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sábado, 28 de abril de 2012

OLÁ SIÃO - 5 SÉCULOS DE RELACIONAMENTO ENTRE A TAILÂNDIA-PORTUGAL

Em Banguecoque, na área nobre da capital Tailândia, a escassos metros do Grande Palace e do tempo templo budista Wat Po, onde umas largas centenas de turistas passam, diariamente, por ali, durante os dias 27,28 e 29 de Abril esteve aberta, absolutamente grátis, ao público tailandês e turistas uma exposição onde evidencia a chegada, em 1511, dos portugueses, à velha capital do Reino do Sião, Ayuthaya. No largo edifício que antes se instalou o Ministério do Comércio da Tailândia e convertido, em 2004, em mais um centro de estudos denominado  "Museum of Siam" (National Discovery Museum Institute), dando conta das orígens das gentes siamesas, há milhares de anos e o relacionamento com outras gentes quer da Ásia, Oriente e Ocidente. Em destaque, entre os países que tiveram relações está Portugal e os portugueses os primeiros europeus que chegaram a Ayuthaya no príncipio da primeira década do século XVI. As imagens, a seguir, legendadas  dão conta da exposição, com o patrocínio do departamento do turismo da Tailândia (TAT) e a colaboração da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
O catálogo, explicativo, da exposição apresenta a figura do Grande Afonso de Albuquerque, personalidade, portuguesa, que a ele se deve o relacionamento de Portugal com Reino do Sião de quando conquistou, a fio de espada, Malaca em 1511. O Grande Albuquerque depois tão grandes feitos conseguidos e colocar Portugal como o país de maior prestígio na Europa, na era da expansão, sofreu os "malefícios", da intriga e famosas as suas frases, já moribundo e prestes a deixar o mundo, num barco com Goa à vista: "Mal com el-rei por amor dos homens; mal com os homens por amor de el-rei."
A capa da parte de trás do catálogo, apresenta a imagem, das gentes que viveram (vivem) no Sião/Tailândia cujas raças de diferentes religiões e credos, por séculos (ainda  actualmente) têm vivido em completa harmonia.
O amplo jardim e a entrada para edifício onde três andares ocupados com a exposição "Olá Sião" estava decorado com artilharia portuguesa, outros apetrechos da época da expansão portuguesa na Ásia e Oriente. 
Um cartaz mostrando um soldado português, empunhando uma espingarda, mostra também uma peça de tiro curto e duas espingardas. Quando os portugueses chegaram ao Reino do Sião, na velha capital Ayuthaya, as armas de fogo eram completamente desconhecidas e o sistema de defesa do Sião obsoleto. Os portugueses, introduzem a espingardaria, os canhões e ensinam aos siameses a arte do manejo, contribuindo assim para a conservação da soberania da Tailândia desde a fundação do Reino em 1180 até aos dias de hoje. O Sião não se livrou de guerras e invasões impostas pelo seu vizinho Reino do Pegú, mas nunca perdeu a independência e tenha sido colonizado por potência europeia como outros países do Sudeste Asiátco o foram.
Imitações de velhas peças de fogo, grosso, expostas no jardim do museu e servem para entreter os visitante, fazer o gosto ao dedo disparando ao encontro de um alvo.
Uma imitação de um canhão português, com as balas, pólvora em barril, a mecha de pegar fogo ao rastilho, vara com chumaço na ponta para atacar a  pólvora e outros material usado pelos artilheiros. Classifico esta exposição de alta pedagogia, principalmente, para as crianças de escola e estudantes.
Um soldado siamês na época que os portugueses chegaram ao Sião (1511). O sistema de defesa era, então, bastante rudimentar. Os portugueses construiram fortes e baluartes em pontos estratégicos e ensinara os siameses na arte de trabalhar o ferro e os metais e fabricar as suas armas.
A proa de um barco à vela é exposta no jardim. É um símbolo da ligação de Portugal com o Sião. Continuo a referir que os portugueses, além de serem os primeiros a travar relacionamento com o povo siamês estiveram fixados cerca de 130 anos sem outro país da Europa conhecer o Sião.
À entrada para o edifício onde nos três andares se encontra a exposição, à entrada o público é recebido por duas simpáticas e bonitas tailandesas trajando o quimono japonês. Refiro aqui que o relacionamento entre o Japão e o Sião remonta pouco depois da chegada dos portugueses. O campo japonês, Yamada, na margem esquerda do grande rio Chao Praiá em Ayuthya (velha capital do Sião) situa-se do lado oposto ao campo português Ban Portuguet. Houve uma estreita ligação entre os portugueses e japoneses, pois estes eram os cristãos perseguidos de quando Francisco Xavier introduziu o catolicismo no Japão. Maria de Pina Guiomar, a luso/japonesa que deixou, como herança, o fio de ovos, e a mais popular doçaria na Tailândia, tudo me indica que viveu seus últimos anos no Ban Portuguet e ali ficou sepultada.
Uma jovem tailandesa, trajando à europeia do século XVII, introduz ao público, sentado, a exposição que vão ver.
O público vai ver um curto filme, projectado num ecran curvilíneo e grandes dimensões a introdução do que vão visitar. 
 Não poderia faltar na exposição o tradicional Tuk-tuk, um pequeno triciclo que serviu de táxi e popular para o transporte de pessoas a partir da década quarenta do século passado. Este meio de transporte é uma invenção tailandesa e adaptada, a locomoção, um motor de rega cujo o escapa imitia o som: tuk,tuk,tuk..... Os táxis de quatro rodas tomaram-lhe o lugar e usados para pequenos transportes baratos dos siameses ou algum turista curioso que deseja experimentar o simpático meio de transporte.
A exposição, como óbvio, não foi unicamente dedicada a Portugal, mas inseridos as origens do povo tailandês, outras étnias e países que também se relacionara, Um cartaz dá-nos conta da Companhia Holandesa da Índias Orientais, da Holanda que colonizou a Indonésia, tomou-nos Malaca. A fixação holandesa em Ayuthaya foi muito pequena. não criaram raízes, como Portugal. Num pequeno terreno instalaram-se com armazéns onde guardavam as mercadorias compradas e especialmente a prata que chegava do Japão.
Os ingleses nunca se fixaram no Sião apenas a Companhia das Índias fez negócios com o Sião de compra e vendas. O comércio principal dos ingleses foram tecidos.
Os franceses também se fixaram, embora por curtos anos, no Sião. Luis XIV de França, suas intenções era colonizar o Sião e com isto ser o pêndulo da balança entre o Reino Unido que colonizava a Índia e a Holanda a Indonésia. A pretensão de França, usando o aliciamento e os missionários das missões de Paris, reverteu numa total tragédia, de quando os siameses deram conta das intenções de França, com perda de muitas vidas do lado francês.
Uma maqueta que apresenta o Rio Chao Praiá, dois barcos junco chinês, uma canoa, a vegetação e uma igreja católica, em Ayuthaya. São os missionários do Padroado Português do Oriente que introduziram a religião católica no Reino do Sião. Como nota curiosa o Padroado Português do Oriente não estava sob a jurisdição do Vaticano e isso viria a dar-lhe imenso desgostos de quando Portugal esteve sob  os Filipes  de Castela, por 60 anos, altura em que o clero português no Oriente sobre os revezes da política, religiosa, do Vaticano que não ordena bispos portugueses
 Um cartaz entre muitos outros designa: Ayuthaya a cidade multi-racional de pessoas, de línguas e culturas. Através de séculos os reis do Sião e presentemente a Tailândia foram tolerantes à disseminação de outros credos. Nunca nenhuma igreja foi perseguida.
Houvera um cuidado, primoroso, de vestir as tailandesas com trajes europeus do século XVIII e XIX. Não posso descurar e revelar aqui a simpatia e a beleza destas criaturas. Destaco aqui o cuidado de quando pedi uma brochura, informativa, que não havendo no local solicitado, prontamente, uma cicerone a fui buscar e ma entregou em escassos minutos.
Em mesas interativas, muitos jovens estudantes, dos dois sexos, divertiram-se e aprofundaram o conhecimento sobre a sua nação.
 Uma das várias mesas interativas onde bastava o visitante coloca o dedo num porto, logo abria uma rota, explicativa que daria mais conhecimentos. O jovem tailandês tem sede de aprender.
 Uma sala, do período de Ayuthaya, palavra deixada pelos portuguesa na Tailândia. Ainda hoje, modificada, a sala continua popular na Tailândia. A da imagem pertenceria a um oficial do exército ou a nobre de Ayuthaya. Em cima da mesa de pé curto está um mosquete de pequena dimensão que seria para disparar se por ali surgisse um mau encontro.
Figurantes a representarem soldados siameses, portugueses e um pirata posam para quem desejar ficar cim uma lembrança da exposição
 A imitação de um pirata de alto mar. Os ingleses e os holandeses grandes trabalhos deram às naus portuguesas no alto-mar. Chegavam a pilhar a mercadoria e a matar tripulações completas das naus. Foram o terror nos mares do Sul da China, Golfos do Sião e Bengala. A pirataria era de tal orden que uma nau ou caravela a navegar de Macau para Goa teria que navegar junto à costa para fugir aos piratas ingleses e holandeses.
A entrada para a exposição "Olá Sião"
No museu na loja de vendas de lembranças fui encontrar um excelente livro, escrito na língua tailandesa "Discovering Portugal", importante para os turistas tailandeses que visitem Portugal. 
José Martins