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terça-feira, 2 de julho de 2013

A MORTE DA PRINCESA GALYANI VADHANA - Uma grande Senhora

Wednesday, January 02, 2008
O Povo tailandês chora e está de luto, durante 100 dias, pela morte de Sua Alteza Real a Princesa Galyani Vadhana, até que seja realizada a cremação, segundo os rituais da Casa Real Tailandesa.
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Gentes em respeito à "Princesa do Coração" vestiu-se de negro e branco.
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Depois de prolongada doença a Princesa Galyani Vadhana apagou-se, no dia 2 de Janeiro de 2007, no Hospital Siraraj, em Thomburi, junto à margem do rio Chao Praiá e do outro lado de Banguecoque.
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Neta do Grande Rei Chulalongkorn e irmã do actual Rei Sua Majestade Bhumibol Adulyadej. Durante os seus 84 anos de vida dedicou-os ao serviço das gentes siamesas, em obras de caridade e interessando-se pelos menos bafejados da sorte. 
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Uma princesa de perfil intelectual de valor; Vice-Presidente Honorário da prestigiosa instituição de cultura a Siam Society, uma paixão, constante, pela fotografia herdada pelo seu avô o Rei Chulalongkorn. Fundou um museu de aparelhagem de fotográfica e onde se podem admirar máquinas do século XIX e de quando estas surgiram no mercado e revolucionam a divulgação da imagem. Os seus tempos livres dedicou-os à fotografia e à música e torna-se uma exímia executante do instrumento violino


Os pais: Príncipe Mahidol e Princesa Sri Sangwalya. A Princesa Mãe com seus três filhos: Princípes Mahidol (entronizado Rei Rama VIII), Bhumibol (o actual Rei Rama IX) e a Princesa Galyani, em Lausane, Suiça nos anos de 1928

Viajou muito e contribuiu para o excelente relacionamento diplomático entre a Tailândia e os países que visitou. Vimo-la, no primeiro dia de sua morte, em retransmissão televisiva, subir e descer as encostas da Ilha de Páscoa e admirar aquelas enormes estátuas, seculares, de granito. Sua vida foi marcada pela tragédia.
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O falecimento de seu Pai, o Principe Mahidol, o "Pai da Medicina" da Tailândia que abandonou os claustros e o protocolo da Casa Real e partiu para o estrangeiro especializar-se em medicina com o propósito de voltar ao Sião e aliviar as moléstias dos siameses numa altura em que grassava a malária e outras epidemias.
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Morreu no norte da Tailândia no exercício da prática da medicina onde a sua presença era necessária acudindo aos doentes e curar-lhe os males junto aos médicos, missionários, americanos.
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Anos depois e já na sua adolescência foi de quando seu irmão o Princípe Ananda Mahidol foi entronizado o Rei Rama VIII, viria a falecer em condições estranhas as quais, até hoje, nunca foram conhecidas.
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A Princesa Galyani nasceu em Inglaterra no ano de 1923 e de quando seu Pai estudava medicina. A única filha da Princesa Sri Sangwalya. Viveu uma vida intensamente dedicada, unicamente, a servir o Povo.
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Esteve ligada a Portugal e de quando inaugurou em 2 de Abril de 1995 o novo edifíco/museu no Ban Portuguete (Aldeia dos Portugueses). Estivemos lá a reportar em imagens o acontecimento. 
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Apenas duas fotografias, até esta data, foram inseridas num artigo, intitulado: "As Minhas Férias (no País das Maravilhas" que poderá ser lido depois de um clique: http://aquimaria.com/html/forum-Ferias.html
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Porém e como homenagem à Princesa Galyani outras imagens (das muitas obtidas que registaram o evento) são aqui inseridas.
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O barco ligeiro partia de Banguecoque em direcção ao Ban Portuguet

Na manhã de Domingo do dia 2 de Abril de 1995, um barco ligeiro partia da margem do rio Chao Praiá, junto à Embaixada de Portugal em Banguecoque, em direcção ao Ban Portuguete, com os Embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco; Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e esposa, o Ministro da Educação da Tailândia, o Núncio Apostólico, representante da Embaixada da Santa Sé na capital tailandesa; a Conselheira Cultural, junto da Missão Diplomática de Portugal, Ermelinda Galamba de Oliveira e ainda outros convidados. 
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Eu e o jornalista João Roque seguimos de Banguecoque de automóvel com a finalidade, de registarmos a chegada das personalidades que tinham viajado de barco e fazermos a cobertura do evento para a Agência Lusa (Macau). Mas o maior significado da cobertura de tão importante acto seria a presença da Princesa Galyani que iria inaugurar a obra.

Os embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco; a Conselheira Cultural Ermelinda Galamba de Oliveira; Dr. José Blanco e esposa à chegada ao acoradoiro da antiga Paróquia da Igreja de S.Domingos no Ban Portuguete. Lado esquerdo: o Embaixador Sebastião de Castello-Branco, Dr. José Blanco e dois arqueológos do Fine Arts Department, em Ayuthaya, aguarda a chegada de Sua Alteza a Princesa Galyani

Bem me parece transcrever o que já em tempos relatei: "O aldeamento (Ban Portuguete) na sua orígem, foi bastante extenso com mais de mil metros de comprimento onde foram fundadas três paróquias e espiritualmente administradas pelos Dominicanos, Franciscanos e Jesuitas. No local ainda estão envolvidas em denso matagal à espera que as ruínas sejam colocadas a descoberto as igrejas de São Francisco e a dos Jesuítas.. 
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A partir de 1982 e graças ao empenho do então Embaixador José Eduardo de Mello Gouveia e o entusiasmo do Dr. José Blanco, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian que apoiada a concretização do projecto pelo falecido Presidente Dr. José Azeredo Perdigão a Gulbenkian viria subsidiar as escavações das ruínas e a construção de um belo edifício na Paróquia de São Domingos. 
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Portugal está, ali, condignamente representado para os próximos séculos e a reviver a memória às gerações vindouras a passagem e a presença da lusitanidade na velha capital do Reino do Sião".

Sua alteza a Princesa Galyani Vadhana é esperada pelo Embaixador Sebastião de Castello-Branco, o Dr. José Blanco e Núncio Apostólico. 
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"Verifica-se assim o desejo e, não menos o patriotismo do Dr. José Blanco na iniciação do projecto das escavações e a construção do edifício/museu que seria inaugurado em 2 de Abril de 1995, com a honrososa presença da Princesa Galyani, irmã de Sua Majestade o Rei Bhumibol, o Ministro da Educação, do Embaixador Castello-Branco e do Núncio Apostólico, além de outras individualidades ligas ao meio cultural da Tailândia" .


Sua Alteza A Princesa Galyani entra no edifíco museu que momentos depois inauguraria

E, pelo interesse que merece o brilhante e patriótico discurso que o Dr. José Blanco proferiu, dirigido às personalidades presentes e particularmente a Sua Alteza a Princesa Galyani apraz-me transcrever da língua inglesa, em tradução livre, o discurso aos presentes na ocasião:
 
" É para mim um grande privilégio estar presente a esta cerimónia representando a Fundação Calouste Gulbenkian, A presença de Sua Alteza Real é certamente uma honra para nós e apresentar a pedido dos meus colegas a Sua Alteza Real as saudações e os respeitosos agradecimentos da tão honrorosa presença. Sob os auspícios de Sua Alteza Real, nós estamos a reviver as palavras históricas de Sua Majestade o Rei Rama II, recordadas neste momento pela ocasião da doação do terreno em 1820 para instalar uma Feitoria S.M. mandou referir no documento: que favorecia a nação portuguesa mais que todas as outras. 
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Nós, igualmente, encontramo-nos honrados também pela presença de muito distintas autoridades tailandesas junto de Sua Excelência o Embaixador de Portugal em Banguecoque, mostrando assim o seu interesse e a importância de um projecto que é um exemplo, frutuoso, de cooperação entre a Tailândia e Portugal. 
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Esta cooperação amigável entre os dois países começou quase há cinco séculos e de quando Sua Majestade o Rei Rama Tibodi II deu as boas-vindas, em 1511, a um embaixador de Portugal enviado de Malaca por Afonso de Albuquerque, em nome do Rei de Portugal. 
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Os portugueses estão ainda hoje extremamente orgulhoso, não só pelo facto de terem sido os primeiros Europeus a conhecer este grande país mas também por ter sido a primeira nação a assinar, em 1516, um Tratado de Comércio e Amizade com o Reino do Sião.
 

Sua Alteza Real a Princesa Galyani, acompanhada das altas indivualidades, visita as ruínas da Igreja de São Domingos. O cicerone é o arqueológo, tailandês, Patipat do "Fine Arts Department" e quem dirigiu as escavações do Campo da Paróquia de São Domingos (Patipat é um velho amigo meu cuja amizade perdura há 25 anos).
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Este momento é profundamente comovente e de grande importância para nós Portugueses. Nós estamos comemorando a recuperação, comum, da herança histórica, precisamente onde os nossos antepassados viveram e morreram há mais de quatrocentos anos. 
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A Fundação Calouste Gulbenkian é uma organização filantrópica, privada, portuguesa que suporta e se envolve em projectos de caridade, das artes, da instrução e da ciência, não sómente em Portugal mas também no estrangeiro. 
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Em consideração as suas actividades internacionais a Fundação presta atenção especial aos projectos que se relacionem com a restauração de monumentos históricos portugueses em países estrangeiros. 
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Na solicitação de pedidos formulados pelas autoridades e com suas colaborações, nós executamos projectos no Quénia, República do Benin, em Marrocos, na Índia, no Brasil e Uruguai. 
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O interesse da Fundação Calouste Gulbenkian no projecto do estabelecimento das escavações principiou há doze anos em 1983. É de justiça recordar aqui o papel do Dr. José Mello Gouveia o elo de ligação e o seu empenho perante as autoridades tailandesas. 
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Sua Excelência era naquele tempo o Embaixador de Portugal em Banguecoque. A Fundação começou a contribuir para o projecto em 1983 de quando a primeira aprovação para as escavações arqueológicas das ruínas da Igreja de São Domingos. 
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Uma segunda concessão para a mesma finalidade foi efectuada em 1986 e, finalmente, em 1994, uma terceira contribuição foi atribuída para a construção do edifício que protege o cemitério.

 
Dr. José Blanco proferindo o seu discurso. Entregue uma lembrança a Sua Alteza a Princesa Galyani Vadhana.

Nós consideramos que o "Ban Portuguete" em Ayuthaya é um dos nossos mais relevante projecto internacional, não sómente porque era orientado de uma forma notável pelo "Fine Arts Department". 
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A partir de agora uma parte significativa do projecto da preservação histórica portuguesa, na antiga capital do Reino do Sião está concluída para o futuro. Desejo agradecer a todos os peritos e trabalhadores tailandeses que fizeram o seu melhor e se esforçaram empenhadamente para o bom sucesso do projecto de que a Fundação Calouste Gulbenkian orgulhosa de se ter associado a eles. 
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Sua Alteza Real, suas excelências, senhoras e senhores. Um poeta português, famoso, Fernando Pessoa, escreveu uma vez um poema sobre as descobertas portuguesas cujas linhas citarei: VALEU A PENA? TUDO VALE A PEQUENA SE A ALMA NÃO È PEQUENA.

A cerimónia terminou ao princípio da noite. Sua Alteza a Princesa Galyani é acompanhada pelas personalidades até ao ancoradoiro e partiu de barco até à cidade de Ayuthaya de onde partiria de automóvel para Banguecoque
BIOGRAFIA DA PRINCESA GALYANI VADHANA
Reconhecida como a protectora das artes, da cultura e das obras de caridade. Muitos projectos foram iniciados pela Princesa sua Mãe. O Povo Tailandês viria admirá-la pelo facto de não se envolver, demasiadamente, no protocolo real e em vez deste dedicar-se à saúde pública e às necessidades dos tailandeses. Foi uma intectual e conhecedora da música clássica francesa e com perfil raro de ensinar.
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A Princesa Galyani esteve incluída entre um grupo de mulheres da sua geração que foram educadas no estilo ocidental. Foram lhe concedidos doutaramentos em ciências, artes liberais pela Universidade de Lausana. Praticou na sua juventude os desportos de esqui, hipismo e vôo.
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Seguiu os passos da Princesa Mãe e dedicou toda a sua vida a causas dignas, sendo presidente de 63 organizações vocacionadas para actos de caridade.
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A filha mais velha do Príncipe Mahidol de Songkla e a Princesa Mãe, na altura mom Sangwal. Nasceu em Londres a 6 de Maio de 1923. Dois anos mais velha de seu irmão o Rei Ananda Mahidol, Rama VIII e quatro mais do actual Rei Bhumibol Adulyadej, Sua Majestade o Rei Rama IX.
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No seu assento de nascimento emitido em Inglaterra o nome designado foi de Mai. Mais tarde seu tio o Rei Vajiravudh, Rama VI concedeu-lhe o título: Sua Alteza a Princesa Galyani Vadhana Mahidol.
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Seu irmão Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej quando completou 72 anos de idade concede-lhe o mais alto título real: Sua Alteza Real Naradhiwas, ou de Krom Luang Naradhiwas Rajanagarindra. 
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Depois do nascimento no Reino Unido a família Mahidol voltou à Tailândia, para depois e quando a Princesa Galyani tinha dois anos partiu para a Alemanha onde o Príncipe Mahidol, seu pai iria continuar a sua cruzada de especialização médica. Na Alemanha nasceu seu irmão, segundo filho da família Mahidol, o Príncipe Ananda Mahidol.
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Mas a família Mahidol mais uma vez se muda. Príncipe Mahidol continua a ser um apaixonado pela medicina. Um Príncipe Real, um filho do Grande Rei Chulalongkorn que o preocupa a dor e as moléstias dos tailandeses e pretende minimizá-las. Parte para Boston (Estados Unidos) para estudar medicina na Universidade Harvard. Nasceu-lhe mais um irmão o Príncipe Bhumibol Adulyadej e o actual Rei da Tailândia. A Princesa era então matriculada num jardim de infância em Boston. Dá os primeiros passos na aprendizagem da língua inglesa.
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A Princesa Galyani mais tarde no seu livro "Nai Lek Lek de Jao": "Quando visitei a minha mãe no hospital depois de dar à luz o bébé príncipe Bhumibol, fiquei excitada, quando abria e fechava a boca. Desejava ver meu irmão e tocar-lhe nas mãos, mas não me foi permitido chegar junto a ele e observei-o através de uma divisão de vidro".
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Uma vez que o bébé Príncipe foi trazido do hospital para casa, divirtiu-se muito a ajudar a Princesa Mãe a dar-lhe banho, a vesti-lo e cuidar dele. Não sabia explicar se era mais uma ajuda a sua mãe se um divertamento de criança de 5 anos.
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A família Mahidol regressa à Tailândia em 1928. Seu Pai o Príncipe Mahidol após um ano da prática de medicina morreu de doença crónica em 1929. A Princesa Galyani tinha 6 anos de idade. A princesa Galyani continua no seu livro "Nek Lek Lek de Jao": Brincava no jardim, fui chamada para ir ter com minha mãe ao seu quarto. "Minha Mãe estava sentada numa cadeira junto à janela. Abraçou-me e disse-me algo que eu não compreendi e gritou. Eu gritei também". O meu Pai o Principe Mahidol, tinha morrido.
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Apesar do desgosto da perda do marido a Princesa Mãe tomou a seu cargo o cuidado e a educação das três crianças reais. Não descurou que os pequenos príncipes deveriam viver uma infância feliz. Os albuns da Família Real mostram os príncipes a praticarem jogos ao ar-livre, na areia, escavando canais na relva, montados em cavalos, planadores de papel para voar e nadar no mar.
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Depois do falecimento do Pai o Príncipe-médico Mahidol, a Princesa Galyani dava os seus primeiros passos na escola primária tailandesa. A conselho de sua avó a Rainha Savang Vadha, preocupada com a fragilidade da saúde do pequeno Príncipe Ananda Mahidol, aconselhou a Princesa Mãe a deslocar-se com as três realezas para a Suiça onde o clima (fora da humidade e calor tropical) seria mais propício para as crianças crescerem.
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Mas esta movimentação, além de livrar o pequeno Príncipe Ananda dos rigores do clima tropical , um dos objectivos teria sido para proteger os dois príncipes e a princesa, dada a instabilidade política de então. Princesa Mãe comungando com a Rainha Savang Vadha partiu para Lausane em 1933 e desde logo a Princesa Galyani é matriculada na escola Miremont.
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A política tailandesa de tumultosa alcançou finalmente o sossego e de quando o Rei Prachadhipok, Rama VII, abdicou em 1934. Então o irmão o Príncipe Ananda Mahidol, com apenas 9 anos, foi indigitado para, mais tarde, ser entronizado o Rei da Tailândia. Porém a Princesa Mãe, mesmo conhecendo que o Príncipe Mahidol viria a ser o próximo Rei da Tailândia, procura assegurar a seus três filhos uma vivência, a mais possível, normal. 
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A Princesa Galyani continua a sua educação numa escola superior de Lausane e no seu curriculum inclui as línguas alemã e o latim. Em 1938, com então 16 anos, está matriculada na Escola Internacional de Genebra. Completou os seus estudos, secundários e é lhe dada a classificação da terceira aluna mais aplicada na Suiça.
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Transita, depois para a Universidade de Lausane e escolhe estudar química, ciências e denota interesse pelas artes liberais. Fez exames paralelos em literatura, filosofia e psicologia na faculdade de ciência social.
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Em 1994 a Princesa Galyani viria a casar com o Coronel Aram Ratanakul Serirerngrit, homem sem qualquer título aristocrático e a Princesa abandonou o título real, segundo as normas da Casa Real. Nasceu uma filha dessa união, Thanpuyng Tasanavalaya Sornsongram. 
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Mais tarde o casamento acabaria em divórcio e seu irmão Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej restaurou-lhe os títulos e as honrarias reais. Em 1950 a Princesa Galyani dedicou-se à ocupação de professora e ensina por 9 anos, civilização, literatura, as artes e história de França, na Universidade de Chulalongkorn.
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Princesa é a Directora da secção de língua e literatura francesa, assim como de outros departamentos de ensino de línguas estrangeiras que cobrem o ensinamento da língua alemã, japonesa, o chinesa e a russa. A Princesa patrocina a associação dos professores de francês, tailandeses, para os ajudar a melhorar o ensino desta língua. 
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A Princesa, durante o período árido e da infiltração comunista no território tailandês, deu lições em universidades de províncias da Tailãndia, alheando-se ao perigo que corria.
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Devido às suas obrigações que a uma Princesa Real lhe estão atribuídas, foi forçada abandonar o ensino. Continua, mesmo já fora do ensino a suportar, todos os anos, a sustentação de várias instituições educacionais assim como a conceder a suas expensas bolsas de estudo a estudantes dos meios rurais e aos jovens com vocação musical.
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Suportou financeiramente a participação de jovens estudantes nos jogos olímpicos académicos. Foi uma entusiasta no incitamento a jovens estudarem nos campos da matemática, da física, da química, na ciência dos computadores e da biologia.
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Foi uma educadora do coração na saúde e interessada na educação das crianças autistas, tomou por sua conta o compromisso, em linha recta, facilitar a educação e melhorar e dar condições de vida às crianças autista.(Nota nossa: A Princesa Galyani teve um segundo sobrinho, Khun Poom Jensen, filho da Princesa Ubol Rattana Rajakanya, filha mais velhas de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej, que nasceu autista, parcialmente recuperado, viria a ser vítima da tragédia "Tsunami", em 25 de Dezembro de 2004, quando praticava o desporto aquático, pilotando uma mota de água, sendo colhido pela onda gigante que o arremessou contra a parede de um hotel causando-lhe a morte na flor de sua juventude.
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Uma Princesa ao serviço do bem dos outros. Herdou de seu Pai o Príncipe Mahidol, a intuição de olhar para os mais carenciados e desprotegidos e oferecer-lhe saúde e o bem estar. É uma continuadora da causa iniciada pelo Príncipe Mahidol Songkla, o "Pai da Medicina Moderna".
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Quando a Princesa sua Mãe estava viva acompanhou-a quase sempre nas suas missões humanitárias onde se incluíam unidades móveis médicas para levarem aos pontos mais remotos da Tailândia assistência aos mais necessitados. A Princesa Mãe, por motivos de saúde, já não se podendo deslocar foi a Princesa Galyani tomou conta da obra da "Velha Senhora".
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(Nota nossa: "Por anos e anos admirámos a Princesa Mãe a "Velha Senhora", a viajar de helicóptero, de carro e a caminhar pelos carreiros das terras altas da Tailândia, para dar assistência às gentes pobres das montanhas vinculadas ao "Triângulo Dourado". As atitudes da Princesa Mãe, "Velha Senhora" consternavam-me, quando a via no vidro do televisor, de minha casa. 
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A toda aquela gente a Princesa dava uma palavra de conforto e um cobertor para a cama. Mas no seu caminhar por carreiros a benemérita, "Velha Senhora", interrompia o seu andar, baixava-se e colhia uma flor silvestre que por ali tinha nascido, ao acaso e cheiráva-a. Os meus olhos estavam perante uma imagem, patética e campestre que confortava o meu ser. Tinha à minha frente a Princesa Mãe de um Povo que nunca haja sido uma figura (que bem poderia) do palco protocolar dos movimentos palaciais de uma qualquer monarquia.
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Alargou as obras de bem fazer iniciadas e mantidas por muitos anos pela Princesa Mãe e já idosa como sua mãe, não olhou a sacrifícios e sua saúde e continou a sua missão até que as forças lhe começaram a fraquejar. Fez doações, avultadas, a diversas fundações de saúde entre estas a fundações para o transplantes de rins, cardíaca destinada às crianças com problemas de saúde do coração, residentes nos bairros de "lata" de Banguecoque.
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Uma Princesa escritora e afeiçoada à escrita. O seu primeiro livro dá-lhe o título: "Penned". Seguem outros um "Dek de Nitaan" são histórias para criança quando apenas tinha 9 anos idade. Escreve 11 sobre a história da família real e 10 sobre as impressões de viagem a países estrangeiros que visitou. Traduziu três livros.
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Quando professora, a Princesa Galyani Vadhana fez questão de compartilhar, com o público, e transmitir-lhe os conhecimentos que adquiriu. Viagens cobertas pelas câmaras de televisão que depois eram transmitidas pelos canais e isso iria contribuir para o ensino pedagógico dos estudantes tailandeses
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É uma amante dos animais, a Princesa Galyani, tinha especial afeição pela raça canina. O seu animal favorito era o "Sam sip" que significa o número 13 na língua tailandesa. Fundou um departamento na Universidade de Chulalongkorn cuja missão era o de olhar pelos cães vadios desabrigados. Inicia o projecto com uma unidade especial de emergência e hospitalar para os caninos abandonados e a necessitarem de tratamento veterinário.
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Além do seu amor pela música clássica suportou a música folclórica tradicional. Um grupo de tradicional de marionetes quando lutava com dificuldades financeiras para se manter em actividade e com o infalível encerramento, interviu junto às autoridades, para que o grupo se mantivesse vivo e o que eles transmitiam era uma parte da cultura tradicional tailandesa.
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No seu 72 aniversário Sua Majestade o Rei Bhumibol, concedeu-lhe o título de Krom Luang Naradhiwas Rajanagarindra, ou seja a Princesa Naradhiwas, honraria que lhe foi atribuída pela dedicação às obras de caridade. Apreciava a boa saúde que havia tido durante sua vida. Manteve toda a sua actividade até à idade de 80 anos.
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Sua filha, Thanpuyng Tasanavalaya, tentou persuadir a Princesa a fazer exames médicos anuais e exercícios físicos. Os conselhos da filha foram em vão. Após uma cirugia alguns anos atrás, a saúde da Princesa começou a deteriorar-se e teve que movimentar-se apoiada por um apetrecho com rodas onde a Princesa apoiava as mãos e empurrava. Mesmo assim nunca deixou de participaçar em eventos realizados nas obras de caridade e culturais que tinha criado.
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Em 15 Junho de 2007 a Princesa foi admitida no Hospital Siriraj onde os testes dão conta que tem um cancro do estômago. Já não saiu do hospital e ali permaneceu até ao dia que deixou de pertencer ao número de vivos. 
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A imprensa foi sempre informada das condições de saúde da Princesa Galyani. Em 25 de Outubro, quatro meses depois de ser admitida no Siraraj, a Casa Real, informa a imprensa que depois de observado o seu cérebo, alguns vasos sanguínios encontravam-se obstruídos. 
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No dia seguinte, dia 26, outro comunicado informava que o cancro abdominal detectado no estômago era do mesmo tipo do cancro de "mama" que lhe tinha sido detectado, extraído 10 anos antes e já em estado adiantado.
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No dia 31 de Dezembro e a finalizar o ano 2007, a Casa Real comunica que a Princesa Galyani tem dificuldades em respirar e os rins deixaram de funcionar. Pouco por pouco a Princesa foi tendo dificuldades em respirar e apagou-se às duas e meia do dia dois de Janeiro de 2008.Deixou unicamente uma filha Thanpuyng Tasanavalaya e um neto Jitas Somsonggram.
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Notas biográficas extraídas de várias publicações que passei para a língua portuguesa em "tradução livre"
José Martins

A LÌNGUA PORTUGUESA NA ÁSIA



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A língua de Camões no tempo actual é o meio de comunicação de cerca de duzentos milhões de pessoa à volta do Globo. É consequentementeo oficial nas instituições, de ensino nas terras que os portugueses povoaram, colonizaram após do começo do século XV e quando se dá início à era da expansão.
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Expandiu-se, progressivamente pelas costas Ocidental de África, Índia, Costa do Coramendel, Ceilão, reino do Pegú, Ilhas Samatra, Molucas, China até ao Japão.
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Portugal, país de reduzida dimensão geográfica, fundado em Guimarães por Don Afonso Henriques em 1128, estendeu-se até ao Sul que banhado pelo Oceano Atlântico, o privilegiou com a varanda da Europa.
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A grei, composta de homens rudes e de alma generosa, nela surge um português ilustre: o Infante Dom Henrique.
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Fundou a Escola Náutica de Sagres que o coloca, sem qualquer contestação, numa figura humana de enorme dimensão que transformou completamente o Mundo, no século XVI, graças à sua persistência. O sonho do Infante foi concretizado após a sua morte: as Caravelas de Cristo já navegavam em todos os oceanos da terra.
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Mercadores, missionários, do Padroado Português do Oriente, conforme os mareantes lusos largam as âncoras das caravelas nas baías e enseadas nas costas das novas terras descobertas a civilização lusa juntamente com a fé cristã foi introduzida. 
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Com isto a lígua de Camões, que foi quatro séculos o meio de comunicação entre os países da Ásia, para o comércio, tratados entre países e relações bilaterias, missionários de crenças existente na Europa, a religião católica, em meados do século XVII, o protestantismo.
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A língua portuguesa no final do século XVI é falada desde a Madeira,descoberta em 1418, até ao remoto Japão.Os portugueses durante quase um século estão senhores absolutos do comércio do oriente, foi no espaço de 100 anos que milhares de pessoas aprenderam a falar o Português e assimilaram frases de lingua lusa às das suas raízes. 
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Em todos os portos da Ásia, onde os mercados e a comunidade luso-descendente se instalam, a língua portuguesa está, ali, a servir de meio de ligação entre a França, Inglaterra e a Holanda, quando estas nações começam a descobrir o "filão" das riquezas do Oriente.
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Era assim a importância do português em todo o continente asático: S. Francisco Xavier, o apóstolo das Indías, ao serviço da coroa portuguesa, em 1545 pede a Lisboa que lhe mandem missionários a falar a língua portuguesa. 
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A holanda e o Bantão (Indonésia), em 1596 assinam o primeiro Tratado de Paz e Comércio, cujo texto é redigido na língua portuguesa. Dois anos depois, Maurício de Nassau, regente dos Países Baixos foi portador de uma Credencial que o acreditava como Representante deste país. 
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Ainda neste mesmo ano (1598), os holandeses colocam uma inscrição pseudo-portuguesa na Ilha Maurícia. Um inglês, comerciante, em 1600 é chamado perante um Imperador do Japão e foi na língua portuguesa que se exprimiu.
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Os barcos ao serviço dos holandeses, nas viagens para o Oriente, levam intérpretes para a língua portuguesa. Frei Gaspar de S. Bernardino, em 1606, encontra no coração da Pérsia pessoas que falam o Português. 
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Mergui (Birmânia), onde viveu uma colónia, numerosa, portuguesa e porto de grande movimento marítimo, a língua lusa era a corrente entre a população local e a transitária. É assim a língua portuguesa o único meio de comunicação entre os povos da Ásia e o mundo ocidental.
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Ainda em 1911, os missionários holandeses tinhan por obrigação de ter conhecimento global do português nos territórios sob a tutela da Compania das Indias Orientais.
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Voltando ao início da introdução e depois de um século da língua portuguesa já estar firmada e enraizada por todos os países da Ásia,não pode ficar ignorado um estudo do prof. David Lopes sobre a expansão da língua lusa na Ásia: (1609). 
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As autoridades de Urtan (Ilha de Puloway, Samatra) mandaram a Keeling um mercador inglês que falava português com uma carta de um Almirante holandês em língua portuguesa.Muitos habitantes da Ilha de Mhélia (uma das Ilhas Comores) falavam português. (1620) Tratado de Paz e Comércio entre dinamarqueses e o Príncipe de Tanjor em espanhol-português e alemão. (1638).
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Os moradores de Comores, em frente de Ormúz, falavam português. (1639-1687). Em Batávia, as mulheres da sociedade e os escravos falavam português segundo N. De Graaf. (1646-1658).
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Os Reis do Ceilão correspondiam-se em português com os holandeses. (1647). O Governador da Ilha Célebes falava bem português, segundo o Padre Alexandre Rhodes. (1661). 
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A língua portuguesa é falada por quase todos os habitantes da Índia, segundo Schouten. (1675). Pregação em língua portuguesa na cidade de Batávia. (1679-1681). Os Reis de Aracão correspondiam-se em português com o Governador-geral da Batávia. (1686). 
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Os jesuitas franceses que iam para a China falaram em português – " que era a língua mais corrente no país" – com o Governador da Batávia, segundo o P. Tachard. (1689). Em Sião, os padres franceses pregavam em português, segundo o P. Tachard. (1698-1704). 
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A Companhia Inglesa das Índias obrigava os ministros da religião a aprender o português. (1708). O português, língua corrente em Batávia, segundo Valentyn. (1708). 
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Os pastores de língua malaia em Batávia representaram ao Governador geral e ao Conselho da Indias pedindo que o culto em língua malaia se fizesse na igreja portuguesa. (1709). 
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Grundler, missionário de Trangambar, afirma a grande utilidade da língua portuguesa para exerc´cio do seu ministério. (1711). A língua portuguesa é uma espécie de língua franca em todos os portos da Índia, segundo Lockyer.(1718). 
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Ma história da Princesa Bilibamba, o heroi principe chinês, fala português, segundo Biervillas. (1723). Indígenas das Ilhas das Ilhas de Nicobar que compreendiam o português. (1724, ou um pouco antes). A língua portuguesa é de uso corrente entre os europeus da Índia, segundo Hamilton"…(1)
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A Inglaterra e a Holanda procuram por todos os meios e preço tomarem o lugar aos portugueses na dominação do comércio do Oriente. 
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Os britânicos preferem a Índia, enquanto os holandese se estendem mais ao Sul, navegando nas àguas do mar de Andanam, passam o estreito de Malaca, conquistam esta praça aos portugueses, fixam-se em Samatra,Batávia e em todas as Ilhas do arquipélago que nos dias de hoje são pertença da Indonésia. 

A Dinamarca, com presença pouco significativa na Ásia, vão fazendo comércio e ocupam alguns portos da Costa do Coramandel, que não são mais que pontos de apoio logístico a sua navegação. A França deseja seguir as duas potências europeias e balançar,assim, já a dominada o comércio asiático, sem querer envolver-se em lutas. A Ásia é enorme e ali há muito que comprar e vender.
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Luis XIV, o Grande entronizado rei de França, na idade do "biberão", aos cinco anos. Um Rei menino e certamente influenciado pelos educadores da Corte, fazem dele um monarca déspota, amante de batalhas e pelas lutas em que França se envolveu, leva a nação a sofrer o revés da miséria.
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Luis XIV deseja colonizar apenas o reino do Sião e com o propósito da França ser o pêndulo da balança que pesava as forças inglesas na Índia e as holandesas na Indonésia.
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São os missonários jesuitas das Missões Estrangeiras de Paris encarregadas de fazer a exploração da costa marítima do Sião, referenciar os pontos estratégicos em modos de espionagem para depois os transmitirem-nos ao Rei Grande.
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Tal nunca viria acontecer dado que o Povo siamês deu conta da conspiração, deu-se um terrível massacre e com isto de missionários franceses já residentes em Ayuthaya. 
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Os que conseguiram escapar, meteram-se em barcos, navegaram pelo rio Mekong e refugiam-se em Phnom Penh, no Cambodja e mais tarde no Vietname e Laos que não tardou a colonizarem estres três países.
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A língua portuguesa não pode ser ignorada pelas três maiores potências europeias da época . Sabem os seus governantes que dela s terá de servir a sua gente como meio de comunicação, entre os povos das novas terras ocupadas.
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Os novos ocupantes da Índia,Ceilão,Pegú,Malaca e a Indonésia, não era com facilidade que poderiam assimilar as dezenas de dialetos falados no Oriente. O português já estava a ser falado em termos correctos nos portos de toda a Ásia e nos crioulos simplificados – indo-português e malaio-português- o usado nas trocas comerciais.
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São os franceses os que mais se servem da língua lusa em toda a Ásia e, aconteceu no Reino de Ayuthaya, onde a língua se tinha desenvolvido enormemente entre a comunidade lusa-descendente, no Bangue Portuguete (Aldeia dos Portugueses), com uma população a rondar as três mil pessoas. 
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Na outra margem do rio Chao Prya ou Menam, onde a comunidade portugueses vive,situa-se o Campo Japonês, cuja população é composta pelos cristãos perseguidos em Tenagashima e Negasaki pelo Imperador nipónico e os seus samurais.
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Para os perseguidos é preferível fugir do japão que renegar a fé que Francisco Xavier tinha introduzido no país do Sola Nascente há mais de um século e ficam assim juntos à comunidade portuguesa onde o calor espiritual da religião da católica os aconchegava.
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Lá viveu uma ilustre e corajosa senhora luso-descendente Maria de Guiomar, mulher virtuosa e possuidora de enorme generosidade que viria a contrarir matrimónio com Constantino Falcão, de nacionalidade grega, que mercê da inteligência de que é dotado chega a ocupar o lugar de primeiro-ministro na Corte do Rei Narai, do Sião.
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Os franceses utilizam Constantino Falcão, que falava e escrevia correctamente português, foi o intermediário entre estes e o Rei Narai. Os missionários jesuitas das Missões Estrangeiras de Paris, servem-se dele para que o Rei Narai se possa converter ao catolicismo com a introdução de clérigos na Corte e, tem de ser a língua portuguesa no meio de entendimento entre o Sião e a França.
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O Museu de Versalhes conserva nas suas gavetas numerosa correspondência escrita em língua portuguesa, sobre Tratados e outros relações entre a França e a Tailândia.
A grandeza dos factos caiem, igual, como os impérios!
A língua portuguesa está a extinguir-se no Oriente.
Depois de Moçambique e contornando a Costa da Índia até ao Japão, apenas se fala o português (não em toda a população) em Goa,Timor e Macau.
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A esperança que ainda nos resta, a língua de Camões, como oficial, em Timor a lembrar o passado histórico de mais de 500 anos.
José Martins
(1) David Lopes, Antologia da Historiografia Portuguesa II – De Herculano ao Nossos Dias, página 138 – Publicações Europa-América

A BÊNÇÃO DAS ÁGUAS


HISTÓRIA DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA

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Peça escrita em 2002 e inserida no www.aquimaria.com . Porém resolvi que deverá ser inserida esta e outras, no blogue

http://portugalnatailandia.blogspot.com, relativas à história de Portugal na Tailândia e da Expansão de Portugal na Ásia e Oriente a partir de 1498. Escrevi por amor e humildade.
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Andei pelos locais que calharam. Nunca desejei o meu trabalho de investigação só para mim. Distribui-o e auxiliei os que me procuraram. Agradeceram-me. Porém um que me procurou, que tanto o queria ajudar, traiu-me, miserávelmente, com infâmias. 
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Tal coisa nunca haja recebido, de ninguém, durante 24 anos que servi com toda a lealdade a Embaixada de Portugal em Banguecoque. Por último: "cá se fazem cá se pagam...!!!" Enquanto for vivo esse traidor, chantagista, NÃO PASSARÁ. A razão sempre esteve pelo lado dos homens bons. Eu sou isso.
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Portugal na TailândiA
Na Peugada dos Portugueses
A Bênção das Águas

No passado mês de Setembro choveu torrencialmente por toda a Tailândia. Advinhei que o rio Chao Praiá iria transbordar e as terras baixas de Ayutthaya (Aiútaia) iriam ser alagadas e consequentemente as escavações da Paróquia de São Domingos no “Ban Portuguet”. Em Banguecoque os barcos já navegavam a um metro e meio de altura do solo do jardim da Embaixada de Portugal, este protegido com um forte muro de uns 60 centímetros, de largura, para evitar infiltrações.
 

Ruas nas duas margens da cidade de Banguecoque, durante a maré cheias no Golfo da Tailândia, ficaram completamente inundadas com as entradas das casas, empilhadas, com sacos de areia. Entretanto as bombas,mecânicas e eléctricas de saída de grande caudal, nas margens, frenéticamente projectam gigantescos jorros de água para o Chao Praiá. A vida na cidade segue igual sem mudança do viver quotidiano ou alarmes. A benção das águas que trás fartura à Tailândia.
 

Não escondia a minha preocupação sobre o que se estaria a passar na Paróquia de São Domingos no "Ban Portuguet". Os jornais de Banguecoque, havia uns oito dias, antes, mostravam fotos, nas primeiras páginas, da cheia e os inconvenientes na população nas margens dos três rios de Aiútaia: Chao Praiá, Pasak, vindo das terras do antigo império Khmer e o Lopburi, um pouco mais, ao Norte do nordestino Pasak. Rios, com larga história, por eles navegaram, reis, exércitos, mercadores e piratas sem conta


O nosso Fernão Mendes Pinto nos conta histórias, maravilhosas aventuras nesses três rios, cujas àguas o levaram a conhecer as terras dos Khmers, os Reinos de Chiang Mai, Lampang, Lumpum que nos dão conta de factos históricos, contados com uma simplicidade impressionante . Destes relatos foi extraída o filme, épico, de mais de três horas de exibição, da Rainha Suriyothai, que disfarçada de homem lutou,para salvar a honra da morte de seu marido, contra o Rei de Pegú. 
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Suriyothai é hoje um símbolo da resistência e luta da mulher tailandesa. A sua memória, além da grande metragem do realizador Principe Chatri Chalerm Yukol ficará para sempre, num monumento, dourado, junto ao palácio onde viveu e na margem do Chao Praiá.
 
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Parti de Banguecoque ao fim da tarde de sexta feira, o trafego automóvel começava a empapar as ruas da Cidade dos Anjos e, ziguezaguiando por todos os espaços disponíveis entrei na auto-estrada que me levaria, passado uma hora e vinte minutos, à segunda capital que foi da Tailândia, Ayutthaya. A cidade da minha paixão, dos meus amores e quando nela vivo, por uns dias, sinto-me como se em Portugal estivesse.
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Alguém me disse, um dia, que eu tinha vivido no Campo Português há séculos quando ali existiu uma comunidade portuguesa que chegou atingir uma três mil almas lusas e tailandesas. Bem, quem mo afirmou professa a religião budista e dentro da sua credibilidade que depois da morte existe a reencarnação. Não acreditei tão-pouco desacreditei o pensamento da senhora devota de sua Santidade o Lorde Buda.
 

Mas imaginei que se assim tivesse sido, certamente, teria sido amigo do Fernão Mendes Pinto, colocado à distância o pirata António Faria; abominar o “Galego” ao serviço do Rei do Pegú que por algumas vezes o fizemos dar às “Vila de Diogo” para lá das paliçadas, que fortificavam Ayuthaya, quando eu e o Pinto fomos camaradas de espingardas, arcabuses e artilharia pesada ao serviço de Sua Majestade o Rei do Sião.
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E, quando eu e o Pinto fomos artilheiros de peças de boca larga, no fortim do porto internacional de Pom Phet e, sem a suspeita de piratas e peguanos nas águas, rumavamos de almadia até ao Ban Portuguete onde ali viviam duas siamesas que por elas nós arrastavamos a asa. 


Mas depois da visita aos nossos dois amores, sempre haveria, a
cavaqueira com os colegas, de folga, guardas do palácio real, de sua Majestade o Rei de Ayutthaya e uma caneca, de bambú, cheia vinho português, meio avinagrado, que o missionário dominicano nos oferecia, dentro de uma botelha trazida da dispensa e nos afagava as saudades da pátria lusa.
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Ainda não eram 5 da tarde quando me acomodei no Grande Hotel de Ayuthaya. Não se pense, por aí, que sou um maníaco dos hotels de 5 estrelas, isto porque não dá o magro salário, mensal, para tamanha estravagância. A primeira frase do nome do hotel “grande” mede-se pelo tamanho e não pelo luxo cuja diária estás nos 600 bates (tailandeses) que em euros fica por menos de uns 15.
 

Quando viajo para Aiútaia senti-me pássaro fora da gaiola. Depois de abrir a janela do meu quarto do hotel, vislumbrei os campos de arroz alagados, onde a verde estava submersos, para além da margem do rio Chao Praiá.
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Os templos budistas com os pinos, sagrados, a espelhar na àgua na movimentação do sol na rota do poente. “Bargues” ,mergulhadas na água até ao convés navegam puxadas por um reboque que delizam ora para uma margem depois para outra para vencer a força da corrente da época das chuvas. 
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Um reboque,puxando três negras e enormes embarcações metálicas, o piloto atreveu-se a passar debaixo da ponte e encalhou a primeira no tabuleiro. Há que esperar que a maré desça e siga o norte.
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Antes do pôr do sol, fui dar uma espreitadela à outra banda do rio e no Campo Japonês, Yamada, onde pouco depois de os missionários dominicanos se terem instalados, os cristãos japaneses e convertidos por Francisco Xavier, perseguidos pelos samurais fixaram-se, em frente ao Ban Portuguet, onde poderam praticar livremente o catolicismo e conviver espiritualmente com a comunidade, cristã, portuguesas.
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Ali, embora não haja documentos que nos afirmem a veracidade, se crê ter nascido a lusa/japonesa Maria Guiomar, senhora de uma extrema honorabilidade que bem pode ser, sem favor algum, um símbolo da lusa/descendência em toda a Ásia. Católica ferverosa, esposa do grego Constantino Falcão, personalidade influente na Corte do Rei Narai, em Lopburi e aproveitado pelos enviados de Luis XIV de França, cujos desígnios seria o de colonizar o Reino do Sião.
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Custou ao Falcão o ter servido o Rei do Sião e o França a morte por degolaments. Maria, durante a sua viuvez e com filhos, foi cozinheira da Corte e deixou na Tailândia, várias especialidades de doçaria portuguesa e a mais popular é o fio de ovos.
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Do Campo Yamada olhei o ancoradoiro submerso e apenas via o cimo da armadura com bandeiras do Vaticano e da Tailândia. Mirei e remirei de todos ângulos o pedaço de Portugal em Ayutthaya. Fiquei mais ou menos tranquilo porque atrás daquela forte corrente de água lodosa, havia algo que me indicava que a área estava protegida.
 
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Viajei, depois, como em peregrinação e romagem,habitual ao “Ban Portuguet” onde por 250 anos viveu uma comunidade lusa/tailandesa a duas braçadas de barco, do Yamada, mas a uns 12 quilómetros por estrada.
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Encontrei os lados da via,reforçadas com um muro de terra e sacos de areia nas entradas para as casas. Moradias penduradas em estacas, de madeira, mergulhadas até à varanda. Os moradores, permaneciam nas bermas da estrada, pescando e, como as cheias além de trazer incovenientes, também, trazem fartura, de colheitas, muito peixe e pesca abundante.
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Pelo caminho e antes de atingir o Campo Português passei junto ao espaço da comunidade muçulmana de origem malasiana, residente, praticamente, desde a fundação de Ayuthaya em 1350. A tolerância dos Reis da Tailândia permitiu que étnias de credos diferentes vivessem no seu reino dentro da maior harmonia.
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Os seguidores de Muhammed, os homens, em grupos, conversavam na borda da estrada, o gado bovino, rumina a palha seca em cima de pequenos montes, enquanto que os búfalos de água repousam, mergulhados no grande lago,fugindo, assim às picadelas dos insectos.
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A miudagem, de barretes brancos, na cabeça, brincam por ali chutando a água enquanto outros, em cima de uma pequena canoa de plástico lançam fios com anzol pendurados numa vara para pescar algum peixito.  
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As mulheres preparam a ceia. Mais além e junto à margem do Chao Praiá a mesquita, a casa de oração está com água até ao meio das paredes.
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Nesta minha ida, ao Ban Portuguet não observei a tradicional vida campesina das gentes tais; trabalhando dentro do mesmo método do princípo da fundação do Reino de Ayuthaya pelo Rei U-Thong. As mulheres de pele tisnada, na monda do arroz ou na apanha da batata doce,dos amendoins, dos lótos de flor branca para vender no mercado e o ornamento dos altares do Deus Buda aguardavam por ali esperando que o rio desça o nível da água.
 

Todo o mundo campesino, as casas das almas que protegem os frutos dos campos, das almas penadas que vagueam na noite quedam-se por esses altares a comer algo que ali foi colocado por aqueles que acreditam no sobrenatural. Quedavam-se submerso e sob a benção das cheias do Chao Praiá que fará fartas as novas colheitas.
 
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A dois quilómetros da área muçulmana está o Ban Portuguet. Á entrada e onde está uma placa, que perpetuará por várias gerações, a Obra que foi iniciada pelo Embaixador Melo Gouveia, em 1982 e o Doutor José Blanco Administrador Fundação Calouste Gulbenkian, cujo parte de dois financiamentos pertenceram à Gulbenkian que duou um montante muito significativo, em dólares que permitiu que o passado de Portugal no Antigo Reino do Sião esteja vivo.
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Junto a essa placa uns poucos católicos do campo,conversavam, esperando que as águas do Chao Praiá desçam e as suas vidas volte à normalidade.Gente que me é familiar há 20 anos.
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Não pode ficar de forma alguma esquecido o contributo e o entusiasmo nas escavações do Ban Portuguet do Governo da Tailândia que através do Departamento de Belas Artes (Fine Arts Department). 
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Nele estiveram envolvidos dezenas de estudantes, universitários, de arqueologia animados impressionantemente no projecto e o Arquitecto Eduardo Kol de Carvalho (Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Tóquio) que foi um dos grandes animadores na reconstituição da Igreja de São de Domingos.
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Encontrei o Ban Portuguet protegido da bênção das águas. Uma barreira de peças de cimento, longitudinais, em forma de cutelo encaixavam numa fenda aberta a toda a largura do campo que não permitia força imparável da corrente do Chao Praiá penetrar com campo e no cemitério,coberto, onde descansam os ossos de lusos/tailandeses que viveram e morreram em Ayutthaya.
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Dois homens, os guardadores das águas, estavam por ali a tomar conta de duas pequenas bombas e escoando, penetrando da grandeza do caudal, uns pingos que entraram, talvez, pelas rotas das topeiras.Cheguei ao Grande Hotel de Ayutthaya junto às 8 da noite.
 
Procurei a esplanada “bargue”/restaurante para jantar. À minha frente estava o porto internacional de Pom Phet. Via as luzes das almadias navegavam do fortim, portuguessímo, Pom Phet para o templo que ficava no outra margem do Pasak.
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Levei, comigo, de Banguecoque uma garrafa de tinto e um sacarrolhas para abrir a Grão Vasco e acompanhar com o nectar do Dão, meia dúsia de lagostins, do Chao Praiá, grelhados, pela módica quantia de 140 bates, uns 6 euros.
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Ao fim da ceia. em cima do Chao Praiá estava alegre, não só pelos 75 centilitros do tinto ingeridos mas também pela beleza que tinha observado durante o fim da tarde em Ayutthaya.
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Debaixo da minha fantasia imaginei o meu camarada de armas Fernão Mendes Pinto, caminhando em direcção à paliçada Pom Phet onde o luar da noite fazia brilhar, as ameias lusas, espelhando-as na água que cobria a pequena parada.
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Mais tarde o baluarte é modernizado e arquitectado, na década de 1660, pelo missionário,Jesuita, do Padroado Português do Oriente, Tomás de Valguarnera. 
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Hoje conservado e conhecido como uma peça de defesa, de raizes lusas, em Ayutthaya e guardião do porto de Pom Phet contra a infiltração de piratas, o controle das navegações do Chao Praiá e na defesa dos exércitos, invasores, peguanos.
José Martins
Ayutthaya, 13 Outubro de 2002.

PROFANAÇÃO - OS MORTOS TAMBÉM SE ABATEM

Saturday, April 05, 2008


1988 - Cemitério da Silom road. O centro da cidade de Banguecoque começa a crescer e nunca mais parou.

1989 - Era assim a adoração dos mortos no dia Todos-os-Santos. Padres e freiras misturavam-se na multidão
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Os mortos também se abatem! Eles os mortos são parte da história de um Povo. Mas os vivos, que serão mortos, tarde ou cedo, esquecem-se da lei vida e o que se lhe depara pela frente para alimentar as suas ambições destroiem: "cemitérios, fazem segundos funerais às ossadas (sem pompa ou acompanhamento) encaixotando-os em pequenos "caixõezinhos" de zinco e zarpam para outras paragens". 
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Vou referir-me aos três cemitérios sitiados logo após a cidade de Banguecoque ter nascido (mais ou menos) nos anos de 1782.


1988-Padre benze com água benta os túmulos, enquanto familiares dos mortos lhe prestam homenagem
 Cemitérios para a comunidade estrangeira que compreendia a de sangues caldeados, os ateus, católicos, protestantes e confucinanos (chineses). Parcelas oferecida por Sua Majestade o Rei Rama I. 
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Referirei que os Reis do Sião em Ayuthaya e depois na era de Banguecoque, desde a fundação do Reino usaram o sistema de doação, às comunidades estrangeiras, parcelas de terrenos para residirem, praticarem o culto de seus credos e viveram em paz. Porém tiverem o cuidado de alojar as comunidades em locais distintos. 
1990- Mausoléus de portugueses que representaram Portugal no Reino do Sião
 
Isto o vamos encontrar na velha Ayuthaya, onde cada comunidade era proprietária de uma parcela separada de outras comunidades. Os mapas de Ayuthaya bem conta nos dão que assim era. O Ban Portuguete e o banes chineses (com dois campos em lado opostos e junto às margens do rio Chao Praya) foram as parcelas com maior dimensão dado que era as duas comunidades mais populosas na velha capital. 
Os banes holandês e japonês eram os de menor dimensão. O ban dos franceses (Campo de S. José) embora com alguma dimensão ficavam muito aquém da área do Bangue Portuguete. 
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Os franceses quando se instalaram em Ayuthaya já os portugueses ali estavam fixados havia cerca de 130 anos. As três paróquias do Ban Portuguete (embora só se conheça um cemitério o da paróquia de S.Domingos), acreditamos que a Igreja de S.Paulo (dos jesuítas) e de S.Francisco (dos franciscanos) tiveram os seus cemitérios no adro da igreja, segundo os usos e costumes era ali que os defuntos e os padres eram enterrados.

Cenas "macabras" de fazer arripiar. Um filme real de terror

Com a caída da velha capital em 1767, a comunidade portuguesa, chinesa e malaia (outras comunidades estrangeiras não havia na altura), deslocadas para Banguecoque é lhes doado os próprios terrenos para viverem. 
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A comunidade lusa/tailandesa nos Campos de Santa Cruz e da Senhora do Rosário reservaram um terreno, junto à igreja, para enterrar os seus mortos. 
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O Campo Português da Imaculada Conceição já tinha o seu cemitério há muitos anos dado que antes de Ayuthaya ter caído (1767) o campo já ali se encontrava há mais de cem anos. 
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A cidade de Banguecoque na década de quarenta do século XIX e o aparecimento das navegações a vapor contribuiu para que a cidade começasse a crescer, urbanisticamente e a desenvolver-se comercialmente. 
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O Reino do Sião, assim se pode considerar era um país virgem e muito havia para comprar. Madeiras de Teca, marfim, arroz, cera estanho e muitos outros produtos da terra em abundância.


 
Um automóvel estaciona entre os caixões escaqueirados e túmulos abertos

A cidade começa a crescer a partir da área onde existe há 188 anos a Embaixada de Portugal. A comunidade estrangeira instala nas redondezas os seus escritório de representações, o Governo os Correios Gerais; os serviços de alfândega na margem do Chao Praya, instalam-se os bancos e construídos novos hoteis. 
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A área de negócios situa-se num comprimento de mais ou menos de uns 400 metros que vai desde o cruzamento da Phayathai Road com a Chalerm Krung até ao encontro na bifurcação com a Silom Road. 
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A comunidade estrangeira, constroi ou aluga residências não muito distante da parte comercial: Suriwong Road, Silom e Sathorn. Nessa altura a esperança de vida das pessoas, fossem tailandesas ou estrangeiras, era demasiada curta e felizes eram os que passavam os cinquenta anos. 
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A insalubridade do local onde as pessoas viviam dava-lhes ao estarem sujeitas malària outras moléstias dos climas tropicais e às constantes epidemias.

Os martelos, profanadores, dos túmulos. Parte os últimos que pertenceram aos cônsules Leopoldo Luis Flores e o Dr. Joaquim Campos.

O Rei do Sião oferece os terrenos à comunidade estrangeira para enterrar os seus mortos. À de religião protestante, oferece-lhes um largo terreno a uns quatro centos metros ao sul do centro comercial (ainda existente e junto ao Hotel Menam); à católica do Vaticano, ortodoxa e chinesa oferece-lhe ao nordeste e a uns 400 metros do centro comercial , antigo, uma larga parcela. Área, na altura, que eram campos devolutos ou de cultivo. Actualmente o Banguecoque moderno de altas torres de cimento.

Túmulos de luso-descendentes que tiveram a mesma sorte de profanação de outros.

No conhecido Cemitério da Silom Road, ainda sou do tempo que alí se enterrava gente, a celebração das cerimónias do Dia de Todos os Santos, com a família dos defuntos a colocarem flores nos mausoléus e túmulos dos familiares que partiram para o outro mundo. 
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Abri o portão de ferro muitas vezes e o visitei. Lá dormiam pessoas cujas lápides designavam nomes genuinamente portugueses. 
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Eu entrava ali como forma de prestar homenagem póstuma a gente que nunca tinha conhecido e só mais tarde, nos arquivos da embaixada de Portugal vim a saber a que famílias tinham pertencido.

 
Uma cruz que já não é cruz nenhuma e não mais orquídias orvalhadas no cemitério da Silom road

Essas minhas visitas é uma componente do portuguesismo que segue dentro de mim... Isto porque, o patriota, quem não se sente não é filho de boa Pátria. 
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E eu sou-o sem andar em busca de "mordomias" ou de festinhas hipócritas, de sorrisos exteriores e amarelos interiormente.  
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Morei por um ano, num sétimo andar de um prédio de 23 andares e pegado ao Cemitério da Silom. Recolhi imagens de funerais e de gente a ocupar-se nos arranjos dos túmulos e a colocarem-lhe flores de orquídias frescas. 
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Logo à entrada havia várias campas de luso/tailandeses e três mausoléus: um da família Xavier e dois dos cônsules de Portugal, Luis Leopoldo Flores e do Dr. Joaquim Campos
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No mausolém da família Xavier, dentro dormia uma família inteira e o Celestino que tinha sido uma individualidade grada no no Governo do reinado do Rei Chulalongkorn. 
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O do cônsul Flores absolutamente abandonado e o epitáfio no interior as letras apagadas. Comprei uma "mark pen" e avivei as letras. 
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O do Joaquim Campos, um mausoléu, que alguém, o mandou construir de cimento misturado com granito miúdo e muito bem conservado, apenas as letras do epitáfio apagadas e avivei-as.

Levei o embaixador Lima Pimentel para ver o "massacre" dos mortos. Só restavam dois mausoléus para destruir. Graças ao meu alarido os restos mortais dos cônsules de Portugal, tiveram um destino com alguma dignidade . mas que duvido até quando... Foto do lado direito junto às urnas de zinco com as ossadas dos dois cõnsules depois e ter assistido à exumação no dia 26 de Dezembro de 2004.
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Aquelas duas pessoas, portuguesas, falecidas tinham sido representantes de Portugal no Reino do Sião e mereciam-me respeito. 
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Mudei-me da torre onde vivia e a portas do Cemitério da Silom. Mas um dia, passei à beira, abri o portão e dei com um espectáculo macabro e bem digno daqueles filmes de terror do "Frankstain". 
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Urnas partidas e fora da caixa do cimento que tinham sido túmulos e um cheiro, nauseabundo, a cadáveres. A cal ainda não tinha dessecado os restos corporais daqueles (que julguei) os desgraçados dos mortos e que os vivos como abutres entraram nas catacumbas do seu descanso e as violaram. 
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Os mortos como os vivos têm o direito, mesmo defuntos, de viver na paz dos mortos. Porém eu tinha que salvar dois mortos e alertei o embaixador Lima Pimentel do "massacre". Enviou uma nota verbal à embaixada da Santa Sé em Banguecoque. 
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Um funcionário (creio diplomata) de batina entendeu-se com o embaixador e acertaram que as ossadas seriam exumadas e levadas para o cemitério novo (propriedade da igreja católica para a província de Nakon Pathon) e lá seriam construídos os túmulos igualzinhos como estavam no cemitério da Silom. 
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De facto estão lá mas não estão no lugar que deveriam estar... Mas escondidos e difícil (para quem não saber como eu sei) os encontrar. O terreno dos "mortos" ainda se encontra sem qualquer construção... Não sei aquilo que se passa... 
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Me parece que os mortos se vingaram, da profanação levada acabo pela "poderosa" Igreja Católica e embargaram o projecto de uma catedral ou de uma escola, porque desde há quatro anos a "terra dos mortos" tomada pelos vivos ainda se encontra devoluta.
José Martins
P.S. Voltarei ao assunto em outra altura

3 comments:

  1. amigo JOSÉ MARTINS,que bela reportagem que o senhor colocou ao dispor dos leitores fiquei muito impressionado com a sua atitude de salvagurdar os restos que sobravam dos consulos portugueses. Você é mesmo um beirão com muita força obrigado,LUIS NA COSTA DA CAPARICA
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  2. Amigo Luis,
    Continuo agradecer-lhe por ler a minha prosa
    Abraço