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sexta-feira, 12 de julho de 2013

PIANISTA PORTUGUÊS ACTUOU, 2003, EM BANGUECOQUE



PIANISTA PORTUGUÊS EM CONCERTO
Banguecoque - Tailândia

 
José Azevedo de Souza, pianista português, actuou como solista em 12 de Dezembro no Teatro Nacional da Tailândia, em Banguecoque, acompanhado pela “Orquestra Sinfónica Nacional” da Tailândia, conduzida pelo maestro, tailandês, Potavanich, perante uma assistência que preenchia três terços da lotação da mais antiga e selecta casa de espectáculos, da capital tailandesa e construída no princípio do século passado, durante o Reinado de Rama VI ( S.M. o Rei Vajiravudh) para a realização, principalmente, de eventos culturais de raizes siamesas.

 
O concerto de Azevedo de Souza, esteve inserido no programa de actividades culturais realizados em honra de S. M. o Rei Tailândia, Bhumibol Adulyadej, na celebração do seu aniversário, 76 anos ( 5 de Dezembro) e 57 de reinado que o torna o monarca, entres os seus contemporâneos no mundo, com a mais longa intronização.

 
A exibição de Azevedo de Souza na Tailândia teve o patrocínio da “Fundação Oriente”, que durante já vários anos tem contribuído para que artistas portugueses demonstrem a sua arte, em salas de Banguecoque e, entre estes se contam o famoso guitarrista António Chainho e a cantora Marta Dias que há três anos actuaram no “Centro Cultural da Tailândia”.

 
O Embaixador de Portugal João de Lima Pimentel, dado a outros compromissos, agendados, antes do convite lhe fora feito para assistir ao concerto de Azevedo de Souza, representou a Missão Diplomática portuguesa, na capital tailandesa, o diplomata de carreira e o número dois da Embaixada, Jorge Marcos que depois do concerto de música clássica entregou ramos de flores, debaixo dos aplausos do público, ao pianista português, ao compositor Narongrit Dhamabutra e à harpista Eleri Darkins.

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“Curriculum” de Azevedo de Souza:
Nasceu em Banguecoque, na altura em que o pai José de Souza era vice-Cônsul na Embaixada de Portugal em Banguecoque. A sua vocação musical foi uma intuição que lhe surge, naturalmente, em idade de criança. Começou a familiar-se com as teclas do piano aos três anos de idade. 

 
Em 1981, o pai seguindo o conselho de um professor inglês, decidiu inscrever o filho na “Escola de Música Purcell”, em Londres. Em 1985 no “Festival de Música de Londres” ganhou o segundo prémio do certame.
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O Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Dr. Azeredo Perdigão, numa viagem ao Oriente e passagem por Banguecoque, acompanhada de sua esposa Dr.ª Madalena Perdigão e, analisando as aptidões, do jovem, para o mundo da música concede-lhe uma Bolsa e parte, novamente para a Inglaterra no ano de 1986, onde irá aperfeiçoar as aptidões musicais de pianista e compositor.
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Numa curta presença, de férias, em Banguecoque, dá o seu primeiro concerto de piano a solo, no famoso Hotel Oriental, durante um festival de gastronomia portuguesa, em 1987, para um público ligado ao meio musical, artes e letras e diplomacia, acreditada, no Reino da Tailândia. Interpretou Chopin e a sua actuação mereceu a melhor crítica e elogios da imprensa especializada  de Banguecoque, quando a idade do pianista era, apenas, de 18 anos.

 
Regressa de Inglaterra a Banguecoque, em 1990,  com a licenciatura, em “piano forte” e o diploma concedido pelo “Colégio de Música Trinity” e, profissionalmente, inicia a sua carreira musical como professor de piano e compositor.
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De imediato foi convidado para coordenador da “ Orquestra Sinfónica de Banguecoque” onde por dois anos é solista em espectáculos, clássicos, na Tailândia. Durante os seus concertos, na Tailândia, de 1990 a 1993 a crítica foi-lhe sempre favorável. Na capital tailandesa e durante “Festival de Novos Músicos (2001) Azevedo de Souza é achado pela crítica: “Seguro, intuitivo, lírico e muito forte nos sons”.
 
O prestigioso diário “Bangkok Post”:
“Salvou a graça do festival, grande individualismo, inovador e corajoso na construção e conjugação, harmoniosa, dos sons das teclas do piano que esmaga e que denuncia, com transparência, o conteúdo das notas musicais da pauta que umas vezes as transporta ao ouvido de quem as escuta, melodiosas e outras vezes, fortes e arrebatadoras”.
 
Azevedo de Souza, ao longo da sua carreira actuou:
- Gravou para a RTPi para ser difundido mais tarde pelas Comunidades Portuguesas no espalhadas pelo Mundo;
- Gravação de um CD rom de música contemporânea;
- Actuou ao vivo na Radio Europa;
- Em Inglaterra no “ Maidenhead Festival de Música & Dance (2000);
-No Festival Internacional de Artes, Portugal (2000) foi galhardoado com o Diploma de
  Mérito;
- Tardes Musicais do CRS (2001- 2002);
- Festival Internacional e Cursos (2003);
- Festival Internacional de Nova Música de Banguecoque (2001);
- Exibiu-se na Suiça, Nova Zelândia, Alemanha, Filipinas, Bulgária, Bélgica, Checlosváquia, França, Dinamarca, Holanda, Noruega, Espanha, Estados Unidos, Escócia, Japão, Austrália e outros países.
 
Azevedo de Souza além de sua carreira de pianista, brilhante, com residência, fixa em Portugal é professor de piano, em Lisboa e no “Conservatório Regional de Setúbal".
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Casado com Wannaporn, uma jovem bonita e elegante senhora, tailandesa, a exercer funções  de secretária do Embaixador da Tailândia, acreditado, em Portugal.
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Ao Zé de Souza, que conheço desde criança, em Banguecoque, desejo-me as maiores ventures êxitos dentro da carreira de pianista e musical que abraçou.
José Martins
Dezembro/2003

EÇA DE QUEIRÓS TRADUZIDO PARA A LÍNGUA TAILANDESA


A obra, clássica, do imaginário de Eça de Queirós, o “Mandarim” foi traduzida para a língua tailandesa e lançada no dia 30 de Março, na Galeria Nacional, contando com a presença de membros do Corpo Diplomático acreditado em Bangecoque, onde entre este se encontravam os Embaixadores do Brasil;  Director do “Fine Arts Department” da Tailândia, personalidades ligadas ao Ministérios da Cultura, dos Estrangeiros e professores das prestigiosas universidades de Chulangkorn e Tammasat (onde se ensina a língua de Camõe) portugueses, residentes na Tailândia;  membros da comunidade luso/descendentes; alunos de cursos de português e da imprensa tailandesa vocacionada para os assuntos culturais. O número de convidados rondava cerca de uma centena.

Descendente Português do Bairro da Imaculada Conceição, conversa com Embaixador Lima Pimentel e Prof.António Vasconcelos de Saldanha
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De Macau, deslocou-se à capital tailandesa, com a finalidade de assistir ao importante acontecimento, o Prof. Dr. António Vasconcelos de Saldanha, Presidente do IPOR (Instituto Português do Oriente), http://www.ipor.org  , cuja organização, a que preside, patrocinou a primeira edição do “Mandarim”.
 
O Embaixador Lima Pimentel felicita a tradutora Drª.  Pralom Boonrussamee e o revisor Dr. Wirat Siriwatananawin
 
O Embaixador de Portugal Lima de Pimentel depois de saudar os convidados, presentes, num improsivo descreveu a vida de Eça de Queirós como homem, escritor e diplomata em meados do século XIX. Seguiu-se depois a exibição de um vídeo, projectado em “ecran” panorâmico, onde em imagens, os presentes, poderam apreciar, em pormenor, as raizes do escritor; sua vivência como diplomata; de escritor que o eleva a um dos maiores, clássicos,  da literatura portuguesa.

Embaixador Lima Pimentel, num improviso, ilucida os convidados sobre a vida e obra de Eça de Queirós
 
Uma curta palavra de apresentação da presente edição
 O genérico do tema que o Embaixador de Portugal proferiu aos presentes: pela primeira vez uma tradução em língua tailandesa de uma obra de Eça de Queirós.

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José Maria de Eça de Queirós foi um génio da literatura portuguesa. Nasceu em 1845, licenciou-se em direito pela famosa Universidade de Coimbra e, partir de 1866 e até à sua infelizmente prematura morte em 1900, publicou uma série de romances, novelas, contos e colecções de artigos que constituem o principal acervo do período do chamado “realismo literário” em Portugal. 
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O realismo português sofreu forte influência da escola de igual nome em França, embora as duas escolas não se confundam.  Mas Eça de Queirós é sobretudo um individualista, com uma concepção estética humanista muito próprias que transcedem o paradígma do “realismo” e, de facto, fazem dele um escritor “de todas as épocas”. 
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Eça é um artista, crítico e lírico, irónico e apaixonadol, que pretende transmitir uma mensagem de convite à renovação da sociedade, através da apresentação e inter-acção dramática de personagens, que  caracterizam o “mundo português” da sua época, e “sofrem” os seus destinos em enredos que procuram reflectir a realidade de então.

O Conselheiro de Embaixada, Dr. Jorge Marcos, o Presidente do IPOR. Prof.Dr. Vasconcelos de Saldanha, o Representante dos lusos-descendentes escutam a alocução do Embaixador Lima Pimentel
 
“O Mandarim” fui publicado ao longo de 1879 numa edição-folhetim impressa no jornal “Diário de Portugal”. O leitor tailandês não terá dificuldade em reconhecer, lendo a sua obra, o que atrás procuramos expressar: Eça procede a uma crítica social e humana sem contemplações, baseada na percepção que fazia dos efeitos da ambição e do poder da riqueza sobre os seus contemporâneos.

A delegação da Embaixada do Brasil, que inclui o Embaixador Marco António  (segundo do lado esquerdo)
 
Mas o que caracteriza “ O Mandarim”, como obra especial e diferente de outras criações de Eça de Queirós, é o estabelecimento de um nexo entre o mundo do “realismo” e um universo imaginário – ligado a motivos da civilização chinesa – que não prejudica uma clara tipificação de personagens e situações alvos da crítica, mas igualmente incita a entender, passar além e perdoar...

O Embaixador Lima Pimentel ladeado pela tradutora Drª. Pralom Boonrussamee e a Conselheira Cultural Drª Ana Sofia de Carvalho
 
Estou certo de que os nossos amigos tailandeses retirarão momentos de prazer e de bom convite à reflexão da leitura de “O Mandarim”.  

Capa do livro “O Mandarim” de Eça de Queirós traduzido para a língua tailandesa

E que, assim, esta edição  contribuirá para aprofundar o conhecimento da cultura portuguesa na Tailândia e incrementar as relações tão antigas e sempre de espontânea simpatia, que desde 1511 portugueses e tailandeses entre si acarinham. E as minhas sinceras felicitações à tradutora!
 José Martins/2004

quinta-feira, 11 de julho de 2013

2006: PORTUGAL NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA EM BANGUECOQUE


Portugal esteve representado no Festival Internacional de Cinema 2006 de Banguecoque com a grande metragem “ODETE”. 
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O filme transpõe para o ecran uma história  de vida, actual, onde no contexto da mesma deparamos com a homossexualidade,  a obsessão, de dois jovens por um amor que foi, por ano, para um e para outra, imaginário, que já não existe e jaz numa campa rasa no Cemitério do Alto de S.João, em Lisboa. 
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Estamos perante uma história onde nos deparamos com a fantasia; a paixão ardente entre dois homens que se querem e uma rapariga que aspira ser mãe e obtém a negação do namorado com quem compartilha,sob o mesmo tecto,  o seu viver.
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João Pedro Rodrigues, um cineasta de 38 anos, corajosamente, trouxe para a salas de cinema, uma história que embora nela se encontre o impossível da realidade, transmite a mensagem ao público que o amor entre dois homens que se amam, já não é um tabú dentro da sociedade em que vivemos.  

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O filme principia com uma imagem de Pedro e Rui beijando-se, ternamente, junto à entrada de uma discoteca em Lisboa. Namorados há cerca de um ano, trocam alianças e juram amor eterno. Pedro parte enquanto Rui vai dar continuação à ocupação na discoteca onde trabalha. Minutos depois o Rui, liga o seu móvel para o de Pedro e este já não lhe responde.
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Ouve, entretanto, um som que lhe trasmite que algo de anormal e fatídico tinha acontecido ao Pedro. Corre, loucamente, pelo caminho que o Pedro tinha tomado e vai encontrar a viatura “espatifada” de encontro a um muro. 
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Pedro está encharcado de sangue, tenta reanimá-lo, em cima do “capot” do carro; não o consegue e apaga-se sem proferir uma só palavra que seja. 


Rui desesperado, encontra-se só no mundo, desamparado e a esperança de viver esvaída. Numa outra zona da cidade existe Odete, jovem dos arrabaldes de Lisboa que exerce a profissão de “mandarete”, patinador, num supermercado. 
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Como namorado tem o Alberto, um guarda, da superfície comercial. Segue-lhe na alma o desejo de ser mãe e vir a ter um filho do Alberto e pede-lhe para que a engravide. Recebe em troca a negação e depois de uma troca de “palavrões”, por parte da Odete, agredi-o (os dois desnudos), em cima da cama, empurra-o para a porta e atira-lhe com a mala da roupa, para fora do apartamento.

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A pobre da rapariga, humilhada, dentro do seu ser, cria um espaço de ilusões, onde se encerra. A Odete vive, também, o seu dia-a-dia com a obsessão e a esperança de vir a “parir” um filho. Ao chegar ao apartmento, encontra a mãe de Pedro, lavada em lágrimas, a sair para o velório onde filho já se encontrava dentro da urna. 
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A Odete, conhecia, apenas o Pedro de olhares vagos que se resumiam aos de cruzamentos, esporádicos, de entradas e saidas no prédio onde viviam. Repentinamente a Odete tem um impulso sobrenatural, traja de preto e segue o itinerário da inconsolável mãe, já viúva, que caminha para o velório onde o Pedro repousa na urna.  
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A rapariga, depois da recusa de Alberto a engravidar, chora a morte de Pedro e dentro dela nasce uma nova ilusão: o pensar, histéricamente, estar grávida de Pedro. 
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No velório a urna com o amor, necrológio, de Odete está no centro da sala. A um lado sentam-se pessoas, amigas e familiares que foram  prestar as últimas homenagens e o adeus à vida terrena de Pedro. 
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Entre estas está a inconsolável mãe. O avançar da noite faz com que as pessoas fechem os olhos e durmam. Odete chega junto à urna, retira o lenço, bordado, que cobre o rosto de Pedro e beija-o na boca.
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Olha para as suas mãos, sobrepostas, e num dos dedos está aliança, que tinha selado o amor eterno com o Rui. Surrateiramente, não descurando observar se algum presente está acordado e tenta retirar o anel do dedo do defunto. 
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Não o consegue com as mão e fá-lo, com êxito, usando os dentes.
Registam-se, no correr do filme outras cenas dramáticas, que deixa o espectador em “suspense” até ao final da película. 

Da esquerda para a direita: João Pedro Rodrigues,Rui Poças, Ana Cristina (Odete),Nuno Gil (Rui), João Carreira (Pedro), Maria João Sigalho e Rafael Hernande (direcção/imagem)
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Tomadas de imagem dentro do cemitério do Alto de S.João, nocturnas e diurnas, embora, estas, num espaço que podem causar calafrios são compensadas, pelo interesse, do espectador no desfecho da história de uma Odete, imagináriamente, grávida de um Pedro que mal o conhecia e que já não pertence ao número dos vivos.
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João Pedro Rodrigues, inteligentemente, teve a arte de saber manobrar o espectador e transmitir-lhe a mensagem que dentro de cada humano queda-se uma obsessão de “qualquer coisa”, cujo cada qual a preserva, silenciosamente, mas no caso da Odete,assim não aconteceu na sua totalidade... manipulou, um quinhão dessa obsessão, dado que ela sabia que não se encontrava grávida. A negação de Alberto em lhe fazer um filho, feriu o seu instinto de mulher e o desejo de procriar. 

João Pedro Rodrigues, depois da exibição do filme, responde às perguntas que lhe foram colocadas pelos espectadores
Uma Odete que se refugia no mundo de sonhos; de invisibilidade e introduz no seu cérebro um morto/fantasma (que bem poderia, ser vivo) chamado: Pedro.
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Porém, a longa metragem, Odete, merece ser vista e apreciada. Os entendidos, a nível mundial, na sétima arte têm tecido os melhores elogios e criticas de boa referência ao fime de João Pedro Rodrigues.
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Tivemos a oportunidade de contactar, em Banguecoque, com o cineasta e encontramos nele um homem de poucas palavras, alguma timidez quando foi questionado pelos espectadores depois de terem assistido ao seu filme. 
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Dado aos numerosos filmes, simultâneamente exibidos em numerosas salas onde decorria o Festival Internacional de Banguecoque, a sala comportava cerca de 50% dos assentos. 
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Acreditamos sem a menor ponta de dúvida que em exibição, fora do certame, Odete teria um retumbante êxito não só de bilheteira como de  repercussão perante a opinião pública.
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É de realçar que Portugal estivesse representado no Festival Internacional do Filme na capital tailandesa que de ano para ano vai ganhando contornos no mundo do Cinema.
José Martins
P.S. Distribuidora do filme: www.rosafilmes.pt  - E-mail: rosafilmes@esoterica.pt

terça-feira, 9 de julho de 2013

PEDAÇOS DE HISTÓRIA "GAGO COUTINHO E SACADURA CABRAL


Embaixada de Portugal em Banguecoque
Pedaços de história
(Gago Coutinho e Sacadura Cabral)

Gago Coutinho e Sacadura Cabral em 1922 alcançaram o Brasil, por via aérea, pilotando o hidrovião Fairey III-D  “Lusitânia” que fica conhecida a “Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul”.
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O feito é realizado numa época em que os portugueses se regozijavam dos factos heroicos e mantinham na memória a expansão lusa cuja esta se vais estendendo depois da Descoberta do Caminho Maritimo para Índia, pela rota do Cabo, por Vasco da Gama, em 1498.
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Portugal festeja efusivamente os herois navegadores e, a boa nova passa célere de distrito para distrito e levadas a cabo manifestações de rua; sessões solenes nos municípios e dado a conhecer aos alunos das escolas primárias a Grande Viagem dos aviadores de Lisboa até às terras de Santa Cruz, iniciada em 30 de Março de 1922, descobertas por Pedro Álvares Cabral em 1500.   
            
 
Lembro-me que um dos meus livros de escola, na década de quarenta, século passado, inseria uma gravura e um trecho da viagem dos herois portugueses. A rapaziada, miúda, orgulhava-se e, depois à lareira, contava a história à família a maravilhosa viagem  que como era óbvio não sabia ler e até muito raramente tinha observado sob o céu em que viviam  uma avionete voar.
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A aviação, estava no princípio e já tinha sido utilizada na Primeira Grande Mundial (1914-1918) e, provada como um meio eficaz no lançamento de bombas; destruir pontos estratégicos do inimigo e liquidar pessoas.
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Depois do conflito mundial que flagelou a Europa as aeronaves são utilizadas ao serviço da paz, ligando de pronto as pessoas e os continentes.
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Carlos Viegas Gago Countinho, Almirante da Marinha Portuguesa, historiador, matemático e geógrafo. Nasceu em Lisboa e 1869 e faleceu em 1959. Inventou um sextante e, dado ao aparelho de navegação o seu nome e é, depois, admirado, nos círculos da aeronáutica mundial. 
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Foi autor de vários trabalhos geográficos e históricos, em cima das navegações portuguesas e se destacam: “O Roteiro da Viagem de Vasco da Gama”; “Versões nos Lusíadas”; Passagem do Cabo Bojador”; “Influência Que as Primitivas Viagens Portuguesas à América do Norte Tiveram sobre os Descobrimento das Terras de Santa de Cruz e ainda outras que o cientista publicou.
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Artur Sacadura Freire Cabral  oficial da Marinha Portuguesa, nasceu em 1880 em Celorico da Beira (Distrito da Guarda), foi um arrojado aviador  e morreu em 1924 quando pilotava um avião no céu do mar do Norte. O seu corpo nunca fora encontrado.
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Devido ao sucesso da travessia do Atlântico Sul de Gago Coutinho e de Sacadura Cabral (embora não tenhamos dados nos deia a certeza), há em vista outro projecto a realizar e este seria o de uma volta ao Mundo pelo ar. 
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Mas para a grande aventura ainda não efectuada por outros aviadores esta seria para evocar o feito do navegador português Fernão de Magalhães (ao serviço do Rei de Espanha) que planeou e empreendeu a volta, marítima, ao mundo e, embora a não tenha completado, foi graças a ele que o feito foi conseguido ligando o oceano Atlântico (pelo estreito que lhe foi dado o seu nome) ao Pacífico.
 
Durante as minhas férias procurei colocar em ordem e classificar cópias de papeis antigos dos arquivos do Consulado de Portugal em Banguecoque. Muitos até de difícil leitura dado ao fraco estado em que se encontravam os originais. 
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Estiveram sujeitos à humidade, aos afinetes de aço que os prendia se enferrujaram com os anos e  a oxidação lavrou por eles fazendo-os apodrecer em  partes de páginas. 
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No meio dessa papelada, velha, meia apodrecida vou encontrar um processo relativo a uma subscrição para a circunnavegação área que seria levada a cabo por Gago Coutinho e Sacura Cabral. Estou por certo que este projecto pouco conhecido e, se supõe que o mesmo não tenha sido realizado dado que Sacadura Cabral tivera o acidente que lhe custara a vida em 1924 e porisso, pensamos, que Gago Coutinho, com um certo desânimo,  não deve levar em frente o projecto dado que já não poderia contar com Sacadura Cabral.
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Em 15 de Agosto o Encarregado do Consulado de Portugal no Siam, Sr. Gofredo Bovo (de nacionalidade Italiana e Cõnsul Geral de Itália que de 1920 a 1934, alternamente, por várias vezes, tomou conta dos destinos do Consulado de Portugal, em Banguecoque)  recebeu o Ofício Nº559, António Pedro J. Fernandez, Cônsul Geral de Portugal em Bombaim (em língua inglesa) que lhe transmite:
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“Nós temos a honra de  transmitir a V.Exa. para a sua melhor atenção para a “Grande Subscrição Nacional” que está a ser promovida en Lisboa e Colónias, a fim de providenciar meios para que os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em vária escalas, efectuarem a viágem aérea da volta ao Mundo. 
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Eu creio que V.Exa fará a devida divulgação entre a Colónia Portuguesa, residente,  no propósito de esta contribuir para o empreendimento assim como os nomes dos dadores seja designado  numa lista  e o montante das dávidas respectivas. Tenho a honra de ter contactado com V.Exa. O seu mais obediente servidor.
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Assinada pelo seu punho: Cônsul Geral de Portugal no Activo: António Pedro J. Fernandez.”.
Anexado  à carta um folheto emitido em Macau cujo texto é assinado e que copiamos na íntegra:
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“ O semanário ´A Patria´ toma a iniciativa de abrir uma subscrição entre todos os portugueses de Macau e as comunidades macaenses dispersas pelos Portos da China e do Japão, a fim de auxiliar a viagem aérea em volta do mundo, projectada, pelos nossos distintos aviadores, Sacadura e Coutinho.

 
Trata-se de duma empresa, em cuja efectivação estão empenhados o nome e prestígio do País.Foi um Português o primeiro que circunnavegou o Globo; portugueses devem ser os primeiros a circum-aéronavegá-lo. 
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Poderá, pois, algum compatriota nosso desinteressar-se da arrojada tentativa, cujo exito está de antemão assegurado pelos nomes gloriosos que nela figuram? Alguem que a não acompanhe com imenso carinho e simpatia e não lhe preste todo o seu apoio e concurso?
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Certamente que não! Conhecemos bem os sentimentos patrioticos dos portugueses do Extremo-Oriente, para afirmarmos que nenhum deixará de acorrer ao apêlo, que lhe dirigimos. 
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Os portugueses residentes no estrangeiro, em especial os nossos compatriotas do Brasil e dos Estados-Unidos, vibram de entusiasmo ao pensamento de que sejam portugueses os primeiros a fazer a viagem aérea em volta do Planeta. 
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Por toda a parte, onde palpite um coração de português, se olha com enternecido orgulho para o feito grandioso, que ha-de cobrir de gloria o nome de Portugal. E só nós ficaremos indiferentes? Só nós cruzaremos os braços? Seremos nós a nota discordante no meio desta harmonia de pensar e sentir? Não pode ser! Não há-de ser!
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Macau, esta joia portuguesa lapidada pelos nossos maiores e conservada através das gerações pela fé e patriotismo de seus filhos, esta terra coberta de tantas tradições, que estão a apregoar o vigor daquela Raça de herois e de santos tão conhecidos do mundo inteiro, tem a obrigação moral de secundar os esforços, que neste momento todo o País emprega, para que Gago Coutinho e Sacadura Cabral – dois nomes que a história já registou numa página de ouro – consigam realizar o seu plano arrojado, já tentado em vão por outros povos.
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Macau – e dizer Macau é abranger todas as comunidades portuguesas do Extremo-Oriente, que são um prolongamento desta linda terra – Macau deve, pois, associar-se a este movimento geral de entusiasmo, que lavra por toda a terra portuguesa. Trata-se duma obra nacional e, portanto, duma obra que tambem é nossa. 
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E’ nossa pelos liames estreitos que nos prendem à Mãe-pátria, pela identidade de interesses entre todos os portugueses, pela gloria que dela ha-de vir para o nome honrado de Portugal. Gago Coutinho e Sacadura Cabral são o simbolo do valor da Raça. 
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O prestígio dos seus nomes é o nosso prestígio; da gloria do seu feito compartilharemos nós. Não são dois indivíduos que vão empreender a viagem aérea. É todo o Portugal. É toda a alma da Patria. É todo o sentir dum povo.

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Que nenhum compatriota nosso se esqueça, pois, do dever que o País lhe impõe nesta ocasião, em que o mundo inteiro tem os olhos sobre nós. Sois pobres?  Dai pouco, mas dai. Sois ricos? Contribuí para esta obra. Fazei uma afirmação do amor, que consagrais ao vosso País. Mostrai que o patriotismo não é uma palavra vã, mas qualquer cousa que vibra dentro de nós e se exemplifica em actos, todas as vezes que é posto à prova.
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Para vós, pois, apelamos! Temos a certeza antecipada de que todas as listas, que vamos enviar para os pontos onde residem portugueses, se cobrirão de assinaturas. Está aberta a subscrição. Houveram por bem patrociná-la distintas individualidades da Colonia, a quem apresentamos os nossos devotados agradecimentos, por se terem dignado apoiar a iniciativa de “ A Patria”.
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São elas que constituem a seguinte
COMISSÃO:
Dr. Rodrigo José Rodrigues – Governador de Macau – D. José da Costa Nunes – Bispo de Macau – General Manuel de Oliveira Gomes da Costa – Almirante Hugo de Lacerda Castelo Branco – Capitão de Fragata Luis António de Magalhães Corrêa – Dr. Alvaro Cesar Corrêa Mendes, Juiz de Direito – Dr. Alfredo Rodrigues dos Santos, Secretário Geral – Dr. Carlos Borges Delgado, Presidente do Leal Senado – Manuel Monteiro Lopes, Gerente do Banco Nacional Ultramarino e Tesoureiro da Comissão.
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O Cônsul Geoffredo Bovo, acusa a recepção (em língua inglesa) do Ofício do Cônsul Geral de Portugal em Bombaim, pelo Ofício Nº.124.Post.XVI de 21 de Agosto de 1923:
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Exmo Senhor,
Em resposta ao Ofício de V.Exa Nº 559 de 27 de Julho, último, tenho a honra de informar V.Exa que recebi de Macau a comunicação da “Grande Subscrição Nacional” para o suporte do projecto dos portugueses aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral que já fiz circular entre os membros da Colónia Portuguesa em Banguecoque.
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Aproveito a oportunidade para  assegurar a V.Exa a minha alta consideração.
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Assinada  pelo punho: Geofredo Bovo

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Aqui o Cõnsul Geral em Bombaim, que prevemos ser, natural de Goa, pretende dar nas vistas ou talvez Macau o tenha incumbido de transmitir a Geofred Bovo que lhe respondeu diplomaticamente..
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Aconteceu que por algumas vezes o Consulado de Portugal em Banguecoque esteve sob a jurisdição de Goa e de Macau. Porém, o consulado, por dezenas de anos tem como Encarregados de Negócios ou Cônsules naturais de Goa e desde 1900 a 1916, é gerido por Luis Leopoldo Flores que em termos de nepotismo, insere como funcionários do consulado filho, sobrinho, e  estão, assim, todos os negócios de Portugal no Siam sob os desígnios da “clã” Flores. 
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Leopoldo Flores faleceu vitima de febre tifoide às 23 horas do dia 16 de Abril de 1917, no Hospital de S. Luis e, sepultado em mausoléu  cemitério da rua da Silom no centro da cidade de Banguecoque. 
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Seu filho Luis de Melo Flores, assume as funções de seu pai e auto-intitula-se: Cônsul-geral de 2ª classe e Encarregados de Negócios. 
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Entretanto e porque havia reclamações, dos “protegidos pelo consulado” (chineses que obtiveram este estatuto pela passagem de um passaporte emitido em Macau que em muitos casos eram fruto da “corrupção”) chegou a Banguecoque o Cônsul Alfredo CasaNova que encontrou irregularidades e queixas dos protegidos e nenhuma documentação, que poderia comprometer, encontra arquivada. 
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Segundo o conteúdo de uma carta dirigida ao Cônsul Atilio Viana em 23 de Setembro de 1918, por um protegido a queixar-se dos Flores, numa passagem a missiva informa:  “ O Senhor Silva , interprete, disse-me que todos os papeis assinados pelo Senhor Flores foram queimados no dia seguinte ao seu falecimento”.
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Os Flores desapareceram de Banguecoque. O Casanova ausenta-se depois da casa, mais ou menos arrumada; entrega a gerência ao Cônsul Atílio Diana que o assume por curto espaço de tempo. 
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Toma as funções, como encarregado do consulado o Cônsul de Itália Bovo, em 1920 e, alternamente, como acima se descreve, anda nisto até 1934 e deixa de o ser quando o Dr. Joaquim Campos (médico, investigador e historiador) que além de Cõnsul, que desempenhou impecávelmente e faz retomar  o prestigio de Portugal, perdido,  no Reino do Siam, exercendo ainda a medicina com consultório nas proximidades do Consulado. 
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O Cônsul Campos morre, com 52 anos, em Banguecoque e está sepultado, como o Flores, no Cemitério da rua da Silom.
            
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Nos documentos existentes, em cima da subscrição, de facto não é encontrada qualquer carta vinda de Macau a recomendar ao Encarregado Bovo a subscrição. Apenas este a dar conta, por ofício de 26 de Janeiro de 1924, escrito em língua italiana, do envio do envio de um cheque no valor de $66,72 dólares. 
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Nos parece que o Bovo não quer ser humilhado, com uma ordem emanada pelo Cônsul Geral de Portugal em Bombaim. Anexo uma lista onde estão designados os doadores e as importâncias contribuidas. A redacção do Semanário “A Pátria” instalada no Seminário de S.José em Macau em 12 de Fevereiro de 1924, numa carta escrita à mão diz o seguinte:
 
Exmo Senhor
Encarregado dos Negócios do Consulado de Portugal em Siam
Tenho a honra de acusar a recepção da estimada carta de V. Exa. de 26 de Janeiro, que muito agradeço e bem assim o cheque incluso de $66,72 destinado à subscrição para a viagem de circunnavegação aerea empreendida por Gago Coutinho Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Aquela quantia deu entrada no Banco Nacional Ultramarino na conta aberta para o mesmo fim e da entrega envio a V.Exa o respectivo recibo.
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Com os mais profundos sentimentos de alta consideração e apresentando os meus respeitosos cumprimentos assino-me.
                                                                      De V.Exa At.tº Ven. e Obrigado
                                                                       Padre João Machado de Lima – Director de “A Patria” (Depositado no BNU estavam $1.727.49 mais os $66.72 somam $1.794.21 (dólares)
José Martins/2004 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

DESPORTO: FUTEBOL CLUB DO PORTO EM BANGUECOQUE




Em 1997 o Futebol Clube do Porto iniciou um torneio pela Ásia. Para participar no “Thailand Premier Cup’97” onde se incluia o Porto, Boca Júnior, Inter de Milão e a selecção tailandesa. O evento teve lugar de 19 a 22 de Junho no “National Stadium”. O Futebol Clube do Porto ganhou o torneio!


Tive a honra de ter sido eu (quem me ler que me tolere a minha vaidade), a representar a Embaixada de Portugal em Banguecoque em nome do Embaixador Mesquita de Brito e receber os “Dragões” no aeroporto de internacional de Bangkok. O Chefe da Missão Diplomática portuguesa tinha que estar presente a um evento oficial e que não poderia, de forma alguma, dispensar a sua presença. Conhecia vagamente os jogadores do Porto. 


Familiares, apenas, as caras no “ecran” da RTPi as treinador António Oliveira e do Presidente Pinto da Costa. Fui à ponte do desembarque dos passageiros do avião e junto à porta me quedei para receber o grupo. 
 

O  meu olhar concentrava-se na imagem que tinha na mente do Presidente Pinto da Costa e, logo que surgisse à porta da aeronave apresentar-lhe, em nome da Embaixador de Portugal dar-lhe as boas vindas a Banguecoque e que Missão Diplomática Portuguesa estava ao inteiro dispôr da equipa  da cidade tripeira.
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E, se houvesse, um tempo disponível durante o torneio ou no final o Embaixador Mesquita Brito teria muito prazer em receber o F.C.do Porto, no jardim da Embaixada, para uma recepção e um Porto de Honra.
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Pinto da Costa não aparece e fico de certo modo embaraçado quem seria quem que vinha a chefiar a delegação. Dirigi-me ao jogador Barroso (de cabelo cortado à escovinha)  e informou-me ser Reinaldo Teles. 

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Ao mesmo tempo indicou-me a sua figura. Muito bem escanhoado e de bigode esmeradamente aparado se apresentou o Reinaldo Teles no “País dos Sorrisos”. De imediato me dirigi ao Sr. Teles e transmiti-lhe a mensagem do Embaixador Mesquita de Brito. 
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Encontrei no vice-Presidente, depois de lhe transmitir a mensagem do diplomata português, uma certa frieza. Me pareceu que Reinaldo Teles desejaria ali à viva força  Sexa Mesquita de Brito, (o que lhe era impossivel naquela manhã), e certamente proferisse um discurso de boa chegada e presença dos “Dragões” na “Cidade dos Anjos”.

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O Porto foi recebido pela organização do torneio com as devidas honras e levado o grupo para o “Imperial Queen’s Park Hotel” acabado de ser inaugurado e um dos melhores e de mais luxo na capital tailandesa.
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A susceptibilidade (que me pareceu) de Reinaldo Teles, por ele criada, ficou sanada depois do Embaixador Mesquita de Brito se ter encontrad e saudado a Delegação e jogadores do Porto no dia da inauguração do torneio que teve lugar no “National Stadium”.
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Aconteceu que poucos tailandeses conheciam o Futebol Clube do Porto. Mas já havia muitas “fãs” (a rapariga tailandesa adoram os ídolos futebolistas) do Jardel. O jogador brasieliro de facto veio mas não jogou devido a uma lesão. 
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Não deixou, porém, de escrever autógrafos, deixar-se fotografar junto aos que lhe pediam. O ex-Clube do Maradona, o Boca Júniors da Argentina e o Inter de Milão eram conhecidos e já famosos na Tailândia. 


Entretanto o Manchester tem levado a palma, em popularidade, na Tailândia. Tudo isto se deve à exibição de encontros de futebol, todas as semanas, do “Manchester United” nos canais de televisão e, graças à agressividade do “marketing” os ingleses promoveram o produto “futebol” na Tailândia.
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Não resta qualquer dúvida que o concorrente, próximo, do Manchester vai ser o Real Madrid....disto estamos já certos. Bem é que o futebol na Tailândia começa a ficar bem de saúde e numa sociedade demográfica de 62 milhões e mais de 60% de jovens se visiona um futuro brilhante no contexto mundial da modalidade.
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E, à parte, (oxalá que me ouçam os responsáveis) desde já e sem demora se deveria  divulgar, na Tailândia, o “Euro2004” em Portugal. E, com isto, levar a Portugal tailandeses para assistir aos jogos da importante competição e com isto divisas. Aqui fica o alvitre aos responsáveis do Euro2004.
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Nas bancadas durante os jogos do Porto, além das tripulações da TAP Air Portugal que em Banguecoque permaneciam a refrescarem-se das 14 hora do vôo directo Banguecoque/Lisboa e vice-versa a gritarem pelo Porto mais ninguém aplaudia o “glorioso campeão”. 

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Na tribuna de honra o Embaixadores de Portugal e da Itália que diplomáticamente e silenciosamente a torceram pelos seus clubes. O embaixador Mesquita de Brito é tripeiro de gema e nasceu para os lados do Campo Alegre.
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Eu junto ao relvado a reportar o encontro para a Agência Lusa que graças aos colegas do Record e do Jornal de Notícias e os comunicados da organização que ia recebendo consegui enviar algo para Lisboa. Como já o afirmei acima não percebo nada sobre futebol.
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A exibição do Porto fui a de autênticos campeões! Os aplausos do público que antes eram destinados ao Inter de Milão, estes passam de imediato para as vozes: Porto,Porto,Porto.
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Frase de fácil pronunciação para os tailandeses e assimilada dado aos gritos, eufóricos, que viviam o encontro, as raparigas hospedeiras da TAP Air Portugal.
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Não foi fácil para mim conter tamanha emoção de ouvir os aplausos a favor do Futebol Clube do Porto. Ali, no campo, jogava Portugal!


O Porto jogava no Tailândia, perante uma assistência de pouco mais de meia dúzia de portugueses e não com 30 ou 50 mil pessoas nas bancadas das Antas, outra cidade de Portugal ou em Lisboa.
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Houveram episódios curiosos durante a permanência do Futebol Clube do Porto em Banguecoque. Conto um: Este recai sobre o treinador António de Oliveira. Oliveira chegou a Banguecoque de cabelo à “Beatles” e cortou-o aqui há homem!
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Não cortou um pelo sequer do farfalhudo bigode. Não sei se foi devido a promessa ou pelo calor que se sentiu em Banguecoque.
Sabias atravès da RTPi que o António de Oliveira tinha tido, uma ou duas semanas, antes, um problema do coração e hospitalizado por uns dias.
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Certamente o seu médico lhe teria recomendado para deixar de fumar. Quando me encontrava com ele no “hall” do hotel, às escondidas, pedia-me um cigarro. Claro que lho oferecia mas com a recomendação: “Oliveira você tenha cuidado........”
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O Porto ganhou o “Thailand Premier Cup’97 e um Oliveira felicíssimo isto porque a agregava  à vitória da Liga. Na manhã do dia 22 de Junho, o treinador, levantou-se cedo (antes do Porto partir para Macau) e resolveu  caminhar ao longo da rua do hotel.
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Acendeu um cigarro, fumou-o e deitou a “beata” para o chão!
Atrás dele e desde que acendeu o cigarro um polícia, diligente, da câmara de Banguecoque seguia-o para ver onde o Oliveira deitava a “pirisca”... 


O “Mayor” da câmara municipal tinha emitido uma Lei camarária que todo o fumador deitasse a ponta do cigarro para o chão apanhava uma coima fosse ele tailandês ou estrangeiro.
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O Oliveira sem algemas está sob a Lei camarária e condenado, ali mesmo, a pagar 100 dólares de multa e o direito a um recibo.
Por volta das 9:30 a campainha do telefone da Embaixada tocou.
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Atendo e do outro lado da linha o António Oliveira: “Ó Sr. Martins está a ver por deitar a “beata” do cigarro no chão um polícia quer que eu pague 2.500 bahts (100 dólares)”? Oliveira, espere aí que vou pedir ao Chanceler tailandês que vá aí resolver o problema....
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Quando o Chanceler Chalerm  chegou ao hotel já o polícia camarário tinha desaparecido... Valeu ao treinador o ter designado a Embaixada de Portugal em Banguecoque ao proficiente fiscal camarário, que lhe conferiu a imunidade e, não ser  necessária a intervenção do Chanceler Chalerm.
Quando este ali chegou o problema estava sanado.
José Martins
Agosto 2003