio metro do chão, o monge principal, junto ao altar, desnovela um novelo de fio branco que corre pelas mãos de todos os religiosos, budistas, até ao último, cujo novelo, depois  é depositado num vaso, atoalhado, de cerâmica e  se  conserva, o fio, entre as mãos dos monges,  até ao fim da reza cantada que demora cerca de uma hora.


Antes que os cânticos, budistas,  se iníciem a Soraya e o Moubere, com as suas mãos seguram um castiçal de metal com uma vela acesa e de joelhos acendem as do altar.


De trás suas costas os monges, colocam “abanadores”, de diversas cores e com as insígnias do grau hierárquico, religioso a que o monge, dentro do patriarcado, está classificado. 


Entretanto os monges para a celebração dos casamentos são permanentemente residentes nos templos e não temporários já que que na tradição tailandesa todo o homem  tem que, pelo menos,  uma vez na vida, vestir o robe de monge e conservar-se durante três meses num templo. Período que pode ser reduzido para menos tempo.



   O cântico, da felicidade,dos monges
Após a cerimónia Soraya e Moubere oferecem comida aos monges


Os cânticos terminados Soraya e Moubere oferecem aos presentes aos monges, para levarem para o templo, compostos de velas e paramentos necessários à manutenção desses espaços de serenidade. 

Seguidamente servem-lhes comida para lhes confortar o estômago e apagar o jejum. Numa sala ao lado, em várias mesas, tinham sido colocadas finas iguarias de comida tailandesa para o almoço dos presentes às duas cerimónias já realizadas naquela manhã.



O Primeiro Ministro de Timor-Leste Dr.Mari Alcatiri apreciando  de perto uma fina iguaria tailandesa Moubere e Soraya preparam-se para a bênção da água que está preste a começar


Depois do almoço os monges retiram-se, para os templos. Mas,  na mesma  sala, outra cerimónia iria ter lugar que é a bênção das águas. 


A água que é o símbolo da fertilidade da Tailândia! Ela está sempre presente em todos os factos da vida, seja em  cerimónias ou no decorrer das festividades do Ano Novo, Songkran, onde no país de norte ao sul as pessoas se saudam borrifando-se, umas às outras, com água.



A concha da bênção das águas     O padrinho Dr. Mari Alcatiri abençoa o afilhado Moubere


Uma concha decorada vai servir para verter água nas mãos dos nubentes.Formou-uma longa fila onde os assistentes à cerimónia, solene, do casamento se mantiveram do príncipo ao fim e, começou a bênção da água. 


A  primeira vez pertenceu aos padrinhos vindos de Timor-Leste, em seguida os pais e depois os cerca de 100 convidados. Demorou a bênção uma hora.  Outra festa e a grande recepção seria para o fim da tarde às 18:30.                                                                                  


                       Dra. Ana Pessoa e o Prof. Ramos Horta abençoam com água seu filho Moubere e nora Soraya

Perfil de Moubere Lorasae da Silva Horta


Nasceu em Moçambique a 26 de Novembro de 1978 na cidade do Maputo. Fez na capital moçambicana o ensino primário elementar. Frequentou e terminou o ensino secondário numa escola privada na mesma cidade. 


Parte de sua vida foi em Moçambique até que obteve o prémio de  uma bolsa de estudo para frequentar a Universidade de Sidney na Austrália no ano de 2000 onde obteve a licenciatura em bacharel. 


Viveu em Moçambique com sua Mãe, Drª Ana Pessoa, lusa timorense que Moubere afirma: “ durante o meu crescimento minha mãe, educou-me na forma que eu viesse a ser na minha vida adulta um homem honesto” .



Os amigos vindos da Asutrália Fernando e Estela Ferreira, lançam a água nas mãos do jovem casal


Durante a sua permanência  em Moçambique e já nos seus verdes anos conhece o drama com que o Povo timorense se debate para sair da ocupação, da opressão e carência com que as gentes se debatiam para alcançar a independência e com isto a liberdade. 


Colaborou com o seu padrinho, do casamento, hoje o Primeiro Ministro de Timor-Leste, Dr. Mari Alcatiri, (conforme o afirma com modesta ajuda) dentro de suas possibilidades para a concretização da autodeterminação dos timorenses  que viria acontecer em 20 de Maio de 2002.  



                A vez dos amigos vindos de Moçambique  Maria de Lourdes Araújo e o Arquit. Mário António Rosário


Em certas ocasiões viajou de Moçambique para a Europa e Austrália e fazendo parte das várias delegações da “Resistência de Timor-Leste” que incansávelmente e constantemente se movimentava pelas  nações do mundo para que lhes ouvissem a voz da Liberdade. Diz ainda Moubere que era o “mascote” (dado à sua idade) da delegação.


De seu Pai o Prof. Ramos Horta (Prémio Nobel da Paz em 1996), o Mestre que Moubere considera, recebeu a doutrinação, cujo esta tem contribuído para lhe moldar a  sua sabedoria e a  personalidade. Em Moçambique,regularmente, contribuiu com o voluntariado com a Cruz Vermelha.

É graduado pela Universidade de Sydney com honras de grau de distinção no curso de relações internacionais. Nos tempos livres Moubere e quando as finanças lhe permitem aprecia fumar um charuto de boa qualidade e ler um livro de um bom autor. 

 Os seus escritores preferidos:

Thucydides “The Peloponnesian War”;  Sun Tzu “ The Arte of War”;  Paul Kenedy “The Making of Strategy; Murray S. “Rullers,State,and War”; Adam Smith “ The Wealth of Nations”.


Nas suas expectativas futuras está a oportunidade de viajar aos Estados Unidos ou Reino Unido e obter o “Master Degree” em estratégia e defesa militar e voltar a Timor-Leste, transmitir os ensinamentos obtidos e ajudar a reconstruir o seu país.



Os Pais de Moubere felizes
Foto de família: os pais do noivos e os padrinhos Dr.Mari e Marina Alcatiri

Moubere conheceu  a sua esposa Soraya de 27 anos na Austrália de quando alunos universitários. A seta do cupido feriu os seus corações e, como um conto de fadas desde logo se apaixonaram. 


Soraya asim declarou ao matutino “The Nation”: “só mais tarde e já dentro deles o projecto de vida conjunta,  viria a ter conhecimento que  Moubere Lorasae  era filho do laureado com o “Prémio Nobel da Paz” o Prof. Ramos Horta”. 


José Martins/2004 (segue a 3ª e última parte)

Fotos: Maria Martins

 

CASAMENTO
de
Soraya Simsiri e Moubere Lorasae

Manhã bastante ocupada com os três eventos  realizados e notava-se algum cansaço, motivado, pelo cerimonial, nos rostos de Soraya e Moubere.


Umas horas de descanso daria para o casal  recuperar  forças para  a grande recepção, protocolar, que consistia a sua apresentação à sociedade tailandesa e diplomática acreditada em Banguecoque,  agendada  para as seis meia da tarde e que iria tomar lugar em três grandes salões, decorados para o efeito, no rês-do-chão do luxuoso Hotel Sofitel Central Plaza.



Moubere e Soraya aguardam os convidados para os cumprimentos e a foto da “praxe”


Antes da grande cerimónia ter início movimentei-me pelo “lobby” do hotel e de tempos a tempos fui observando como seguiam os preparativos dentro dos três espaços.


Centenas talvez milhares de flores iam sendo colocadas nas entradas, numa pequena “sala” (sala é uma palavra portuguesa deixada na Tailândia e dado a  um espaço, em losango, com cerca de uns 4m2 e  serve para decorar jardins e para as pessoas ali se sentarem), em todos os cantos e no centro do grande salão. 


Aqui foi colocado um coração esculpido em gelo e colocado em cima de um lago onde um repuxo, artificial, esguichava  água, levemente, em leque. 



O Embaixador de Portugal em Banguecoque,Lima Pimentel e o casal Ferreira da Austrália entre os primeiros a deixar suas assinaturas no Livro de Honra


Os técnicos davam o último acerto à projecção de luzes e a sintonização do som. Crianças, artistas, no palco ensaiavam os números que durante o percurso da festa viriam a extasiar os convidados da excelente e bem encenada  actuação.  O sexteto da Banda da Marinha Real Tailandesa, que abrilhantou o evento, afinava os seus instrumentos.


Foto de família com a presença do Dr. Thaksin Shinawatra Primeiro-Ministro da Tailândia  Embaixadore de Portugal Lima Pimentel, da Delegação da UE em Banguecoque e o  Director do ESCAP (Nações Unidas)


Antes do início da grande festa de apresentação dos noivos aos convidados, muitos dos cerca dos quinhentos previstos, começavam a chegar ao “lobby” do Sofitel pelas seis da tarde. 


À entrada do salão foi colocada uma mesa, em cima livros de honra para que os convidados ali escrevessem os seus nomes e, depois,  em caixas de cartão em forma de corações e  de cor rosa,  para que neles fossem depositados os cartões de visitas.


Os noivos, com pontualidade, chegaram às seis e meia e foram colocar-se em frente de um espaço, em meia-lua cuja a rectaguarda estava decorada com motivos florais e plantas de estufa nas extremidades



O Primeiro-Ministro Dr. Thaksin Shinawatra na companhia do seu homólogo de Timor-Leste cumprimenta os convidados


Dezenas de pessoas colocam-se em fila para que lhes chega a vez de assinar o Livro de Honra. Temos, entre, as primeiras o Embaixador de Portugal em Banguecoque, Lima Pimentel e o casal: Estela e Fernando Ferreira, director-geral  do grupo de empresas “Wideform” e “Sunrise Living” www.wideform.com.au e www.sunriseliving.com.au  , classificado, entre os 400 de  maior dimensão da Austrália.


Cerca das sete horas chegou o Primeiro Ministro da Tailândia Dr. Thaksin Shinawatra, (também padrinho, dos noivos e pelo lado da Soraya Simsiri), que depois das felicitações, nupciais, aos seus afilhados, os pais dos noivos, Drª Ana Pessoa, Prof. Ramos Horta, Sr. e Srª  Apisit e Araya Simsiri e Drª Marina e Dr. Mari Alcatiri colocaram-se à disposição dos fotógrafos e operadores de câmara de televisão para a foto de família.


Os dois Primeiro-Ministros da Tailândia e Timor-Leste no uso da palavra


Calculamos que mais de 500 pessoas se encontra espalhadas pelo salão que formam uma ala por onde os dois Primeiros Ministros da Tailândia e de Timor, na companhia de Soraya e Moubere, vão passar e, no percurso vai cumprimentando os convidados com um aperto de mão ou um sorriso franco.



Soraya e Moubere cortam o bolo de noivos  e oferecem uma fatia ao padrinho Dr. Thaksin Shinawatr

Junto ao palco do lado esquerdo sentam-se os Primeiros Ministros (os padrinhos) e os noivos e do lado direito os pais dos nubentes. Houve breves discursos proferidos pelo Dr. Thaksin Shinawatra e Dr. Maria Alcatiri que depois de saudarem os seus afilhados Soraya e Moubere  não foram esquecidas  as excelentes relações existentes entre a Tailândia e Timor-Leste.



A fatia oferecida aos pais da noiva enquanto o Prof.Ramos Horta observa


Subiaram ao palco os noivos  e seus pais para a foto de família. Entretanto num ecran é depois passado um vídío onde em imagens é traçada a biografia de Soraya e de Moubere desde suas infância até ao romance de amor entre os dois que acabara, ali, de ser concretrizado o sonho em casamento.



A fatia do bolo para os pais de Moubere

O bolo de noivos, gigante,  foi colocado num  palanque  onde os noivos subiram, pelas escadas; cortaram as primeiras fatias para oferecerem, de joelhos, aos padrinhos e seus pais.



Um espectáculo lindissíssmo interpretado por gente de palmo e meio

A festa terminou com um raro espectáculo de dança interpretado por crianças de palmo e meio que se exibiram como gente grande!

José Martins/04

Fotografia: Maria Martins






À Margem

As voltas que o Mundo dá!

Certamente que o Prof. Ramos Horta, em 3  de Julho de 1994, não imaginava que dez anos depois um filho seu, Moubere Lorasae Da Silva Horta se viria a casar com Soraya Simsiri de nacionalidade tailandesa.

E, que, as relações entre Timor-Leste e a Tailândia atingissem um, estreitamento, de salutar de amizade e cooperação

Em princípio de Julho de 1994 o Prof. Ramos Horta era o homem mais desejado pelas autoridades tailandesas, não para o deterem atrás de” grades”, mas para o fazer retornar ao ponto de partida. Conheci nessa altura o Prof. Ramos Horta e, foi na ocasião que entrava num espaço onde exercía as minha funções. 


Fotos inéditas, nunca publicadas e de quando o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alkatiri estavam fora das vistas das autoridades, tailandesas,  para os deportar de Banguecoque em 1994.


Trajava calças e blusão “jeans” e carregava um saco numa das mãos. No mesmo instante pergunto-lhe: é o Dr. Ramos Horta?

Sou, respondeu-me

Passado cerca de uma hora, mais ou menos, recebi uma chamada do Dr. Mari Alcatari que se encontrava  hospedado no “Hotel Manorá” e a  uns mil metros, do meu local, a perguntar-lhe qual o caminho que deveria tomar para se juntar ao Prof. Ramos Horta. Passado uma meia hora estavam os dois, juntos, acolhidos num abrigo que mão caridosa lhes franqueou.


Duas expressões do Prof. Ramos Horta em 1994.

As ONG’s tinham várias reuniões agendadas em Banguecoque e aonde deveria ser debatida a violação do Direitos do Homem, em países da Ásia e mais, acentuadamente, em cima das violaçãoes levadas a cabo pelo SLORC ( Birmânia) e a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia.

Embora, eu, não tenha estado em nenhum desses encontros ,  julgo, porém, que todos foram boicotados, mesmo que tivessem sido agendados para desoras da noite.

Estava marcada a reunião  “The Asean Ministers Meeting” de 22 a 28 de Julho, em Banguecoque no hotel Shangri-La. Altura própria para que houvessem reuniões, manifestações, simbólicas, em frente do” Shangri-La” para que fizesse alertar a consciência mundial, através da comunicação escrita e visual, acerca das “violações” que estavam acontecer na Birmânia, Timor-Leste e, em outros, países da Ásia e do globo.


“Poster” anunciante da cimeira “The Asean Ministers Meeting”

Na cimeira participariam os Ministros dos Negócios Estrangeiros:  Abdullah Badawi (Malásia); Roberto R. Romulo (Filipinas); Shunmugam Jayakumar (Singapura); Prsaong Soonsiri (Tailândia);  PrincípeHaji Mohamed Bolkiah (Brunei); Ali Alatas (Indonesia) e o Secretário-Geral da ASEAN, General Ajit Singh.

Mas não era só, entretanto,  o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri, os dois únicos, que estavam na mira e “lista negra” dos que deveriam ser deportados pelas autoridades tailandesas. 


O Prof. Ramos Horta presidindo a” Conferência dos Dreitos Humanos” na “Association for the Promotion of the Status of Women” ( Associação para a Promoção do Estatuto das Mulheres” no dia 22.07.1994. Foto “Bangkok Post” 

Havia mais e alguns foram mesmo colocados no avião no  aeroporto de Don Muang e de volta a casa. Entre esses:Margherita Tracanelli, (australiana/italiana) Frank Coorey (australiano)  e Lito Ocampo  (filipino)

Porém as autoridades tailandesas não detiveram ninguém e usaram a moderação.

Jornalistas portugueses não havia em Banguecoque e foi através de umas peças que enviei, para a Rádio Renascença, directas pelo telefone com a gravação da voz do Prof. Ramos Horta que a TDM (televisão) de Macau que enviou a Banguecoque a jornalista Isabel Meneses e um operador de câmara.

Porém a comunicação social de Banguecoque deu mais destaque à presença  das  ONG’s (Organizações não Governamentais) do que ao desenvolvimento da cimeira “The Asean Ministers  Meeting”. 

Estando o Prof. Ramos Horta privado de se apresentar em público e, com isso os seus movimentos tolhidos ( para que a sua voz não fosse ouvida), mão amiga de uma senhora portuguesa lhe franqueou o seu apartmento, numa avenida principal de Banguecoque e, altas horas da noite o Prof. Ramos Horta deu  uma entrevista que acabou  por ser “cacha” jornalista, o genérico com  honras da primeira página e, na secção “FOCUS” do matutino “The Nation”  a entrevista foi publicada com várias fotos, onde se incluiam de Timor-Leste.

Em destaque e numa passagem da entrevista o Prof. Ramos Horta:

“Many of the places where I spent my childood no longer existe. These places which I know like my own hands were entirely wiped out by the Indonesian Army” ( Em muitos lugares (Timor-Leste) eu passei a minha meninice há muito deixaram de existir. Esses lugares que eu conheço como as minhas mãos foram varridos pelo exército indonésio”

No dia 22, um domingo (cerca da uma hora da tarde) de Julho, encontrei-me com o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri no local onde estava abrigados. Durante essa tarde iria ser realizada uma conferência de imprensa da ONGs, nas imediações do aeroporto internacional de Banguecoque,  e o Prof. Ramos Horta convidado para a presidir.

Entretanto aproveitei o tempo de espera, que chegasse a  jornalista Isabel Meneses da TDM, e pedi mais uma entrevista, gravada, ao Prof. Ramos Horta que seria para juntar a outra que me daria depois da conferência e enviar pelo telefone para a Renascença.

Acontece que depois da gravação vou testar o som e, nada de nada tinha ficado gravado....

O gravador “atraiçou-me”

Um falhanço jornalístico...sem estar com meias medidas e, com tamanha entrevista perdida projectei, violentamente, o gravador contra uma parede que óbviamente, ficou em pedaços... vi então o Prof. Ramos Horta e  o Dr. Mari Alcatiri olharem-se,  surpreendidos,  perante a minha atitude.

Respondi: “pode lá ser  perder-se  uma peça destas”?

Sai de imediato e fui adquirir outro gravador, ali, perto e repetidas a palavras do Prof. Ramos Horta.

Partimos para o local da conferência de imprensa. Á frente segui eu, guiando o meu “velho” Volvo,  a Isabel Meneses e o operador de câmara. Atrás o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri num carro Mercedes guiado po um motorista de uniforme branco. Nenhum de nós sabia aonde era o local. A Isabel Meneses já lá tinha estado, na noite anterior, mas “baralhou-se” do sitio e só me dizia: é  junto ao hotel do aeroporto.

Acontece que eu já tinha morado uns anos a um quilómetro do hotel e, numa altura que nas redondezas, ainda, havia campos de arroz por onde, eu,  de quando em quanto metia o “nariz” do Volvo entre os caminhos estreitos,  d a zona, alagadiça, de arrozais e, lembrei-me que já tinha visto um edifício, meio escondido, entre frondosas mangueiras e, que deveria ser naquele que a conferência deveria ter lugar.

Chegados ao local uma legião de jornalistas, locais, correspondentes estrangeiros e operadores de câmara aguardavam o Prof. Ramos Horta nas escadas do edifício da “Associação para a Promoção do Estatuto das Mulheres” e, de rompante, aquela gente cercou o meu carro e os operadores de câmara com estas em “riste” para captar as imagens.

Respondi ao grupo de braços abertos: “not me,not me!!! Ramos Horta’s back in another car e, indiquei-lhes  o Mercede.

A conferência foi um sucesso, com dezenas de pessoas e jornalistas presentes e que viria obter larga repercussão na imprensa local e internacional.

Ao fim da tarde o Prof. Ramos Horta e Dr. Mari Alcatiri partiram para o aeroporto onde agentes da autoridade os aguardavam não para os deter mas sim, as honras de os conduzir à Sala VIP do aeroporto de onde dali seguiriam os seus itinerários programados.

No entanto um dos agentes transmitiu ao Prof. Ramos Horta que o admirava pela sua luta em favor da auto-determinação do Povo leste-timorense.


José Martins/04