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sábado, 22 de junho de 2013

VISITA DE RAMA V DO SIÃO A PORTUGAL



 
O Rei Chulalongkorn do Sião Visitou Portugal
Introdução
(1ª parte)
 Quatro Reis do Sião, durante os seus reinados e,  pela  orientação do Povo siamês tornaram-se   grandes vulgos no decurso de  dinastias, reinantes, em Aiutaá e depois em Banguecoque.   S.M’s. os  Reis: Narai, Mongkut, (Rama IV) Chulalongkorn (Rama V) e Bhumidol Adulyadej, Rama IX (monarca, actual, reinante) cujo  sucesso de desenvolvimento económico e harmonização social da Tailândia a eles se lhes deve. No final do século VXII o Rei Narai inicia as relações internacionais, em larga escala, principalmente com a corte de Luis XIV de França. Embora, estas, não tenham tido grande sucesso a porta  ficou  aberta para que os outros  monarcas, seus sucessores,  lhe seguissem  a linha de pensamento.
 Os súbditos do Rei de França,Luis XIV,  enviados para o Sião (inclusivamente uma Missão Diplomata francesa à corte de Narai), tinha em mente que o encetamento de relações teria, como o propósito de colonizar o território (aliás como viria mais tarde, acontecer, a colonialização do Cambodja, Laos e Vietname).  A dinastia como título genérico adopta  nome Rama.  Rama I, depois da queda de Aiutaá, em 1767,  doou a Portugal em 1782,  uma larga parcela de terreno, nas margens do rio Chao Praiá,em Banguecoque, para construir Feitoria, residência para o Feitor, doca para construir e reparar navios e, também como intermediário para  criar relações comerciais com países ocidentais.  No terreno (onde mais tarde foi construída a “Nobre Casa” e  residência do Chefe-de-Missão) foi edificada  uma construção de  tábuas e bambús e, esta, vai servir  de acolhimento, por cerca de 60 anos, a feitores e cônsules de Portugal.   
 
Rama I  seguindo o pensamento e orientação do Rei Narai pretende  que Portugal seja o país de interligação entre o Reino do Sião e o mundo ocidental para activar as relações internacionais e comerciais e  que, infelizmente, tal coisa nunca viria  acontecer. 
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Portugal tem um império imenso para  administrar,  a invasões napoleónicas, a instalação da Corte Portuguesa do Brasil faz com  que os cônsules (nomeados pelos Governadores de Goa ou Macau), por falta de meios e vivendo com todo o género de carências, entra assim a Feitoria num estado de melancolia; uma barraca , erguida, em paus de bambú, onde os representantes, portugueses,  em dificuldades e em estado, de pobreza, foram dividindo, em parcelas, o terreno;  alugando-as a firmas para nelas construirem armazéns e, estes servirem para o escoamento e armazenamento das mercadorias vindas e idas através do Rio Cha Praiá, o principal meio de comunicação em Banguecoque.
O Rei Phra Phutthaloetla (Rama II), em 1820, oficialmente, procede à  doação do terreno, com grande cerimonial e protocolar,  no Brigue S.João Baptista. O Reino do Sião e dada às enormes riquezas existentes , países da Europa e os Estados Unidos da América firmam relações comerciais, de amizade e navegação, com a assinatura de acordos afim de iniciarem as permutas de mercadorias.  A rotina constante da chegada e partida de barcos de países, estrangeiros,  é já um facto corrente.  O Porto Internacional de Banguecoque está a jusante e  a pouco mais de uns três quilómetros da Feitoria de Portugal.  Em 1851 é intronizado o Rei Pra Chomklao Mongkut (Rama IV), monarca de uma inteligência rarissima e para que o Reino do Sião progrida há necessidade que ele  se exprima  na língua inglesa; os seus filhos, Príncipes Reais e individualidades, próximas, da sua Corte.
O Rei Mongkut contrata, para ensinar a língua inglesa na corte a professora Ana Leonowens (que mais tarde, com fantasia, imaginativa e no propósito de sensabilizar os leitores e vender as suas novelas, em 1872, é colocada à venda  “ O Romance do Harem”). A novela nos Estados Unidos da América,  causou sensação e, embora,  a vivência da Corte do Rei Mongkut não seja a realidada do descrito pela Ana Leonowens, não deixa porém de contribuir para que o Reino do Sião passe, através da prosa da novelista, para o contexto de uma das nações, mais conhecidas, da Ásia,  no mundo da época.  Não corresponde à verdade as narrações, de prodigiosa imaginação, da Ana Leonowens sobre a realidade daquilo que se passava dentro dos muros do palácio real.
 O Rei Mongkut escreve e fala correctamente inglês, trava correspondência, diplomática, com o Presidente dos Estados Undios da América, Abraão Lincon e a Rainha Vitória de Inglaterra.  Em 15 de Novembro de 1868, às cinco da tarde, o Rei Mongkut morreu de malária, conhecida, no Sião, como por “febre da água negra”. Rei morto Rei posto e com isto ocupa lugar o seu filho, o  Princípe Herdeiro, Chulalongkorn, e a quém se deve o progresso da Tailândia moderna de hoje.  Chulalongkorn tem apenas 15 anos quando foi entronizado Rei do Sião.  O jovem monarca aproveitou bem os ensinamentos de seu Pai e, reinando, vai concluir o sonho e a Obra do Rei Mongkut fazendo do Reino do Sião um país  moderno; progressivo  e, a continuação da unificação do povo siamês.  Chulalongkorn  governa o Sião 42 anos e 23 dias (1868/1910).
Durante o seu reinado é abolida a escravatura, são iniciados e levados em frente muitos projectos e entre eles a organização do sistema administrativo e jurídico do reino comparável ao dos países do ocidente. Promove o ensino de línguas estrangeiras no Sião; cria instituições onde se destaca a Cruz Vermelha Internacional; são abertos troços de linha férrea que permite ligar o Sião a Singapura numa distância de 3.000 quilómetros; uma central dos correios e telégrafo; abertas ruas e novas canais de navegação dentro da capital.  O Rei Chulalongkorn sabe muito bem que a cobiça, estrangeira, para a colonizar o Sião existe e, isso foi-lhe lhe transmitido pelo seu Pai o Rei Mongkut:
 
< O Sião tem desenvolvido e criado estabilidade política o que para que isso aconteça temos usado a nossa, já criada, experiência diplomática e mantido o compromisso de levarmos, em frente, a não-confrontação com as nações ocidentais de que, com isto, temos mantido a nossa soberania>>. 
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Além do monarca ser um conciliador e um orientador nato dos seus súbditos é um excelente diplomata.   No início de sua governação, monárquica, leva a cabo várias visitas, de cortesia a Java,Singapura, Índia e Birmânia (colónias de Inglaterra e Holanda) para que depois  adapte, o que melhor lhe parecer dentro dos sistemas governativos, desses territórios, para a administração do Sião. Mais tarde envia os seus filhos, príncipes, estudar para a Inglaterra, França e Rússia para que, depois da formação intelectual; das artes militares, relacionamente com o exterior e ao regressarem ao Sião, com os conhecimentos, pormenorizadas, adquiridos  poderem  dar a continuidade das reformas, iniciadas pelo avô o Rei Mongkut e seguidas pelo pai o Rei Chulalongkorn. 

Visita os países seguintes:
1ª  Singapura e Java de 9 de Março de 1870 a 15 de Abril de 1871;
2ª Singapura e cidades da costa do Oeste de 3 Novembro a 31 de Dezembro de 1871;
3ª Índia e Birmânia de 18 de Dezembro de 1872 a 15 de Março de 1873;
4ª Cidades da costa do Oeste, Singapura, Java e Penangue de 16 de Abril a 16 de Junho de 1890;
5ª Singapura e Java de 9 de Maio a 26 de Agsoto de 1896;
6ª Europa de 7 de Abril a 16 de Dezembro de 1897;
7ª Java 5 de Maio a 24 de Junho de 1901;
8ª Singapura de 20 de Fevereiro a 2 de Março de 1901;
9ª Europa 27 de Março de 1906 a 17 de Novembro de 1907.
 
O Rei Chulalongkorn visitou Portugal em 21 de Outubro de 1897
 O “Diário de Notícias” de sexta feira do dia 22 de Outubro de 1897, na primeira página (embora esta despida de fotografias, como se compreende), dá realce à chegada a Lisboa  do monarca siamês.  O reporter que fez a cobertura da chegada de sua Majestade o Rei do Sião abre a peça nos termos seguintes:                                   
<< A hospitalidade era um dever sagrado entre alguns povos antigos e se não tem hoje o mesmo caracter religioso, a civilização moderna, inscreve-a egualmente entre os primeiros artigos do seu código.  O Rei do Siam é nosso hospede e bastava esta circumstância para lhe tributarmos a nossa respeitosa homenagem como homem, quando a não merecesse oficialmente como chefe de uma nação, com quem há quatro seculos temos mantido, desde o começo, a mais cordeaes relações de amizade.  O Reino do Siam é um potentado que mais depressa deram o seu aperto de mão aos representantes da nossa soberania nas luminosas regiões do Oriente>>. 
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O jornalista, a seguir descreve a conquista de Malaca por Afonso de Albuquerque, e dá realce  aos feitos do guerreiro e diplomata e, continua a sua narrativa: 
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<< O Rei do Siam não podia escapar à vista perspicaz de Affonso de Albuquerque e por isso deliberou enviar-lhe uma embaixada, de que incumbiu Simão de Miranda de Azevedo, que se preparou muito bem para o desempenho d’esta missão, levando comsigo, para seu acompanhamento, seis homens de sua escolha, ataviados e concertados com elle. 
A dadiva de Affonso de Albuquerque consistia n’umas couraças de setim cramesim, e n’um capacete guarnecido. Pequena, mas significativa amostra da nossa coragem e da nossa audacia. 
Ide – disse o egregio capitão a Simão de Miranda – e affirmae a el-rei que lhe não mando senão as joias que tenho de que mais preso: são as armas com que puno e subjugo a perfidia e rebellião dos meus adversaries, e com as quaes defendo a lealdade de os meus amigos>>. 
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E continuando o reporter:       
<< Quatro seculos decorreram depois d’estes extraordinarios acontecimentos, mas  o ecco do nosso heroismo ainda não se apagou de todo no Oriente e se o rei do Siam conserva a sua memoria as tradições do seu país, é justa a justificada a sua curiosidade de visitar um povo pequeno, que todavia fez tão grande cousas. Talvez vendo-nos de perto ache pigmeus os que a historia lhe pintava gigantes>>.
Lisboa, veste-se de gala na manhã de 21 de Outubro de céu límpido e azul; de colchas nas varandas e janelas; o colorido das roupas das damas da época debruçadas nos seus peitoris.  O movimento das carruagens, o roído das marchas militares, o povo a encher as margens   das ruas e lá para trás os aguadeiros e, as mulheres, vendedeiras de fava rica, tremoços, azeitonas procurando fazer o seu negócio de rua. 
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O Comissário Teixeira, garboso, aprumado com os amarelos da sua farda, luzídios, que o faxina, ainda não tinha começado aclarar o dia os tinha polido com toda a destreza; ia dando ordens ao seu pelotão para que mantivessem o público  bem enfileirado para quando S.M. o Rei do Sião por ali passasse e, que fosse fechado o trânsito aos “burricos”, carroças e carruagens para que o trajecto ficasse limpo.   
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No largo de Camões e Rocio tomava a formatura as brigadas de cavalaria compostas de: Lanceiros 2, Cavalaria 4, e na rua Augusta tomava posição a Marinha em grande garbo marcial, juntamente com a Engenharia e Infantaria 5.  
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O Terreiro do Paço ficou por conta de Artilharia 1, a quem estava incumbida a salva de 21 tiros, de quando a passagem de S.M. o Rei do Sião. Infantaria 2 e 7 perfilou na rua do Ouro; Caçadores 2 na rua Nova do Almada; Infantaria 16 no Chiado e a guarda municipal na rua Paiva de Andrada até ao Hotel Braganza onde o Rei e sua comitiva ficariam hospedados.  O Rei do Sião chegou de comboio à estação do Rocio e, às nove da manhã uma multidão aglomerava-se na gare, com muitas senhores, presentes, membros da nobreza,  funcionalismo público e oficiais dos três ramos das Forças Armadas.  
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Há euforia dentro e fora da gare e alguma impaciência pela chegada do Rei do Sião quando entretanto chegou o Rei D.Carlos e tocado o hino nacional. O soberano português é seguido pelos membros dos ministérios, corpo diplomático, casa militar e civil, oficiais de todas as armas. 
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Às onze e cinco minutos a máquina a vapor número 92 composta de salão real, dois salões, carruagem salão, duas de primeira classe e uma mista estaciona na estação do Rocio. Altas individualidades dos Caminhos de Ferro Portugueses acompanharam o Rei do Sião, inclusivamente, desde Sevilha o engenheiro D. Carlos Vasque, chefe de divisão de via e obras dos Caminhos de Ferro,desde Madrid, Saragoça e Alicante.  O soberano siamês vestia uniforme branco e ouro e capacete igualmente branco e depois de deixar a carruagem real dirigiu-se ao Rei D. Carlos.  
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Abraçaram-se e o monarca português deu-lhe as boas vindas na língua inglesa ao que na mesma língua Chulalongkorn lhe agradeceu na mesma língua. O Rei do Sião vinha acompanhado de seus filhos princípes e comitiva. O público que assistia à chegada do monarca, queda-se eufórico, quer romper os cordões da polícia para ver de perto o Rei do Sião e, a muito, custo lá conseguiu o chefe Amorim amenizar o tamanho entusiasmo. 
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Os cumprimentos de boas vindas demoraram cerca de meia hora e findos estes os dois Reis, Príncipes, comitiva real, membros do Governo tomaram lugar nos elevadores “Edoux”, descendo ao pavimento inferior da estação, onde ali o povo foi difícil de conter pela polícia.
 
O Cortejo
<< Abria o prestito a cavalaria da guarda municipal que produzia um circuíto deslumbrante pela forma como se apresentou, seguindo-se-lhe dois postilhões da casa real; em seguida marciavam-se duas carruagens particulares: uma conduzindo os srs marques de Fronteira, D. Antonio Paraty e outro camarista, e outra com pessoas da comitiva siameza; seguiam-se dois coches puchados a 3 parelhas com a casa militar do rei do Siam; outro coche a 3 parelhas com o Sr. Conde de Villa Nova da Cerveira, coronel Duval Telles e capitão Lacerda, seguindo no coice o coche de gala puchado a 4 parelhas, onde tomavam logar el rei D.Carlos, o rei Chulalongkou e os principes de Siam. A’ estribeira ia o sr. Conde de S. Januário, com quem o monarcha siamez trocou algumas palavras e lhe disse adeus com a mão. 
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<< O cortejo era seguido pelo estado maior e ordenanças sob commando do sr. Coronel Elias Cardeira, e por muitas carruagens conduzindo o ministério e outras pessoas. Fechava o cortejo a brigada de cavalaria sob o commando do Sr. Coronel Dantas Borracho. Quando os soberanos sahiram da estação eram 11 e meia horas, chegando ao hotel Braganza pouco depois do meio dia.>> 
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A multidão apinhava-se no passeio nas ruas do trajecto do cortejo para verem de perto o Rei do Sião e a sua comitiva. As bandas de música executavam os hinos siames e português.
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S.M. Chulalongkorn mostrava-se visivelmente satisfeito pelas demonstrações emotivas do povo e, trocava palavras com D. Carlos. Porém e à boa maneira portuguesa, da época, os homens, entre a multidão, tiravam o chapéu saudando os dois monarcas a que o Rei siamês correspondia com uma continência.  Os canhões troaram aos dispararem a salva de 21 tiros, em honra da passagem do tão ilustre monarca, no Terreiro do Paço. 
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O hotel Braganza, foi transformado em residência real e depois da chegada o Reis D.Carlos  e Chulalonkorn dirigiram-se ao terraço do hotel e dentro da panorâmica que está para além o Rei do Sião diise ao monarca português: “em país nenhum, daqueles que já visitei, encontrei coisa mais bela e agradável” Chulanlongkorn referia-se à panorâmica que seus olhos vislumbravam lá do alto em cima de Lisboa e do Tejo. 
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<< O monarca oriental aproveitou o ensejo para manifestar mais uma vez ao rei de Portugal o quanto se sentia satisfeito pela brilhante recepção e por visitar um país que tinha tão bello sol.   El-.rei D.Carlos e o ministério retiraram, dirigindo se a magestade portuguesza para o paço das Necessidades, escoltado por um esquadrão de cavallaria municipal.  A’porta do hotel fazia a guarda de honra uma força de Infantaria 16, com a banda, commandada pelo capitão Lobo.>>
O almoço
O Rei D. Carlos retirou-se e e foi servido um almoço ao Rei do Sião, seus filhos e sua comitiva, no salão nobre do Braganza que estava lindamente decorado com plantas e flores. Fizeram companhia a S.M. o rei do Sião, o Marques de Fronteira, D. António Paraty, Roberto Ivens, capitão Lobo e alferes Peixote, oficiais da guarda de honra.  Pelas duas da tarde o almoço estava terminado e o Rei do Sião e sua comitiva dirigiram-se para a sala de fumo e, mais tarde, novamente para o terraço e com o auxílio de binóculos admiraram a margem esquerda do rio Tejo.  
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<< O panorama encantou-os sobremaneira porque não havia meio de os arrancar do extasi em que estavam mergulhados.>> 
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Às três e meia da tarde o Rei Chulalongkon dirigiu-se ao Paço das Necessidades afim de pagar a visita ao rei D. Carlos.  Saiu com a sua comitiva do hotel Braganza e toma lugar numa carruagem puxada a duas parelhas, juntamente com seus dois filhos príncipes, Marquês da Fronteira e seguido de outras carruagens com Roberto Ivens, D.António Paraty e outros dignatários da Corte do Sião.  Atrás do cortejo ia um piquete de Lanceiros 2, sob o comando do alferes Miranda e escoltado por outro piquete às ordens do tenente Santos.
Notas
<<…- A cavalaria da guarda municipal estacionou depois na rua Ferregial de Baixo, até o rei do Siam ir para Cascaes, acompanhando-o à estação do caminho de ferro de Alcantara.
- D. Carlos na gare, na sala de recepção e no coche deu sempre a direita ao regio visitante.
- O serviço de polícia na rua e estação do Rocio foi, por vezes, atrapalhado, não tendo validade para alguns guardas os passes de reportagem fornecidos pelo Sr. Commandante da polícia. 
- El rei D.Carlos ostentava o uniforme de marechal general, com a banda das três ordens.
- Os cocheiros das carruagens descobertas que conduziram o monarcha siamez ao paço, trajavam calção, meia de seda e sobrecasaca. 
- Ao entrar o rei do Siam no hotel Braganza, a creadagem, em trajes de gala, formou  em duas filas na escadaria. 
- Nos portões de ferro do hotel estão colocados 6 bicos do novo gaz acytylene, de que é proprietário em Lisboa o sr. Dumas, da rua de S. Nicolau, 60, 1º. E’ uma luz brilhantissíma, de grande intensidade, e não fere a vista. Do gaz acetylene, que está sendo usado nas fábricas, collegios e hoteis estrangeiros, principalmente em França, foram agora vendidos pelo sr. Dumas, para o Brazil, 500 apparelhos. 
- O rei do Siam quando foi ao paço das Necessidades levava vestido o uniforme do commandante da guarda imperial siameza.
- Quando o soberano siamez entrou no hotel Braganza, foi içado ali o pavilhão real d’ aquelle paiz.
- El rei o sr. D. Carlos, entre outras condecorações que ostentava ao peito, levava a ordem do Elephante Branco de Siam.>> 
 
Viagem a Cascais
No Paço das Necessidades a visita durou, apenas uns 10 minutos, despedindo-se Chulalongkorn do Rei D. Carlos e derigiu-se com o sequito para a estação Alcantara-mar, para tomarem o comboio para Casacais.  O comboio é composto de salão real, dois salões pequenos e uma carruagem de 1ª classe, uma mista e um furgão. Partiu às quatro da tarde. A guarda de honra coube à polícia com setenta elementos sob as ordens dos chefes Basílio, Paes e Simões. Desde muito cedo que o rei Chulalongkorn era esperado em Cascais, corria ali a notícia que o  monarca partiria às duas hora da tarde Alcantara-mar e, por este motivo que muita gente correu para a estação, principalmente as senhoras movidas pela curiosidade feminina.    .
<< A Formosa villa estava engalanada, vendo-se por toda a parte profusão de bandeiras e das janelas pendendo ricas colgaduras. A rua Frederico Arouca, praça do Município e avenida D. Amélia, estavam lindamente ornamentadas e as janellas apinhadas de senhoras. Numa palavra: Cascais estava em festa e preparada para receber condignamente o nosso régio hospede.  A estação, como já dissemos, estava repleta de gente, na maior parte de senhoras que veraneiam em Cascaes e no Mont’ Estoril.  O comboio real chegou a Cascaes às quatro e meia da tarde. A banda dos bombeiros tocou o hino siamês e subiram ao ar girandolas de foguetes.  Do salão real até à porta da estação as senhoras abriram alas, adiantando-se a camara municcipal com o respectivo estandarte, para receber o soberano de Siam. Apenas Chulalongkon saltou em terra, o nosso presado amigo sr. Costa Pinto, digno presidente da camara deu, em inglez, ao monarca siamez  as boas vindas e felicitando-o em nome dos povos do concelho, pela régia visita, desejou-lhe todas as felicidades. Chulalongkon agradeceu muito a saudação: I thank you very much.>>  

A caminho da cidadella
<< Em seguida sua magestade siameza tomou lugar na carruagem que o aguardava, a  fim de se dirigir à cidadella cumprimentar sua majestade a rainha srª D. Amélia. Na primeira carruagem tomou lugar Chulalongkon e os dois filhos com o sr. Marquez de Fronteira: na segunda, gente da comitiva e o sr. Roberto Ivens; na terceira comitiva e o sr. Conselheiro Beirão; na quarta, comitiva e na quinta, idem acompanhados pelo sr. D. António Paraty.  Haviam ainda mais três carruagens que não foi preciso utilizar. Os foguetes estralejavam em todos os pontos da villa, não deixando de se queimarem desde que o soberano chegou até que partiu.  Durante o trajecto até à cidadella havia muito povo nas ruas do transito, produzindo bonito effeito as janellas dos challets apinhados de senhoras, e as filas de pessoas à entrada da residencia real n’aquella villa>>.
Na cidadella
<< A’ entrada da cidadella formava a guarda de honra de infantaria 7, sob o commando  do capitão Saldanha. A banda tocou o hyno siamez e a bateria  do forte deu salvas, tanto à entrada como a saída. Estava tambem ali o governador da praça.A’ porta do paço foi Chulalongkon recebido pelos srs. Condes de Figueiró e de Sabugosa, duqueza de Palmella e conde da Ribeira, sendo introduzido na sala das recepções e bem assim o seu sequito.  Durou pouco mais de 10 minutos a visita, no fim da qual foi o monarcha oriental acompanhado até a carruagem pelos mesmos personagens pondo-se o cortejo a caminho para a estação.A’ partida a artilheria salvou e os foguetes continuaram a estralejar.>>
O regresso
Na estação de Cascaes conservara-se ainda bastante gente para assistir a partida do rei do Siam.  Entre o seu sequito tomaram lugar nos respectivos salões, ao son do hynno siamez e acompanhados pela camara que se conservara na gare, partindo o comboio às 5:10.
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A chegada ao Caes do Sodré foi às 5,50, tendo o comboio real tido uma paragem em Paço d’ Arcos, junto da ponte. No comboio acompanharam os srs.: general Cabral Couceiro, Carrascal Bossa, inspectores Dias e Correia, Vernee, Luciano de Cravalho e dr. Moncada. 
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No largo do Caes do Sodrén aguardavam sua majestade o rei do Siam dois esquadrões de cavalaria 4 e  Lanceiros, que acompanharam o rei até ao hotel Braganza, onde chegou às 6 horas. Tomou ali chá com a comitiva, e mudaram a toillete vestindo uniformes de gala que são muito vistosos. Na mesma ordem que haviam levado para as Necessidades seguiram às 7 ½ da noite para o Paço d’Ajuda, não levando comtudo a escolta de cavallaria. 
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No Caes do Sodré era  a polícia feita por 5º guardas e no hotel Braganza, à noite, por 60 polícias com os chefes Pedro e Antunes. Havia muito povo nas proximidades do hotel Braganza e Caes do Sodré. A polícia em Cascaes, sob as ordens do cabo Barbosa, é digna de elogio pelo bom serviço que ali prestou.  Eguaes elogios merece a polícia de Lisboa, não só pelo serviço aturado e violento, como pela ordem e cordura com que se portou. Para Cascaes seguiram hontem à noite dois esquadrões de lanceiros 2 e cavallaria 4.
 
A recepção
<< Teve logar Às 8 horas no paço d’Ajuda, no denominado salão azul, que estava brilhantemente iluminado.  A’quella  hora já ali se encontrava sua majestade a rainha sr.ª D. Maria Pia e sua alteza o sr. Infante D. Affonso, que receberam o rei Chulalongkon e sua comitiva, chegando pouco depois suas majestades el-rei D.Carlos e a raimha sr.ª D. Amélia, começando em seguida a recepção.  A’ direita da família real portugueza ficou sua mejestade el-reik de Siam e o seu sequito, e à esquerda o ministério e casa militar e civil d’el-re. 
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O rei do Siam trocou differentes palavras com os altos dignatários que concorreram a recepção, principalmente com o sr. Conde de S.Januário.  O aspecto que offerecia o salão n’esse momento era deslumbrante.  Do corpo diplomático esteve tudo quanto se encontrava na capital. Terminada a recepção, a família real e convidados dirigiram-se para o salão nobre, que estava luxuosamente ornamentado com plantas, flores e crystaes, e ali teve lugar o banquete de gala.>>
O Banquete 
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Aos brindes levantou primeiro a taça de champagne sua majestade o Rei do Sião e, agradeceu a hospitalidade e a recepção que lhe tivera sido dispensada em Portugal  e, desejou à família real portuguesa as maiores felicidades.  Seguidamente o Rei D.Carlos levantou a taça e transmitiu ao monarca siamês  aos maiores venturas e prosperidade ao  seu Reino. 
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O banquete foi abrilhantado pela orquestra de câmara, sob a regência do maestro Ilídio de Carvalho.  Terminou o repasto e o serão real às 11 horas da noite e depois das despedidas o Rei do Sião e sua comitiva sairam para o Hotel Braganza. 
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No largo da Ajuda, durante o banquete permaneceu muita gente para assistir à passagem  do monarca do Sião e entre esta muitas senhoras. No átrio do paço da Ajuda a banda de Infantaria 1, sob a direcção do contra-mestre Manuel da Encarnação, executou o reportório seguinte:  Hinos da Carta e Siamês; Marcha Turca de Mozart; Des Frevous de  Walochis; Festas do Minho de Moraes; Quadros Disolventes de Nietto; Cavalleria Rusticana de Mascagni; De vuelta del Vivvero de Gimenez; Canções do Alentejo de Moraes; Davo Veze de Ascher; Lecide de Massenet; Rei de Lahore de Massenet; Sardana de Berton e Hino Siamês.
Programa para o dia 22
- O rei do Sião recebe o Corpo Diplomático acredidato no Reino de Portugal às 11 da manhã;
- Visita a vários edifícios públicos, à fábrica de armas e material de guerra, museu de artilheria, museu e jardim da escola Politécnica,Jerónimos e museu colonial em Belém.
Depois do jantar no hotel Braganza partirá à noite para Cascaes onde, em sua hora e comitiva estão preparadas brilhantes festas e iluminações. Na cidadela tomará chá, sendo convidados para asssitirem os oficiais-mores e suas mulheres, membros do Governo, ministros de Estado honorários residentes em Cascaes bem como o Presidente da Câmara e o administrador do Concelho.  Está agendada uma visita para o dia seguinte a Sintra e um almoço no Paço da Pena oferecido pelo Rei D. Carlos ao qual, além do Rei do Sião e sua comitiva estarão presentes  as Rainhas, infante D. Afonso, membros da Corte e dos ministérios
 
Notas diversas (Condecorações
<O Príncipe real foi agraciado com a gran cruz da Torre de Espada, os outros princípes  com a Cruz de Cristo; o ministro, com a da Conceição; os demais membros da comitiva com commenda de Cristo e Conceição.  Por sua parte, o rei do Siam agraciou el-rei D. Carlos com a mais alto grau da ordem de Maha Chackri, ou da grande corôa, que  só é conferida a soberanos, princípes ou princezas, não sendo por ora conhecidas as restantes condecorações com que agraciará alguns outros personagens do nosso pai>>
 
Uma decima de Garcia de Rezende
Garcia de Rezende, o chronista de D.João II, dedicou na sua Miscellansea, que se pode tambem considerar uma breve chronica em verso, a seguinte decima aos mais do Siam e Pacer:                                      
Outros reis não tem cuidados
De reger nem de mandar,
Estão sempre despejados
Com mulheres, criados,
Sem mais que folgar:
E tem uns governadores
Rejãos, que são regedores,
Tudo mandam: só lhes dão,
Aos reis d’isso razão,
Como seus superiores
 
A vida oriental da volupia e da ocidentalidade!
 
Moedas de Siam
No gabinete numismatico do palácio real da Ajuda existe uma importante colecção de moedas siamezas, algumas rarissimas e de grande antiguidade.     Esta colecção foi oferecida a sua majestade el-rei o sr. D. Luiz, por António Marques Pereira
(N.minha: Cônsul de Portugal no Sião de Janeiro de 1875 a Março de 1882.)
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A parte não menos curiosa da colecção é formada por deseseis moedas de vidro e seiscentas  e trinta e tres de porcelana.E, porem, de advertir que as moedas d’esta especie só tinham curso entre os monopolistas do jogo. Tem o nome especial de pi.
O mesmo offerente publicou em 1870 uma breve memoria sobre esta colecção, que foi prefaciada pelo nosso amigo e ilustre numismata dr. Teixeira de Aragão.     
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(N. minha: é de realçar a veracidade com que o jornalista (ou equipa de reportagem) relatou o evento real, em pormenor e, destaco à fiel sobre as moedas siamesas expostas no Palácio da Ajuda)

Visita à Sociedade de Geografia
Ouvimos que uma das visitas que serão lembradas ao rei do Siam, será à magnifica installação da Sciedade de Geographia de Lisboa, por todos os motivos muito digna de ser visitada.  Hoje, nas illuminações em Cascaes, serão apresentadas na alameda D. Maria Pia, em frente do palácio real, muitos focos alimentados pelo gaz acetylene, de que tem o privilégio exclusivo em Portugal o sr. Alvaro Rebello Valente, e o director technico da succursal em Lisboa o nosso amigo o sr. Brederode Smith. No dia 16 ultimo, quando ali se realizaram as primeiras experiências, o nosso amigo Brederode Smith, em nome do Sr. Alvaro Valente, offereceu para um instituto de caridade d’aquella vila uma quantia que lhe havia sido dada para casa illuminação, commemorando assim o bom exito da experiência. 
Em consequência de Chulalongkon se achar um tanto fatigado pela viagem, não começará hoje tão cedo como tencionava as visitas a vários edifícios e estabelecimentos.
José Martins
(Fim da Primeira parte)

VISITA DE RAMA V DO SIÂO

 
O Rei Chulalongkorn do Sião Visitou Portugal
(Segunda Parte)
 
<< O dia de hontem -  No Hotel Braganza  Visita aos efifícios – A Recepção – O chá em Cascaes – Outras notas. 
O dia de hontem era destinado á visita da monarchia siamez aos edificios publicos e museus.
Não poude porém realisar-se o programma, conforme estava traçado e nós publicamos , em consequência de sua majestade ter-se levantado tarde e encontrar-se bastante massado da viagem desde Sevilha e do dia de ante-hontem em que pouco tempo teve para descançar.>>
 
No Braganza
O rei Chulalogkon levantou-se às 10 horas e meia da manhã, sendo-lhe servido nos seus aposentos o petidejeuner.
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Em seguida recebeu a visita do sr. Conde de S. Januário que era acompanhado pelo sr. Tenente-coronel Moraes Carvalho, antigo adido militar na corte de Siam. À 1 hora e três quartos da tarde, o rei do Siam recebeu a visita do sr. Infante D. Affonso, que em nome de sua augusta mãe a sr.ª D. Maria Pia, foi agradecer ao monarcha oriental a sua visita de ante-hontem ao palácio d’Ajuda.
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O Sr. infante era acompanhado pelo sr. D. José de Mello Sabugosa. No hotel paço estiveram tambem os srs. Marquez de Pombal, João Aitrcão, monsenhor Ajuty nuncio de Sua Santidade, etc.
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O sr. D. Affonso rettirando-se um quarto de hora depois, formando a guarda e excutando a banda o hymno portuguez. Pouco depois  das 2 horas começou o almoço, a que assistiram além do rei do Siam e altos dignatários da sua corte, o srs. Marquez de Fronteira, Roberto Ivens, D. António Paraty e capitão Menezes e alferes Barba e officias da guarda do paço.
A guarda era de caçadores nª 2.
Ao almoço serviu-se o seguinte
                                                         
Menu
Olives farcis
Bors d’oeuvre a la reine
Oeufs Cecilies
Saumon à la Daumont
Cotes de boeuf grillees  sauce
Bearnaise
Pommes soupplées
Fonds d’articliants á la Parisiennne
Gravits au Kirach
Dessert  Café
 
A Comitiva
A comitiva do rei do Siam levantou-se às 8 horas, conservando-se por muito tempo no terraço do hotel a disfructar o lindo panorama que d’ali se offerece.
Assitiu ao render da guarda, às 9 horas, achando que essa cerimónia militar não é tão aparatosa como em Madrid, almoçando às 11 horas o seguinte:
 
Menu
Consommé aaux perles
Canapés à la Victoria
Barbeurre à Montpensier
Toursudes Rossini
Cailles braiseés au riz
Haricot Verts beurre
Salade
Glacés Prolinces Patisserie
Café
 
Notas do hotel
De manhã os ministros e o secretário do rei de Siam foram deixar cartões de visita em casa do sr. presidente do conselho, na so sr.ministro dos estrangeiros e ao palácio do Nuncio.
Mais tarde dirigiram-se ao ministério dos negócios estrangeiros.
- O rei Chulalongkon dispensou a guarda de honra de cavalaria.
- O serviço de polícia foi feito por 20 guardas, sob as ordens do chefe Pedro.
- Durante o almoço a banda de caçadores 2 executou varias peças do seu reportório.
-  Parece que o rei do Siam assistirá hoje aos espectaculos no teathro D. Amélia e Colyseu dos Recreios.
 
Passeio pela cidade
Esperava-se que a magestade siameza saisse do paço às 2 horas para percorrer os monumentos mais curiosos. Mas como foi a essa hora que o almoço começou  só poude sair às 3 ½ da tarde. Era grande a impaciência do povo que se aglomerava na rua Paiva d’Andrada. Aquella hora, pois, o rei de Siam partiu do hotel em carruagem da casa real, precedida de batedores, acompanhados de seus dois filhos e do sr. marques de Fronteira. Seguiam-se outras carruagens com a comitiva siameza, em que tomaram logar os srs. Roberto Ivens e D. Antonio Paraty.
O sr. governador civil seguia no couce do cortejo a apos esta carruagem mais duas com representantes de jornais de Lisboa.
O rei, a corte e resto da comitiva trajavam à paisana, de chapeu alto. O cortejo seguiu o seguinte itinerário – Chiado, rua do Carmo, Rocio, Avenida, ruas Alexandre Herculano, Rodrigo da Fonseca, S.Mamede, da Escola Polytechnica, de D. Pedro V, de S. Pedro de Alcantara, de S. Roque e Alecrim, praça dos Remolares, ruas 24 de Julho, do Calvario, da Janqueira a Belem e Jeronymos, onde chegou às 4 ½ em ponto. O rei achou a nossa Avenida encantadora e gabou o edificio da Escola Polytehcnica.
Nos Jeronymos
No largo a multidão era enorme, abrindo a policia, sob o commando do sr. capitão Dias, duas compridas e compactas alas, por entre as quaes desfilaram as carruagens.
Tanto as ruas do transito até ali, como no largo de Belem, o povo que assistiu á  passagem de Chulalongkon descobria-se respeitosamente cabal prova de que Portugal é um paiz civilisado.
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O rei do Siam correspondia aos cumprimentos do povo com a maxima cortezia e pairando-lhe nos labios o seu sorriso mais amavel. No portico do sumptuoso templo achavam-se 30 alunnas do asylo do Campo Grande, com o sua professora sr.ª  D.  Damiana da Purificação Duarte as quaes estão actualmente a banhos em Pedrouços.
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O rei foi recebido pelo sr. capitão Dias e pelo sub-director da Casa Pia, sr. Alfredo Soares e outras pessoas, entre as quaes muitas senhoras. Chulalongkon, seguido de todos os personagens que já referimos, visitou os claustros dos Jeronymos que admirou por algum tempo.
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Em seguida visitou o tumulo de Alexandre Herculano, a que não ligou grande importancia, dando novamente volta pelos claustros até ir outra vez à porta por onde entrara. Seguindo pela nave da esquerda entrou na capella do Senhor dos Passos, detendo-se algum tempo examinando o Senhor Morto. Todas as capellas e altares achavam-se illuminados. D’ali passou o soberano siamez a nave central, admirando as abobodas e as columnas que são como se sabe, um primor de  arte.
O rei manifestou a sua admiração ao sr. marquez de Fronteira, por tão distincto trabalho e por monumento tão grandioso. Examinou tambem a capella dos Santissimo, avançando sosinho até junto ao altar, onde se deteve a admirar os baixos relevos dourados. Passou d’ali à capella de S. José da Virgem; altar mór, que examinou com curiosidade e outros altares, descendo pela nave da direita.
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Chulalongkon tomou logo a carruagem, tendo gasto na visita apenas um quarto de hora Não quiz visitar o Muzeu Colonial, por que era já tarde e pelo mesmo motivo não foi à torre de Belem, onde era esperado, e onde se achava uma força de polícia sob o commando do chefe Maldonado.
Regresso ao hotel
Eram mais de 4 ¾ quando o rei e o cortejo se poz em marcha para o hotel Braganza. Nas ruas, muito povo avido de curiosidade, e pelas jannelas bastantes senhoras. O povo sempre respeitoso descobria-se e as guardas por onde o cortejo passava  prestavam as honras devidas a alta gerarchia do nosso regio hospede. Ao hotel chegou o rei Chulalongkon cerca das 5 ½ horas, tendo trazido o mesmo trajecto, subindo a rua do Alecrim e atravessando o largo das Duas Igrejas.
 
Recepção do corpo diplomatico
Não se realisou, como fora determinado, a recepção do corpo diplomatico pelo rei do Siam, ás 11 horas da manhã. Esta cerimonia foi transferida para quando o monarcha oriental voltasse de Belem, e  por isso so se realisou no regresso ao hotel. Começou portanto a recepção pouco depois das 6 horas, assistindo a comitiva do rei e dignatarios portuguezes ás suas ordens.
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Concorreram os seguintes diplomatas: - Principe de Cariatti, encarregado de negocios de Italia,ministro de Inglaterra; ministro dos Estados Unidos da America; D. Angel Ruata, ministro de Hespanha; coronel Godinez, adido miitar hespanhol; ministro da Allemanha; monsenhor Ajuti, nuncio de Sua Santidade; encarregado dos negocios da Belgica; mr. Altizé, encarregado de negocios da França; ministro da Russia, e encarregado de negocios da Austria-Hungria.
A recepção terminou ás 6,20 minutos.
 
O jantar
O jantar começou ás 7 horas da tarde, assistindo o rei do Siam, comitiva, srs. marquez de Fronteira, capitão de fragata Roberto Ivens, D. Antonio Paraty, capitão Menezes e alferes Barba, da  guarda de honra, tocando durante o jantar a banda de caçadores 2. O rei do Siam ostentava já a banda das tres  ordens, com que foi agraciado pelo Rei de Portugal.
Menú
The Braganza
Lisbon 23 october 1897
His majesty’s dinner
Potage
Crémes Nantua
Consommé de volailie
Friends a la Rotschild
Filets de barbue a la Mornay
Yambon dº York a la Danoise
Chafroid de calles a la Nova
Haricots vert á Langlaise
Faisans de  Boheme trufles
Glace ananaa
Breton
Dessert
Café
O jantar acabou pouco depois das 8 horas, dirigindo-se em seguida o rei e comitiva para o caes do Sodré, onde tomou o comboio para Cascaes.
Do hotel Braganza a Cascaes
Depois do jantar, como dissemos, dirigiu-se o nosso  hospede siamez para a estação do Caes do Sodré, onde tomou  logar no comboio real que partiu as 8 horas e 45 minutos. Era composto da locomotiva 0,81 carruagem de 1ª classe para a imprensa, duas carruagens salão e o salão real. Era grande a quantidade de povo que aguardava a chegada do rei do Siam, e  em extensas alas e pittorescos grupos estendiam-se no Caes do Sodré compacta de massa de povo. O serviço de policia era feito por 30 guardas, sob o commando do chefe Costa, e manteve-se sempre com cordura e paciencia. Chulalongkon e a sua comitiva trajavam casaca, ostentando o monarcha oriental  a  banda da tres ordens.
Acompanhavam-no como officiaes ás ordens o sr. marquez de Fronteira, capitão de fragata Roberto Ivens e major D. Antonio Paraty, seus filhos e a sua comitiva. Por parte da Companhia Real tomaram logar no comboio  o srs.  Garcez, chefe de secção; Guedes, sub-chefe do movimento; Bossa, sub-chefe da exploração; Dias, inspector e dr. Moncada. Da imprensa seguiram tambem no comboio  real representantes do Popular e do Diario de Noticias.
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A noite amenissima de hontem tornou ainda mais agradavel o trajecto; e quando se chegou  a Santo Antonio do Estoril, Chulalongkon veio a varanda da janela do salão, admirando o espectaculo verdadeiramente assombroso e indiscriptivel   que produzia aquella pittoresca bahia, tendo ao longo, destacando  se formosamente atravez os clarões produzidos pelos centenares de tigelinhas, balões e barricas de alcatrão a elegante silhouette da cidadella desenhada em todas as suas linhas, por milhares de luzes de côres varias.
A chegada
Desde as 7 horas e meia da noite uma  enormissima quantidade de povo convergia para a estação de Cascaes, para aguardar  a chegada de Chulalongkon. Extensas filas de trens  onde se viam as principaes familias que estão na formosa villa, se agrupavam proximo a gare Apesar do serviço que ali era delicadamente dirigido pelo chefe Bazilio ser muito bem feito, a agglomeração de ccuriosos era de tal ordem, que se tornava dificil dar um passo. Na plataforma da estação, era o rei do Siam aguardado por sua alteza o sr. infante D. Affonso, e o seu ajudante de ordens, D. José de Mello, o sr. Fernando Castello Branco, administrador do concelho, D. Fernando Angeja e o nosso amigo e incansavel presidente da camara de Cascaes, sr. Jayme Arthur da Costa Pinto.
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Era tambem grande o numero de damas e cavalheiros que se achavam na gare, entrando ali o comboio real ás 9 e ¾ da noute, sendo saudado pelo himno siamez, executado pela banda dos bombeiros voluntarios.
Na cidadella
Apenas o rei do Siam chegou a cidadella, onde foi recebido com todas as honras, passou  mais a sua comitiva ao terraço, d’onde se difrutava o effeito mais surpreendente  e phantastico que se pode imaginar. O soberano oriental dizia, n’aquella occasião, imaginar-se  transportado a um dos castellos encantados das Mil e uma noites. No terraço tocava a banda da guarda municipal sob a regência do maestrol Gaspar, que executou o hymno siamez.
Pouco depois de ali chegar o soberano de Siam, deu-se uma salva de 21 morteiros e começou em seguida a queimar-se o fogo do ar. O fogo era nacional fornecido pelo pyrotechnico da rua do Alvito, sr. Domingos Antonio da Silva, e bem podia rivalizar com o melhor importado de Inglaterra. Custou apenas 330$000 reis, enquanto que, se fosse estrangeiro, custaria alguns contos de reis. Sobretudo o que causou verdadeiro pasmo e admiração, foi uma peça que ardeu no mar, que se transformou n’um elephante branco, com movimentos na tromba. Chulalongkon achára as iluminações ultra bonitas e assim o communicou a el-rei D. Carlos, perguntando ao mesmo tempo se  aquillo era uma festa popular.
 
O elephante impressionou-o assim como ao sequito, achando-o uma maravilha pyrotechnica. Achavam-se na cidadella por convite de suas magestades para presencerarem o bello effeito das iluminações e assistirem ao chá, as seguintes pessoas: condessa de Seisal e filha, duques de Palmela, conde de Ficalho, conde de Sabugosa, irmã e filhos, D. Maria de Menezes, marquezes do Fayal, condessa de Sabugal e filhos, condes d’Anadia, conde da Lapa, conde da Figueira e filha, conde Valbom, conde das Galveias, condessa de Paraty e filha, condes  de Arnoso e filhas, Jorge O’Neill, esposa e filhos, condes de Mossamedes, filhos e sobrinhos, duque de Loulé e filha, visconde da Lançada, D. Izabel Almeida, marquez de Pombal e filhos, marquez da Fronteira, ministro da America e esposa, encarregado de Italia e esposa, secretariko da Russia e esposa, encarregado da Austria, 2º secretario da Hespanha, segundo secretaro da Allemanha, almirante Baptista d’Andrade, D. Fernando Serpa, D. Antonio de Noronha, senhora e filha, Fernando Eduardo de Serpa Pimentel, Antonio Pinto Basto e esposa, Antonio Waddington, Jo\ao Velelz Caldeira, Custodio Borja e esposa, Thomaz Rosa, Pimentel Pinto e esposa, Costa Pinto e esposa, D. Fernando Pombeiro  e esposa, governador da Pra;a, presidente do conselho e esposa, ministros da marinha, da justiça, dos estrangeiros e esposas, e das obras publicas, etc.
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As 11,10 minutos foi servido o chá, tocando a banda o himno siamez, quando o monarcha oriental se retirou do terraço, tocando mais algumas peças durante a refeição. Pouco antes de se servir o chá, um grupo de pessoas que estavam no passeio Maria Pia fizeram uma chamada ao nosso amigo Costa Pinto, pela brilhante illuminação. De toda a parte irrompiam palmas e bravos, que elle agradeceu do terraço da cidadella.
 
As illuminações
Não se pode  descrever, em nota d’informação feita com a precipitação de quem tem que ver muito em pouco tempo, o effeito realmente phantastico que produzia a vasta bahia de Cascaes, onde milhares e milhares  de luzes de várias cores, contornando quer as sinuosidades da rocha, quer as linhas geometricas dos edificios, em caprichosas curvas, não se pode descrever o quadro extraordinário que offereciam as iluminações organisadas para festejar a visita nocturna de Chulalongkon áquela vila.
 
Desde o Estoril, onde, milhares de tigellinhas espalhadas pelas encostas e combinadas com centenas de barricas de rubro fogo formavam maravilhoso conjunclo, até á curva produzida pela muralha de Cascaes, o quadro era tudo que ha de mais surprehendente e extraordinario. No Estoril, sobresahiam pela sua brilhante illuminação os chalets da sr.ª duqueza de Palmella, marqueza de Fayal, dos srs. Carlos Anjos, Schroetet, Ornellas, Arouca e outros. Na villa, sobresahiam pela sua caprichosa illuminação a casa da camara, caserna dos bombeiros voluntarios, casino, onde havia 2.000 lanternas, e muitos outros edificios   publicos e particulares.
Esse extraordinário conjunto de luzes, visto a distancia era realmente assombroso e á actividade do nosso amigo Costa Pinto, que incansavel auxiliado pelo administrador D. Fernando Castello Branco, Rodrigo Caldeira, secretario do municipio, e o estimado agronomo Ferreira Santos, se deve em grande parte o brilhantismo d’aquela festa que parecia um verdadeiro conto das mil e uma noites, realisado no nosso bello cantinho tão apreciado por todos quantos o ignoram.
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Desde o Estoril, pela margem do Oceano até á cidadella, notavam-se centenares de tigelinhas, balões e lanternas. A titulo de curiosidade, indicaremos o numero dos  elementos empregados  na iluminação: Lanternas de azeite 13:000, lanternas de stacarina 2:000, balões 9:000, Tigelinhas 10:000 e mais 900 barricas de alcatrão collocadas no percurso do vasto areal do que foi empregado na iluminação elevou-se a mais de 200 praças de infantaria e cavallaria. 
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No mar, produziam tambem bello efeito, as iluminações dos yatch D.Amelia, canhoneira Nandovy, a Lia, vapor Dragão e outros barcos. Nas ruas era na verdade enorme a concorrencia de povo, e o comboio que chegou minutos antes do comboio real a Cascaes, veiu completamente cheio.
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Mas apezar de talvez se encontrarem na pittoresca villa mais de 12 mil pessoas, o serviço de policia , feito com toda a delicadeza e urbanidade, serviço que havia sido reforçado hontem por mais 15 guardas sob as ordens do chefe Bazilio, não deixou nada a desejar. Sua majestade a rainha srª D. Maria Pia, acompanhada pela srª D. Eugenia Niza e sr. Benjamim Pinto, foi em trem do Estoril a Cascaes, onde chegou ás 10 horas e meia da noite, andando a ver as iluminações.
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Deve o rei oriental guardar uma bella recordação da sua visita nocturna a Cascaes e, certamente da sua viagem pela Europa a festa de hontem, será mais uma das paginas mais salientes. Devemos ainda notar que foi a camara de Cascaes quem forneceu a toda a villa os necessários elementos de iluminação, devendo tecerem se ao municipio os maiores elogios pelo deslumbrante espectaculo que realisou em honra do nosso regio hospede.
 
Regresso a Lisboa
A partida da cidadella realisou-se ás 11,50 minutos. Antes tinham suas magestades, os reis de Portugal apresentado o monarcha siamez e a comitiva ás damas que ali se achavam, e por ultimo Chulalongkon apresentou tambem  a  sua familia e os dignatarios.
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Pelo caminho até á estação organisou-se uma marcha aux flambeaux, com mais de cem archotes, formando duas alas os individuos que os conduziam, ladeando as carruagens do rei de Siam e do seu sequito. A multidão era enorme nas ruas e a custo se podia atravessar Á meia noite partiu o comboio real em direcção ao Caes do Sodré, acompanhando os srs. presidente do conselho e esposas, conselheiro Mathias de Carvalho, governador civil etc., chegando ás 12,50 minutos.
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O rei entrou no Hotel Braganza á 1 hora, ao som do hymno siamez. Pouco depois foi-lhe servido, nos seus aposentos, chá e torradas. Em seguida o rei Chulalongkon enviou para Nopoles, 2 telegrammas, em inglez, aos seus secretarios, com respeito ao proximo regresso a Siam.
 
Telegrama
A sua magestade el-rei D. Carlos – Cascaes
ás 9 horas na noite. – Urgente. – Sua magestade o rei do Siam encarrega-me de agradecer a vossa magestade a a sua magestade a rainha sr.ª D. Amélia a brilhante recepção que levem essa cidadella e onde traz as mais gratas e inolvidaveis recordações, aproveitando o ensejo para pedir a vossa magestade que o desculpe do almoço de amanhã (ou logo) em Cintra, pois encontra-se muito fatigado e tem uma longa viagem em perspectiva.Beijo a augusta mão de vossa magestade. Marquez da Fronteira, camarista.
 
Notas
Quando o rei saia dos Jeronymos, uma mulher do povo offereceu-lhe um memorial pedido esmola. Chulalongkon olhava para ella sem perceber o que ella queria, mas a mulher, sem desistir, continuava ao lado do soberano siamez com papel na ponta dos dedos e olhos suplicantes. O sr. capitão Dias, que presenceou, fez desviar a mulher, dizendo-lhe que aquella magestade não aceitava petições de esmolas.
- Durante o trajecto para Belem e vice-versa formaram as guardas de S.Pedro d’Alcantara, Ribeira Nova, quartel do Ultramar e Paço de Belem.
- Os srs. dr. Zofimo Pedroso, visconde de Gabrella e Martinho Guimarães,presidente e vereadores da camara municipal, estiveram no Braganza hontem de tarde, assignando os seus nomes.
- O aparelho de gaz acetylene fez projecções á entrada e saida do corpo diplomatico, produzindo bom efeito.
- As carruagens fornecidas pela casa Monte Christo, na rua Formosa, hoje propriedade do nosso amigo José Mendes, eram manificas, muito asseadas e com excellentes parelhas.
Esta casa tem contracto para aluguer de carruagens enquanto o rei de Siam estiver em Lisboa.
- O rei de Siam manifestou desejo de possuir todos os numeros do Diario de Noticias, que falam da sua viagem e principalmente da chegada a Lisboa. Foi-lhe satisfeito esse desejo, enviando-se-lhe todos os numeros desde o 1º do corrente mez.
- O soberano de Siam agraciou com as commendas da ordem do Elephante Branco os srs. marquez da Fronteira e Roberto Ivens, e com o habito da mesma ordem o sr. D. Antonio Paraty.
- O rei do Siam durante os dois dias que está em Lisboa tem enviado telegramas no valor de reis 500$000 para seu paiz.
- Por determinação superior foi ordenado que ás praças da guarda de honra no paço-hotel, lhes sejam abonadas eguaes gratificações as que recebem nos paços reais.
- Sua magestade o rei de Siam e todos os personagens da comitiva muniram-se de plantas de Lisboa, que acham formosissimas, gabando muito o nosso tejo.
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- Um dos ajudantes do monarcha siamez esteve hontem de manhã no terraço do hotel  tirando varios clichés photographicos. A’s 11 ½ horas da manhã como estava determinado achavam-se reunidos no commando geral e de grande uniforme todos os officiais pretencentes ás repartições do mesmo commando, ao deposito geral e aos estabelecimentos fabris, para receberem o rei siamez, visita que, como dizemos adiante, não se realizou.
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Eram 2 horas e um quarto quando o sr. marquez de Fronteira mandou communicar ao sr. general commandante geral que o rei de Siam não ia visitar nem o museu nem as fabricas.Depois d’esta communicação, o sr. general Antonio Candido da Costa mandou telegraphar para o ministerio da guerra perguntando se os estabelecimentos poderiam ou não fechar a hora regulamentar e, obtendo resposta affirmativa, mandou retirar todos os officiaes que já estavam cançados de esperar. No largo da Fundição de Baixo e no campo de Santa Clara havia muito povo.
O comboio de retirada
Á’s 11 horas da noite de hoje, deixará Lisboa, partindo para Barcelona. O comboio no trajecto de Lisboa a Valencia de Alcantara terá as seguintes paragens: um minuto em Sacavem; 4 minutos em Santarem; 6 no Entroncamento; 2 em Tancos; 4 em Abrantes; 5 na Torre das Vargens, e 9 em Marvão. A Valencia de Alcantara chega ás 5 horas da madrugada de amanhã, e a Barcelona na segunda feira pela manhã.
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O comboio em que viaja Chulalongkon, compõe-se de 2 fourgons, 2 carruagens sleeping, uma restaurante e 1 salão; e pertence á Companhia dos wagons lits. A carruagem restaurante irá toda enfeitada com flores e arbustos. Por parte d’esta companhia, acompanha o comboio mr. Conturier, inspector principal, que hontem de manhã chegou a Lisboa.
Amphora de ouro
Ainda com respeito á estada do nosso ilustre amigo sr. conde de S. Januário, como ministro plenipotenciario de Portugal na corte de Bangkok, temos a crescentar que sua magestade Chulalongkon offereceu como lembrança ao sr. conde de S. Januário uma riquissima amphora de ouro massiço, cuja tampa tem uma dedicatoria muito affectuosa, do teor seguinte: Offerecido por S. Magestade Sorndech Phra Para Mindr Maha Chulalongkon, rei de Siam, a S. Excelencia o sr. Visconde de S. Januario, enviado estraordinario e ministro plenipotenciario de Portugal junto da corte de Sia,, como lembrança  da visita de S. Execellencia a S. Magestade, em 1875. Esta inscrição na lingua inglesa é traducção de outra em caracteres siamezes que está pela parte superior. O diametro da tampa é de cerca de 11 centimetros.
Moedas de Siam – Medalha de ouro
O nosso amigo amigo ilustre numimasta dr. Teixeira de Aragão tambem possue uma collecção de moedas siamezas, que lhe foi offerecida por intermedio de António F. Marques Pereira, que foi nosso consul em Bangkok. El-rei de Siam agraciou-o com a medalha de ouro Pushapamata. O diploma data de 14 de Abril de 1881, diz que que a mercê é feita em attenção aos trabalhos do illustre archeologo com relação á moeda portugueza. Esta moeda é somente conferida por distincção literaria.
 
Tractado entre Portugal e Siam
Em 10 de fevereiro de 1859 foi assignado entre o representante de Portugal, Isidoro Francisco Guimarães, e os representantes dp 1º e 2º reis de Siam, Krom Huang Yougoa Thirat Danith, Chao Pya Nicanabodin, ministro do reino, Chao Pya Iom-marat, ministro da justiça, e Pya Vorapong, ministro privado de sua magestade magnifica o primeiro rei, um tratado de amizade, commercio e navegação, paz, amizade e alliança, que teem sempre existido entre as duas nações e cujos pontos capitaes são os seguintes:
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Os subditos de cada um dos dois paizes poderão gozar no outro de inteira e plena  protecção para as suas pessoas e bens, e terão reciprocamente direito a todas  as vantagens que forem concedidas aos subditos de nações estrangeiras mais favorecidas; Portugal  continuará a ter em Siam um consul ou agente consular, podendo os dois paizes nomear consules ou agentes para residirem nos portos dos dois estados. 
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Estes consules e agentes, deverão proteger os interesses dos seus compatriotas, velar pela execução dos regulamentos estipulados e fazer outros que julguem necessários para a execução do tractado. Os consules não entrarão em exercicio sem o exequatur do soberano territorial.
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Quaesquer questões que haja entre subditos portuguezes e siamezes deverão ser  apresentadas ao consul portuguez que de accordo com as auctoridades siamezas, diligenciará termina-las amigavelmente, e ser decididas pelo consul segundo a nacionalidade do delinquente ou accusado.
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Os subditos siameses não poderão apossar-se, ou intrometer-se, com as pessoas de subditos portugueezes, nem com suas casas, terras , navios ou outra qualquer especie bem; acontecendo o mesmo com os subditos portuguezes.
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Os subditos portuguezes gosarão em todo o reino de Siam de plena liberdade, podendo cumprir com os deveres da religião, tanto nas suas casas como nas egrejas publicas, não podendo os subditos siamezes ser molestados por causa da sua religião. Os subditos portuguezes que quizerem residir em Siam deverão matricular-se  no  consulado geral de Portugal em Bangkok.
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Os subditos portuguezes poderão commerciar livremente em todos os portos do reino de Siam o que bem lhes parecer, sem que essa liberdade lhes seja embaraçada por algum monopolio ou privilegio exclusivo de venda;  porém só poderão residir permanentemente em Bangkok e em roda d’esta dentro em um circuito de raio egual á distancia andada em 24 horas por um barco do paiz.
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Se algum subdito quizer estabelecer o seu commercio fóra d’este limite, isto é, a 6 kilometros de Bangkok, terá de pedir, salvo se estiver residindo por espaço de dez anos n’quele reino.
Se algum subdito portuguez quizer adquirir bens de raiz, deverá dirigir-se á auctoridade local e tem de sujeitar-se ás leis do paíz.. 
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Se no prazo de 3 annos o terreno não for  cultivado, o governo siamez pode annular a venda, reembolsando o comprador da quantia que pagar. 
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Os bens dos subditos que falecerem n’algum dos reinos ser\ao entregues aos seus herdeiros e, não os havendo, ao consul competente.
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Os subditos portuguezes residentes em Siam poderão construir navios com licença do governo siamez e poderão empregar no seu serviço, como interpretes, subditos siamezes.
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Se alguns subditos siamezes empregados no serviço dos portuguezes se tornarem culpados por infracção de leis, crime, etc., e se acoitarem em casa de algum subdito portuguez, serão procurados e entregues ás autoridades siamezas, acontecendo o mesmo com os subditos portuguezes.
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Qualquer subdito portuguez  que seja casado em Siam com mulher do paiz e que se queira retirar não soffrerá embaraço algum por parte das auctoridades siamesas.
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As auctoridades siamesas não terão acção nenhuma sobre navios mercantes portuguezes., Na entrada de navios de guerra portuguezes, o reino de Siam prestará todo o auxilio para fazer respeitar a sua auctoridade.
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Se algum subdito siamez se recusar a pagara alguma divida a portuguez, as auctoridades siamezsas darão a este todo o auxilio para que seja reembolsado da divida. Reciprocamente com o portuguez.
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Os navios de guerra portuguezes poderão entrar no rio e fundear em Paknam, devendo dar conhecimento a auctoridade siameza antes de entrar em Bangkok, para que esta lhe de o logar onde deve fundear. A algum navio que entre arriahdo com avaria n’algum dos portos de Siam, as actoridades siamezas são obrigadas a prestar-lhe todo o auxilio. Reciprocamente com os portuguezes.
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Os navios mercantes portuguezes só serão sujeitos, nos portos do Siam, aos direitos de importação e exportação. Os direitos de importação nos portos deste reino nunca  excederão a 3 por cento do seu valor, que serão pagos em dinheiro ou em fazenda, conforme a escolha do importador.
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Os portuguezes poderão tambem exportar toda a qualidade de mercadorias. Quando por escassez no paiz o governo siamez tiver de prohibir a exportação de sal, arroz ou peixe, essa proibição devera ser anunciada um mez antes da data em que deva ter efeito.
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Quando algum navio portuguez  for roubado, o governo siamez fará tudo quanto possivel para descobrir os auctores do roubo e para que se recobrem os objectos roubados, não ficando porem responsavel por estes se se provar que empregou todos os meios para os alcançar. Acontece o mesmo para com os subditos portuguezes.
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O subditos portuguezes poderã abrir minas em qualquer parte do reino do Siam, construir fabricas, quando o governo siamez veja que estão em condições rasoaveis. As rectificações depois de tractadas serão trocadas no intervallo de 18 mezes a contar da data da sua assinatura. No final de 10 annos, depois da rectificação poderão, d’accordo entre os dois reinos, nomear-se commissarios para fazerem n’elle as modificações que acharem convenientes para o desenvolvimento das relações commerciais dos dois paizes.
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Este tractado, que foi assignado pelos representantes em 10 de Fevereiro de 1859 da era christã que corresponde ao oitavo dia da terceira lua do anno Prinamia Sanvorrethisope da era siameza de 1220, contem tambem uma tarifa dos direitos internos e de exportação a  que ficam sujeitos os artigos de comercio. Conforme o annuncio adiante vae inserto, o Pimpão de hoje publica 23 magnificos retratos das mais formosas odaliscas do Siam.
José Martins
 
(O conteúdo acima descrito foi retirado do jornal “Diário de Noticías” de 22, 23,24 e 25 de Outubro de 1897)