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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MEMÓRIAS DE BANGUECOQUE - DEZEMBRO DE 2007

 Outra coisa eu não haja feito que divulgar Portugal e a Tailândia durante a minha já longa vivência neste Reino.

Monday, December 10, 2007

A MINHA PRIMEIRA (INCOMPLETA) SEMANA DE DEZEMBRO

A minha primeira semana de Dezembro (2007) não correu mesmo nada como eu a futurava.  
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Pensei que iria ser em cheio onde se incluiria o fim-de-semana. Mas antes que me enfronhe na história que vos irei contar é que nem tudo correu mal...
Isso viria depois!
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No dia 5 foi feriado e ocorreram, em todo território nacional, as celebrações dos 80 anos de Sua Majestade o Rei da Tailândia Bhumibol Adulyadej. Um dia grande e memorável que será tarde ou nunca que um monarca atinja a bonita idade de oitenta anos, com todas as suas faculdades mentais e 61 anos guiando os destinos do povo tailandês.  
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Um dia antes Sua Majestade falou, no grande auditório do palácio de sua residência aos homens "bons" do seu Reino. Havia dois meses tive conhecimento que de Portugal chegariam artistas de arte de bem cavalgar em toda a sela para actuarem em espectáculos, durante a realização dos torneios equestres e inseridos nos "24th Sea Games" (jogos entre as nações da ASEAN). 
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Esse espectáculo teria efeito na fazenda de cavalos do senhor Chaikiri Srifuenfung situada nos arredores de Pattaya; distante 150 quilómetros e umas duas horas de viagem de Banguecoque.
Chaikiri Srifuenfung é meu conhecido e um amigo de Portugal e dos cavalos de raça lusitana que alguém os apelidou e bem "Filhos do Vento".  
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Conheci-o há uns 13 anos, de quando me convidou para visitar o seu "rancho de cavalos" e noticiei, através da revista "Macau" e o semário "Notícias de Gouveia" a residência do "Filho do Vento" na Tailândia.  
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Para a apresentação dos artistas portugueses na Tailândia e o espectáculo onde iriam actuar com toda a mestria no "Horseshoepoint" (ex-Rancho de Cavalos), teve lugar no jardim da residência dos embaixadores de Portugal acreditados no Reino da Tailândia uma conferência de imprensa para os media de Banguecoque.  
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Não estive, ali a representar jornal ou agência noticiosa, mas como independente e com o objectivo de alimentar este blogue com notícia de interesse e relativa a Portugal.  
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Falou em primeiro lugar o Embaixador Faria e Maya, seguiu-se-lhe o sr. Chakiri Srifuenfung, sua filha a Sherry (uma apaixonada exímia cavaleira) e os artistas portugueses. 
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A conferência foi excelente e estiveram presentes representantes de jornais e dos canais televisivos da cidade de Banguecoque. Pouco mais fiz que umas fotografias e aguardei para o dia antes do espectáculo no "Horseshoepoint" recolher as informações; conhecer os artistas portugueses e seus nomes. 
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Dos artistas de arte equestre, chegados de Portugal, com especial destaque para Luisa Valença (Bi para os amigos) filha de Luis Valença Rodrigues, um mestre na "arte de bem cavalgar em toda a sela" e outros acompanhantes que juntos iriam actuar, em dois espectáculos, "Passionata", durante a realização dos diversos torneios hípicos inseridos no "24th Sea Games", a ter lugar no "Horseshoepoint". Infelizmente (como acima o afirmei) não consegui, durante a apresentação e conferência de imprensa recolher informações em cima dos artistas portugueses. 
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As que temos foram aquelas que nos foram franqueadas pela mesa de apoio à comunicação social ao evento.Partimos de Banguecoque para a estância balnear de Pattaya na sexra-feira, dia 7, pelas 2 da tarde. Um dia antes para reservar hotel e preparar-me para os dois grandes dias que esperava que fossem em cheio! 
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Artistas portugueses a actuarem na Tailândia são raros e a não perder. Pattaya dista de Banguecoque 145 quilómetros e o percurso, sem correrias e com segurança atinge-se em cerca de duas horas. Estrada excelentes e de igual piso. 
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Para lá das bermas da estrada o cenário apresenta-se verde e grandes fábricas instaladas de produção de eléctrico-domésticos, automóveis, motocicletas e outras, indústrias produzindo o diversos produtos. 
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A construção do porto de águas profundas de Sri Racha a 100 quilómetros da capital tailandesa veio, não só a descongestionar o porto de Banguecoque onde apenas barcos de parca tonelagem atracavam, como assim tornar-se uma alavanca de desenvolvimento da área com a instalação de novas indústrias.  
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Pelo caminho cruzamo-nos com comboios de camiões carregando contentores no lastro das carroçarias que bem denotam que na Tailândia tudo fervilha na senda direccionada ao progresso.  
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Passado duas horas de partirmos de Banguecoque estamos no "Horseshoepoint". Aquele lugar que conhecemos já lá vão 13 anos ainda, nessa altura, havia por ali campos de plantação de tapioca, de ananazes entre os coqueirais. 
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Embora por lá se vejam casas de agricultores e campos de cultivo verdejantes, bem nos parece que daqui algum tempo os bairros de casas luxuosas, já muitas construídas tomarão conta da colina do vale e das terras mais além. 
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No "Horseshoepoint" quando ali cheguei trabalhadores ocupavam-se na preparação dos espaços, desportivos, onde no dia seguinte os cavaleiros, dos dois sexos, iriam dar o seu melhor em procura de ganhar uma medalha.
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Dirigi-me à recepção e procurei quarto para me alojar durante três noites.
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Hotel cheio até às costuras e apenas tinha acomodação para uma noite. Desisti e fui em procura de um outro que me garantisse quarto para os três dias programados.
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Não muito distante achei um onde apenas poderia dormir uma noite. Resignado, o sol escondia-se no horizonte, reservei-o para que mais não fosse o arrumar a "tralha" de viagem. No dia seguinte se veria aonde poderia alojar-me. Lugar pitoresco, com um grande lago pela frente e distante da buliçosa noite da cidade de Pattaya.
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Dia 8 às 7 da manhã de sábado, artilhei-me com as duas "Nikon F70" e dirigi-me ao "Horseshoepoint" para assistir e registar em imagens as primeiras competições hípicas que teriam início às 8. 
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Cavaleiros dos dois sexos iam competindo nos campos que lhes estavam reservados, enquando os juizes observavam as provas para que lhes conferissem as classificações. Porém começam desde logo os meus problemas de movimentação.
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Razão: não tinha sido acreditado perante a "press" dos "24th Sea Games" e me fosse dado um cartão para me facilitar a chegar aos pontos que me permitisse registar em imagens o desenrolar das provas. Andei de "Herodes para Pilatos" para conseguir mais que não fosse um "passe" de um dia único que o revalidaria dias-após-dia. 
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Em vão todos os meus esforços. Entretanto encontrei ao acaso a assistente do director de "marketing" do "Horseshoepoint" Bunjirá (Aey) Luanprida, uma jovem simpática e de um sorriso tal que irradia simpatia logo após o primeiro contacto.
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Conheci a simpática "menina" durante a apresentação dos artistas portugueses no jardim da embaixada. Bunjirá desde logo se prontificou em nos ajudar e levar-me à mesa da "press" apresentando-me. Todos os seus esforços foram em vão. Responde-me: sorry (lamento).
A falta cometida de não me ter me acreditado como reporter/jornalista no "24th Sea Games", resultou nisto. 
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Olhando que não iríamos ter vida fácil em reportar o espectáculo de cor e arte pelos artistas portugueses onde na exibição se pode apreciar: "a harmonia entre as pessoas e o cavalo lusitanos", abandonámos o local e procurei instalar-me junto à praia de Pattaya.
Assim fiz.
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Esqueci os cavalos o deslumbrante espectáculo "Passionata" e mais o tudo que no "Horseshoepoint" iria ter lugar.

Guiei o jip Vitara pelas ruas movimentadas da cidade de Pattaya. Observei gente de todas as raças e credos. Veraniantes que não fiz a pequena ideia quais as suas orígens. 
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Homens musculosos e de braços tatuados sentavam-se nas esplanadas dos bares junto à avenida a marginar a praia.
Velhos, ocidentais, a não aguentarem com uma "gata pelo rabo" acompanhados de mulheres ainda jovens que bem poderiam ser filhas que namoradas.
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Mais outro velho, europeu, a caminha com dificuldades amparado por dois amigos. Estaria o ancião pingado de cerveja ou ter sofrido a desidratação da humidade e do calor que se fazia sentir? Ainda mais outro, que me pareceu de etnia árabe a caminhar na rua, em estilo: "tem-te-não-caias" a falar sozinho. 
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Ao longo da principal avenida centenas de guarda-sois abertos esperam pela clientela para de umbigo para o céu descoberto torrarem a pele e se deliciarem com o cenário da água azul do mar a perder de vista. Tudo por ali se vende desde a água de coco fresca, aos refrigerantes e mais de uma dúzia de marcas de cerveja.
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A estância balnear de Pattaya observando-a agora e recordando a data que a conhecemos pela primeira vez em 1978 a diferença é abismal.
Tudo se transformou!
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Centenas de autocarros, com turistas (um quinhão significativo dos países d Ásia) despejam uns milhares largos de pessoas que (depende) por uns dias ou semanas que por ali se vão quedar.
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A cidade tem acomodação para todos os preços e bolsas onde se pode encontrar estadias desde a meia dúzia de euros à mais de centena e meia. Há hoteis com as suas praias privadas, para o lado sul e onde o turista, claro os indinheirados, poderão gozar umas férias de sonho. A vida nocturna em Pattaya é intensa e parte dos turistas fazem da noite dia, acomodam-se ao amanhecer; tomam o pequeno-almoço ao meio da tarde. 
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Hospedei-me por uma noite num sexto andar de um hotel de 3 estrelas e do terraço admirei a magnificência do mar azul, as motos aquáticas, os paraquedistas puxados por barcos de alta velocidade e toda aquela vida marítima onde não faltam restaurantes flutuantes de grande porte onde se pode saborear uma mariscada.
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No domingo dia 8 levantei-me cedo para regressar a Banguecoque. Não resisti a dar uma volta pelos arredores, rurais, de Pattaya. Subi pequenas montanhas e fui encontrei o Lorde Buda escupido na encosta de granito da montanha. 
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Umas dezenas de peregrinos visitava o lugar. Tirei fotos aquela obra sacra. Dirigi-me em direcção à estância balneária de Bangue Saem a 6o quilómetros de onde me encontrava. Junto à praia havia barracas de comes-e-bebes. A proprietária grelhava peixe fresco e caranguejos pescados ali mesmo.
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Não resisti ao cheiro do assado.
Meio-dia hora de almoçar.
Sentei-me na esplanada do paredão a olhar o mar a perder de vista.
O cheiro da maresia abriu-me o apetite.
Vamos lá a isso!
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Um peixe e dois caranguejos grelhados e uma cerveja adubaram o meu estômago pelo preço de uns 6 euros (300 baht em moeda tailandesa).
Ainda me quedei por uma boa meia-hora estático a observar o mar até ao infinito que o meu olhar atingia. Parti e fui fazer a romaria à montanha dos macacos onde estes "malandros" atrevidos tudo pilham o que podem aos que os vão visitar.
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Deitam-lhe comida e esta é disputada entre macacos e cães vadios que por ali andam em procura da sobrevivência No sopé da serra dos macacos há um templo onde a estátua de uma deusa chinesa de grandes proporções e altura se ergue entre o canavial de bambús.Procurei um lugar onde pudesse obter a melhor imagem. Parece-me que o "boneco" ficou mesmo à maneira.
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Ateu, convicto, como sou olhei aquele rosto tão meigo e subtil que o escultor com mestria lhe soube dar o jeito amoroso que me fascinou e me apetecia se a deusa fosse viva beijar-lhe a face.
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Cheguei a Banguecoque ao fim da tarde.
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Não assisti, com mágua, ao espectáculo "Passionata".
Voltará um dia creio e então lá estarei mais uma vez. Mas desta bem prevenido estarei para não perder a conjugação e a harmonia entre o humano e o cavalo, nobre, lusitano.
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Para terminar: aos leitores que têm tido a paciência de ler a minha prosa; aos que me criticam (agradeço) "FESTAS FELIZES E UM 2008 COM (ALGUM) DINHEIRO, AMOR E FRATERNIDADE".
José Martins