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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RETALHOS DA MEMÓRIA

Amigo meu, Vasco Galante, funcionário do Parque da Gorongosa em Moçambique e residente em Banguecoque, enviou-me, recentemente, as quatro fotografias abaixo aposta que desconhecia. As imagens foram tiradas pelo famoso fotógrafo português J. António que além de ser o fotógrafo da Casa Real de S. M. o Rei Chulalongkorn foi proprietário de um estúdio fotográfico na rua Chalerm Krung e a pouco distância da Embaixada de Portugal. Vasco Galante obteve as fotografiaAQUI
 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

502 ANOS DE AMIZADE ENTRE PORTUGAL E A TAILÂNDIA

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BANGUECOQUE – TAILÂNDIA – LITERATURA PORTUGUESA E ESPANHOLA


Teve início a “Semana de Literatura Ibero-Americana” ao fim da tarde do dia 31 de Julho, último, na prestigiosa Universidade Chulalongkorn, capital tailandesa, com a presença do Vice-Governador da Cidade de Banguecoque, Reitor da Universidade de Chulalongkorn, Decano da Faculdade de Letras e oito embaixadores, representantes de seus países, no Reino da Tailândia. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Perú e Portugal.

terça-feira, 23 de julho de 2013

REPORTAGEM-SEXTA-FEIRA SANTA NO BAIRRO PORTUGÊS DE SANTA CRUZ


A frontaria da Igreja de Santa Cruz virada para o rio Chao Praya (Praiá). Quem navegar pelo rio acima, depois de navegados uns cinco quilómetros a seguir a Missão Diplomática de Portugal, ao seu lado esquerdo, visionará uma cúpula com um cruz no topo. Recomenda-se visitá-lo, a igreja e dar um volta pelo bairro de vielas estreitinhas. Pode sem receio algum de tirar fotos, visitar as "fabriquetas" caseiras de queques portugueses. E que digam as pessoas ou crianças que é "portuguete" (nome porque é pronunciado na língua thai Portugal)... Vão gostar de as ouvirem.
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Lá vão muitos anos que a minha Sexta-Feira Santa, o fim da tarde é despendido no velho bairro português de Santa Cruz. Por norma visito-o umas três ou quatro vezes por ano. 
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Faço o mesmo de quando em quando ao Bairro da Imaculada Conceição até porque tenho um especial carinho por aquele pequeno aglomerado populacional. Fun-dado pelos portugueses um século antes da caída de Ayuthaya em 1767. 
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Ainda, e a pouco mais de duzentos metros da Embaixada de Portugal, há outro bairro luso de nome Senhora do Rosário. 
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Neste já não existe qualquer vestígio da pernanência de portugueses e lusos tailandeses. Desapareceram e os bairros, como as pessoas, igualmente, morrem. 
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Se não houver alguém que se debruce sobre a história, os ainda vivos, a memória desaparece e os vindouros pouco ou nada ficam a conhecer sobre como eram os bairros portugueses de Banguecoque e as gentes que por lá nasceram e fizeram suas vidas. 
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Voltando e agora referindo-me mais uma vez Bairro da Imaculada Conceição que há duas dezenas de anos o visitei pela primeira vez, portugueses ou luso-descendentes, naquele pequeno nucleo não encontrei alma que fosse ali residente. 
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Mas achei o segundo livro, da paróquia, de assentos e nascimento, casamentos e óbitos e deu-me a certeza que o bairro da Imaculada Conceição é genuínamente luso. O primeiro livro de registo tinha desaparecido.
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O segundo com muitas páginas amarelecidas e em péssimo estado de conservação consegui fazer-lhe cópias em papel A3. Muitas horas perdidas, depois de copiadas as páginas e com muita paciência tornei aquele livro, com 375 páginas, legível.
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Porém a história de Portugal na Tailândia, por várias vezes tem sido deturpada em que aparece sempre alguém a clamar os bairros para êles (países). O livro de 375 páginas e com numerosos assentos de nascimento, casamentos e baptizados os nomes ali designados são puramente portugueses. Fiz questão para que minha filha Maria Martins fosse na igreja da Imaculada da Conceição (1987) fosse junto da pia de água benta baptizada. 
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No bairro ainda lá está o cemitério com gente sepultada portuguesa. E dois mausoléus por ali estão, um de uma senhora grada, portuguesa, que nasceu e faleceu no bairro em completa ruina. 
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Valeria a pena a quem de direito, perguntar à administração da paróquia da Imaculada Conceição a fim de poder ser restaurado o jazigo e, pelo menos, ficava a memória respeitada da senhora e a de Portugal.


O antigo cenitério do bairro de Santa Cruz (que conheci) deu lugar a esta construção. O campo de repouso foi construido após a fundação do bairro (1767). Foto lado esquerdo: "os priores da paróquia" conforme vai terminando sua vida terrena descansam, eternamente, nas traseiras da igreja.

No bairro de Santa Cruz muitas das suas características, dentro do contexto da urbanização, desapareceram. O cemitério deu lugar a uma grande construção para os serviços de administração da paróquia. Ao lado direito a construção de apartamentos onde residem umas centenas de pessoas. 
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Quando conheci o bairro a demografia não era significativa. Cresceu no decorrer de 20 anos e, no bairro de Santa Cruz frequentam as escolas centenas de crianças nos estudos primários. 
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Por isso pensamos que o cemitério teria sido "profanado" (não a contento de muitos residentes e o desagrado noticiado na imprensa local); foram transferidas as ossadas para um cemitério, propriedade da Igreja do Vaticano, a 40 quilómetros do bairro e na província de Nakhon Phaton. No interior do bairro pouco haja sido mudado. 
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As pessoas, a maior parte delas, católicas, praticam a religião de tal forma que me impressiona. É gente simpática e podemos caminhar, que ninguém nos molestam. As crianças olham os "farangs" (estrangeiros para os tailandeses) com um sorriso de hospitalidade. 
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Não nos pedem nada e que se fique aqui a saber: as raízes tradicionais dos tailandeses é o orgulho de ofereceram e não pedirem. Qualquer visitante que visite a Tailândia poderá encontrar pedintes, sentados nos passeios, a pedir esmolas. Esses pobres, a maioria, entraram, clandestinamente, no território de outros países e controlados por "gangues".
 
A senhora, residente no bairro de Santa Cruz embala os queques portugueses. Na foto do lado esquerdo expostos para venda ao público.

Os residentes são pessoas de vivência modesta, ocupando-se, os jovens ao balcão de grandes superfícies, vendedores de roupas nas bancas de mercados que abundam pelas cidade. Outras há que têm as suas indústrias caseiras. 
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Uma delas é o fabrico de doçaria tailandesa onde estão incluídos os queques portugueses. Os queques, o fio de ovos, o Tong Ion e o Tong Ip (bolas ovais de doce de ovos e açucar) foram as primeiras indústrias caseiras de sobreviência que surgiram no bairro desde a fundação. 
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Os fios de ovos, o Tong Ip, o Tong Ion deixaram de ser fabricados no bairro. Ainda sou do tempo que uma velha senhora possuía uma "fabriqueta" de cozinha e onde produzia, praticamente, quantidades industriais. De queques existia só uma "fabriqueta",na margem do rio quando visitei o bairro pela primeira vez. 
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A confecção era absolutamente artesanal e do tempo dos portugueses e luso/tailandeses viviam no "Ban Portuguete". O cozimento é feito a lume brando de lenha, com uma tampa de lata a cobrir os queques e esta em cima com brazas acesas para tostar levemente a superfíce do queque. 
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O amassamento da farinha, misturada com água, farinha e ovos era efectuado pela força das mãos com uma corda enrolada à haste que no movimento de vai-e-vem fazia com que duas pás, se movimentassem no fundo do alguidar de porcelana e a massa depois de pronta colocada nas formas onduladas e em seguida estas colocadas na chapa em cima do forno, de tijolos circular onde se procedia ao cozimento.

Por dois séculos o tempo ou a formiga branca não conseguiu destruir as casas de tabuinha e já familiarizado com o caminho, onde estão, como que elas sejam coisa minha. Na fotografia da esquerda o telhado, oblíquo, em ripas de madeira de teca construído o sol. Talvez o "pé-de-cabra" no futuro, faça o ajuste de contas para dar lugar a um edíficio de ferro e concreto

Dentro do bairro caminha-se pelas vielas estreitas, estas já foram traçadas de quando os portugueses e luso/tailandeses quando ali se instalaram (1767). Os habitantes deslocados do "Bangue Portuguete", seriam (sem nunca se tenha sabido ao certo) umas três mil almas. 
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Ora a fundação do "Ban Portuguete" vinha dos anos (segundo os meus cálculos) de 1518. Em 1767, já com cerca de 250 anos e com três paróquias, erigidas três igrejas, é de prever que a população de três mil pessoas deve corresponder à veracidade. 
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Como já por várias vezes me referi, nos vários trabalhos que escrevi relacionados com o "Bairro de Santa Cruz", o terreno do bairro foi oferecido graciosamnete, pelo General Thaksin, o libertador da Tailândia após ter corrido os "peguanos" do Reino do Sião depois de terem invadido e saqueado Ayuthaya a segunda capital em 1767. A dádiva do General Thaksin foi pelo facto da lealdade que os portugueses sempre hajam demonstrado. 
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Thaksin entronizar-se-ia o primeiro Rei da era de Banguecoque, fez transportar os portugueses e luso/tailandeses para a nova capital e instala-os no terreno; oferece-lhes madeira para construirem suas residências, igreja para a prática do culto católico e com isto formar nova comunidade. 
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Segundo o Dr. Joaquim Campos, um proeminente historiador, Cônsul de Portugal em Banguecoque (1936/1944 ) escreveu: "o campo de Santa Cruz não foi oferecido ao Estado Português mas à comunidade portuguesa/luso/tailandesa deslocada do Ban Portuguete".


Ando à 20 anos a investigar a quem pertenceu esta bela e elegante casa construída de madeira de teca, que teima resistir ao tempo e à corrente do Rio Chao Praya (Praiá). Foto do lado direito: a construção de um muro de cimento e ferro, na margem do rio, para a elegante casa volte a ter jardim, plantas, a "sala" e o fontenário.

Entre as casas de tabuinhas e ripinhas do Bairro de Santa Cruz, umas ainda por ali existem que mesma velhas teimam resistir à idade e à destruição que nos dá conta que ali viveu gente de negócios, rica e grada. Conheci uma moradia de dois andares e nos rés do chão uma varanda virada para o rio. 
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Um pequeno jardim junto à margem do "Chao Prya". Conheci aquela linda habitação que me fascinou o seu traço de carpinteiro de boa obra. Imaginei-me até dentro dela e sentado naquela varanda absorver o fresco do fim da tarde, a olhar o majestoso rio, ao que chamei por tantas vezes meu. 
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Nunca cheguei a saber quem foram os proprietários. Há uns 14 anos uma estudante amiga, a "Pla" (peixe na língua tai) que pela manhã tomávamos café junto à margem do rio, pedi-lhe se me acompanhava na manhã de um domingo para irmos ao Bairro de Santa Cruz. 
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A época era a das chuvas. Chegamos junto ao prédio e por desgraça minha vi desaparecer, perante os meus olhos, a elegante "Sala" (palavra portuguesa deixada na Tailândia), de tecto e cornijas rendilhadas. Levou igualmente para as águas do Golfo do Sião as terras do jardim, já sem plantas e um fontanário no meio. 
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Ontem, pela viela cheguei, mais uma vez, entre as tantas que ali fui, para lhe recolher imagens. Um residente do bairro chegou-se a mim e diz-me, indicando-me o lugar junto à margem, onde poderia obter boas imagens. E em verdade obti aquelas que nunca tinha conseguido. A casa lá estava teimando viver. De janelas fechadas e a varanda à frente virada para o rio. 
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E para meu contentamento vai viver por muitos mais anos (a madeira de teca é eterna), porque o Governo da Tailândia está a construir um longo muro junto às margens do Chao Prya e roubar ao rio as terras que lhe levou. Depois do muro voltarei à minha investigação quem teria sido a família que viveu naquela linda casa.

Um homem dá volta ao bairro matraqueando a matraca anunciando que o "Auto do Calvário" se aproximava. Num pátio davam os últimos retoques de maquilhagem aos actores da representação. Outros preparam a decoração das imagens, à volta da igrela para a Via-Sacra

O princípio da noite estava próximo e fui me aproximando para o adro da igreja. Às sete horas estava programado o início do espectáculo religioso do Auto do Calvário e a Paixão de Jesus Cristo. Os habitantes do bairro, já acostumados, passa de geração em geração, todos trabalham nos arranjos. 
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Ora enfeitam o andor onde Jesus Cristo será deitado depois de descido da cruz; surgem mulheres de todos as vielas com jarras com flores brancas. Outras enfeitam a imagem de Virgem Maria, em cima de uma mesa que vai assistir a descida do crucificado filho. O som de música sacra chega ao ouvido de todos. 
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Um homem dá volta ao bairro matraqueando uma matraca. Um objecto, velho e que me fez recordar aquela matraca que em miúdo matraqueei nas ruas da minha aldeia. 
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Num pátio maquilhavam o bom e o mau ladrão com tinta vermelho vivo para lhe dar o toque. de golpes, de sangue fresco. Senhoras maquilhavam a Maria e Maria de Madalena e o José. A outro lado a guarda Pretoriana. Não vi o Juda e não sei se já se tinha pendurado numa "árvore" pelo pescoço pela conspiração.
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O guardas Pretorianos, José, Maria e Maria Madalena, aguardam a descida de Jesus da cruz. Nos lugares de honra e (a) (b) os embaixadores de Portugal Maria da Piedade e António de Faria e Maya. (os primeiros embaixadores de Portugal que assistiram a esta cerimónia)

Chega José de Arimatéia ladeado de mais cinco samaritanos, que vão fazer descer, piadosamente, Jesus Cristo da Cruz. O palco decorado com uma pintura do Monte das Oliveira em Jerusalém. Os alto-falantes através do som sopram o vento. 
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O momento é de silêncio e de reflexão. Os devotos sentados no chão, com os dedos tapam os ouvidos porque sabem não tarda o rebentamento de petardos que são os trovões e as iras do céu contra os que crucificaram Jesus Cristo. 
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Aquela imagem pregada na cruz não representa só a sua pessoa mas a de outros Cristos que ao de cima da terra estão sujeitas à "pata" do poder, às injustiças e ao despotismo. 
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Ao lado lá estão os dois malfeitores, os ladrões bíblicos, que deveriam ser uns ladrões, naquele tempo "pilhas" galinhas.Um era o bom o outro mau que não conseguimos definir qual dos dois seria o melhor e o simpático ladrão.


Maria e Maria de Madalena e atrás três guardas Pretorianos

A descida de Jesús aproxima-se. José de Arimatéia e seus samaritanos ajoelham-se aos pés da imagem de Virgem Maria. Jesus no alto da cruz com a cabeça tombada sobre o peito. A religiosidade dos samaritanos de mãos postas perante Maria transmitem-lhe que vão trazer o seu filho às mãos e dar-lhe a condigna sepultura. 
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Troa os som das batidas do martelo no lenho para retirar das mãos os cravos com que foi crucificado Jesus. Conforme vão retirando os ferros que prendem Cristo vêm ofertar, de joelhos, a Maria. 
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Ela é uma das imensas Maria/mulher, do Mundo, que sofrem pela morte dos filhos. O acto é de reflexão para todos que presenciam a generosidade de José de Arimatéia.

Jesus arriado da cruz que depois será transportado para um andor e depois ali deitado

Jesus deitado na cama de um andor, em procissão, acompanhado pelos moradores do bairro de Santa Cruz e outros peregrinos que ali vieram para assistir ao Auto do Calvário e a descida de Jesus Cristo da Cruz
 
A cerimónia acabou junto às nove horas da noite. Lá estaremo para o ano de 2009
José Martins (fotografias do autor do texto)

LUSA TAILANDESA NUMA FINAL DE CONCURSO DE DANÇA EM BABGUECOQUE



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CONCURSO DE DANÇA - LUSA TAILANDESA NUMA FINAL

segunda-feira, 22 de julho de 2013

BAÚ DE MINHAS MEMÓRIAS - JUDITE DE SOUSA


Publicada por Maria Manuel “A Vida é um Minuto – O Poder e a Imagem” é o título do novo livro de Judite Sousa, que será apresentado no próximo dia 2 de Setembro, na livraria Bulhosa, em Entrecampos.
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O novo livro da jornalista, que será editado pela Oficina do Livro, vai ter a apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, também autores do prefácio da mais recente obra da jornalista.
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"A Vida é um Minuto - O Poder e a Imagem" vai abordar questões e acontecimentos políticos, nacionais e estrangeiros. Situações como a demissão do ministro da Economia Manuel Pinho, caso Freeport, serão alguns dos temas abordados.Este é o segundo livro da jornalista. O primeiro, editado em 2002, tem como título “Olá Mariana - O Poder da Pergunta”, que, para quem é uma amante de jornalismo como eu, recomendo vivamente.
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À MARGEM: Memórias há muitas para continuar a retirar do meu baú.
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Fui um "gajo", em Banguecoque, conhecido por governadores, ministros, jornalistas e outras figuras públicas.
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Há no meu baú montes de coisas para revelar. Não penso que tenha havido alguém que eu tenha servido ou acompanhado em Banguecoque, que tenha partido e dito mal de mim...
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A todos servir no meu melhor!
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Bebemos copos, perdemos noites e como fui um tipo "porreiro" nunca dei com a línguas nos dentes.
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Quando me começo a elogiar ninguém me segura...
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Mas tranquilos, porque com a idade que tenho não procuro promoção nenhuma nem favores de um "tacho".
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Deixo as "basófias" e vou falar de Judite de Sousa e orgulho-me de ter sido eu o primeiro "gajo" que colaborou, no estrangeiro, com uma das mais inteligentes jornalistas que na Tailândia lidei.
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Não posso afirmar com convicção quantos dias a acompanhei se por dez ou mais dias em Banguecoque.
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A Judite foi a destacada para realizar um longa metragem, da série "Portugal sem Fim", em cima da história de Portugal na Tailândia e de Malaca.
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Estavamos no ano de 1986. Antes da Judite viajar para a Tailândia, teve um encontro com o Embaixador Mello-Gouveia, de férias em Portugal, a dar-lhe conta do seu projecto na Tailândia e na Malásia, e solicita-lhe a ajuda de alguém e, desde logo, o nome do José Martins lhe foi indicado, como "barra", conhecedor das coisas de Portugal na Tailândia.
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Na altura ainda não tinha viatura, aluguei um carro e viajamos para Ayuthaya, Bairros Portugueses de Banguecoque, cemitérios (ainda não tinha sido profanados), filmou-se o fabrico dos fios de ovos (Foi Tong) como séculos atrás, foi-se a casa de um descendente da familia, luso-descendente, Sequeira e, muito velho, dedilhou o Hino Português no seu piano.
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Um trabalho excelente e de quando em Banguecoque existia muita coisa de um passado. O progresso ainda não tinha chegado a Banguecoque.
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Minha filha Maria gestava-se na barriga de minha mulher e viria a nascer um mês depois.-
Acompanharam a Judite, de Lisboa, um operador de câmara e o ajudante para carregar o pesado gravador.
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À noite visitamos o famoso Soi Paptong e viu aqueles "shows", como jornalista curiosa.
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Partiu com um "bom trabalho" elaborado a poupar o mais que possível, porque o dinheiro que trazia com ela era pouco.
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Nunca mais vi a Judite, mas passados 13 anos veio acompanhada do marido o Prof. Fernando Seara, (actualmente Presidente da Câmara de Sintra), seu filho do primeiro casamento e não se esqueceu do José Martins e foi à procura dele à Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Alguém foi à minha sala de trabalho e disse-me: "Está lá fora a Judite de Sousa à sua procura".
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Encontrei aquela menina, franzina, em 1999 como a tinha visto em 1986.
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Delicado como sou, pedi licença ao Prof. Fernando Seara, se poderia abraçar a sua esposa.
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Dei-lhe um grande abraço e nos seus olhos um brilhozinho.
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À noite fomos jantar à esplanada do hotel, ao lado, o "Royal Orchid Sheratoñ".
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Partiu de Banguecoque e foi despedir-se de mim.
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Além das suas entrevistas na RTPi, nunca mais a vi em pessoa.
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Talvez um dia a volte a ver em Banguecoque.
José Martins

1 comment:

Judite Sousa12:33 am
Caro José Martins, fiquei muito feliz de ver a " nossa " história de Banguecoque tão bem contada no seu blogue. Gostei de recordar aqueles dias magníficos e de recordar a sua preciosa ajuda. Desejo que tudo esteja bem consigo e gostaria de o rever um dia destes, ou em Lisboa ou na Tailândia. As saudades são muitas e as recordações infinitamente boas. Abraço amigo. Judite Sousa

LEMBRANDO O FALECIMENTO DE UM AMIGO

Há 5 anos noticiavamos 

JOÃO AZEREDO FALECEU


João e sua mulher Gobporn Azeredo, um casal feliz (foto do autor em 2006)
Depois de prolongada doença e a lutar pela vida, faleceu às três horas da manhã de 23.07.08, no "Lard Prao Hospital", em Banguecoque, João Azeredo, Adido Cultural da Embaixada de Portugal, na capital tailandesa. 
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Doente desde há cerca de 8 meses, cujo  mal  do João se sabia ser-lhe fatal, continuava, dentro de si a vontade de viver. Já em estado "terminal", há cerca de uma semana, pedi a minha mulher, (mais corajosa do que eu) que visitasse o João Azeredo no hospital e encontrou-o já bastante debilitado, alimentado a "soro" e a respirar artificialmente. 
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Levou-lhe um liquido fortificante e, no acto da entrega disse-lhe: bebe-o para que voltes forte: em sílabas respondeu a minha mulher:I hope so... (tenho esperança). 
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Conheço o João Azeredo há uns 10 anos, na Embaixada de Portugal e durante as comissões dos embaixadores: Tadeu Soares, Lima Pimentel e Faria e Maya. 
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As nossas áreas de serviço dentro da missão foram diferentes, mas sempre tivemos um óptimo relacionamento. Homem reservado, cumpridor das suas obrigações que era o ensino da língua portuguesa em duas universidades de Banguecoque. 
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Parte dos livros que figuram na minha biblioteca ao João Azeredo lhos devo que nunca se haja esquecido de me oferecer exemplares que chegava duplicados de Macau ou do Instituto Camões de Lisboa. Partiu desta vida sem ter completado a obra que pretendia levar a efeito. Nem sempre as coisas lhe teriam sido fáceis, devido à falta de fundos. 
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Escapou à morte durante a tragédia do "Tusnami" na estância balnear do Phuket em 26 de Dezembro de 2004, no primeiro andar do hotel onde estava hospedado mais a esposa. 
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 Porém não escapou às leis da natureza que o levou deste mundo, ainda jovem e que muito haveria a esperar de João Azeredo. Eu e minha família apresentamos os sentidos pêsames à esposa, de nacionalidade tailandesa, Goporn Azeredo.
José Martins