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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EMBAIXADOR TADEU SOARES, ENJOADO, PARA MIM: “NOSSO PAÍS É CONHECIDO PELOS MOTORISTAS E CRIADAS DE SERVIR”

História  real (aliás não sei mentir) aquela que vou escrever.José Tadeu Soares, diplomata de carreira, andou por seca e meca e acabou por ser acreditado, como embaixador de Portugal no Reino da Tailândia em meados do ano de 1999. 
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Tadeu Soares era assim,assim, como um diplomata “menino do coro” cheio de tiques, amaneirados, que os deve ter apanhado por onde, na estranja andou. 
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Banguecoque foi o primeiro posto (embora ainda não o fosse) com a categoria de embaixador, plenipotençário, com todos os poderes, conferidos e mais alguns que por sua livre vontade tomou o de esmagar os que o serviam bem e optar por outros.


Quando embaixador Tadeu Soares se me apresentou, pessoalmente, me pareceu ser um embaixador “queridinho”, porque os modos com que se me dirigiu a mim era mesmos isso. Tadeu vinha tomar o lugar do embaixador Mesquita de Brito que não terminou a sua comissão e alguém, que nunca se soube o tramou que teve ordem para regressar ao Palácio das Necessidades com um bilhete de avião de um só caminho.
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Pra mim e porque já seguia há uns anitos nos meandros da diplomacia, na embaixada de Portugal em Banguecoque é sempre uma incógnita, porque (embora antes de assumir funções já sabia dele certos, preliminares, tiques se macho ou maricas) nunca se sabia o que me ía sair na rifa.


Não posso, de principio ter razões de queixas de Tadeu Soares, vi-o como pessoa simpática, o mesmo não foi para a sua secretária a Kung que usava a saia meio palmo acima do joelho, para mostrar a bela perna que Tadeu embirrou com as ditas, torneadas, da rapariga. A Kung, uma excelente funcionária não esteve com meias e sobras medidas partiu e foi para outra banda servir a diplomacia de outro país.
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Aonde eu quero chegar: “na altura e de quando Tadeu Soares assumiu funções de representante de Portugal para a Tailândia e mais seis países do Sudeste Asiático eu era, também, na parte comercial, o representante, há dois anos, do ICEP legal de Portugal para os mesmo paises de que Tadeu Soares que nunca viu com olhos de ver... 
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Poderia lá ser um “tipo” que era eu, um assalariado ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros, com a licenciatura e o diploma da 4ª Classe da Instrução Primária, representar o comercio de Portugal na missão diplomática que ele vinha assumir seu destino?” 
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Um osso que eu teria de roer porque Tadeu em vez de me deixar continuar activar o comércio português na Tailândia, promovendo os nossos vinhos, o azeite, as azeitonas, as sardinhas de conserva colocava-me a bater telegramas, de um cozinhado extraído de recortes dos jornais, locais, que muitos dias batia aquela prosa, lixo, até às 10 horas da noite.
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O comércio português na Tailândia que fosse colher urtigas e o que era preciso seria Tadeu Soares enviar muitos telegramas e faxes para a CIFRA do Palácio das Necessidades e ali ficarem cientes que Tadeu era mesmo aquele barra a produzir serviço.
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De qualquer forma e feitio lá foi fazendo conforme ia podendo o serviço de dactilógrafo, de arquivos, das constantes emendas da prosa de Tadeu (pois ele também sofria do síndroma da crítica dos colegas dos erros ortográficos) e as funções que me diziam respeito, por obrigação do ICEP. 
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Clique na imagem para a ver ao tamano natural


Eu tinha sido convidado pela organização de feiras internacionais de Banguecoque a BITEC, para expor produtos portugueses num pavilhão de 20 metros quadrados, absolutamente gratís, junto a outros de embaixada. Fiz os meus planos dos produtos que lá deveria expor e como deveriam trajar as duas hospedeiras, de pavilhão,  ali estariam presentes a informar os visitantes e a distribuir panfletos, turisticos e outros relativos a Portugal.
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Apresentei o meu projecto ao embaixador Tadeu Soares onde incluia além da informação bilingue (inglesa e tailandesa) que as duas hospedeiras estariam vestidas com trajes minhotos. 
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Depois de o informar do traje das meninas, bonitas, (tive sempre o cuidado na selecção) hospedeiras Tadeu Soares em termos de irritado e não menos enjoado: “Portugal é conhecido no Mundo como um país de motoristas e criadas de servir!” 
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Fiquei (sem dar por isso) estupefacto perante Tadeu Soares e de quando o traje, lindíssimo, de Viana minha filha Maria Martins, vestindo-o dois anos seguidos num concurso de trajes de países na sua escola internacional ficou em primeiro lugar. Voltarei, mais tarde a histórias com Tadeu Soares de quando por três anos e dois meses o servi.
José Martins

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NÓS OS PORTUGUESES SOMOS ISTO... VALDEMAR ALVES NA ROTA DOS PORTUGUESES EM CEILÃO (SRI LANKA)

 Não conheço, pessoalmente, Valdemar Ribeiro Alves,  e tenho-o como leitor, assíduo, dos meus blogues. Emigrante português na Austrália e de quando em quando desloca-se a vários países da Ásia e aqueles por onde passaram os portugueses. Acabou de efectuar uma viagem a Ceilão e dá-me conta, por e-mail, num breve trecho o que viu na ilha da canela anexando 6 fotografias que publico. Os portugueses são isto... Longe da Pátria e perto o coração dela! Um abraço de mim ao Valdemar.
Valdemar Ribeiro Alves valdemar.ribeiroalves@gmail.com
 2012/2/27   
Amigo José Martins,
Aprendi várias coisas na Trapobana do Luís Vaz. A primeira é que durante a nossa Expansão Marítima nunca tivémos mais que 12.000 efectivos por todo o nosso Império, o que tendo em consideração os 22.000 que (salvo erro) estiverem em Moçambique FOI OBRA!... A segunda é que derivado a tão poucos homens, os portugueses trouxeram para o Ceilão umas quantas Companhias de Moçambicanos que hoje ainda se podem localizar os descendentes, os chamados KAFFRINHAS que igual que OS CASADOS por aqui ficaram, felizes da vida, deixando quase um SILVA em cada esquina... Por último aprendi o que eu já suspeitava... Os holandeses/ingleses destruiram-nos quase todos os fortes e as igrejas mas o que ficou de pé os Filhos da Puta RETIRARAM O BRASÃO DAS QUINAS e puzerem os deles... passando a chamar-se "Dutch Forts e Dutch Reformed Churchs"... E como uma desgraça nunca vem só, até o Consulado de Portugal em Colombo fica situado NUMA FARMÁCIA!... Um abraço.
Valdemar Alves


 O que escrevi em 2003 sobre Ceilão e a visita que fiz à ilha em 1982, precisamente há 30 anos.

Luis de Camões no Canto Primeiro da sua imortal Obra os Lusiadas  designa o Ceilão como a Taprobana:
<
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçadas
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublinharam>>
 
Ante das naus de Portugal chegarem ilha do Ceilão (também conhecida pela da canela), o território já era conhecido na Europa e o naturalista, romano, Plínio depois de meados do século I, (era de Cristo) já se refere  à Taprobana na sua obra; como sendo uma terra tretos elefantes. Ceilão na língua sinhalesa significa leão e, assim a “Ilha dos Leões”
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No início do século I as rotas marítmas para a Índia e o Ceilão eram efectuadas pelo Mar Vermelho e teriam que ser aproveitadas as monções. Cada viajem (de Julho a Setembro demorava três meses) e o regresso, se procedia,  de meados de Novembro a Fevereiro com igual de tempo do percurso.. 

As especiarias e outros produtos da ilha chegavam aos mercados, costeiros, mediterrânicos aos portos de Veneza, Piza e Génova (Itália) pela rota de Ormuz e dos rios Tigre e Eufrates.
A descoberta da rota marítima por Vasco da Gama, em 1498, leva que os portugueses venham a ser os senhores do comércio marítimo da Ásia e, evidentemente, sem ser uma ocupação colonialista, mas em procura da conquista do monopólio do comércio nas zonas,  arrearam as âncoras das naus nos portos da Costa do Malabar e, oito anos depois, chegam ao Ceilão.
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Não são, de todo, fáceis os contactos com as populações mas deparadas dificuldades e pelejas, no princípio, para encetar o relacionamento, comercial, com os povos dessas paragens dado que os árabes e os sultões otomanos eram os senhores  da navegabilidade dessas águas e da permuta mercantil entre a Ásia e a Europa. 
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As caravelas lusas navegam, sem embates navais; o receio dos assaltos da pirataria no oceano Índico desde Goa, Ormuz, Malaca e não tardam a chegar aos portos do mar do Sul da China e ao do Japão. 
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Vasco da Gama, em Maio de 1498, aporta em Calecute, com quatro velas sob  o seu comando e depois em 1503 Afonso de Albuquerque conquista, definitivamente, Cochim (conhecida como a ilha da pimenta) e está, portanto, consolidada a ocupação, mercantil e Portugal; fica com isto o senhor do comércio das especiarias e a navegabilidade, franca, nas costas de Malabar, do Coramandel, da baía de Bengala e mais para o sul o mar de Andaman, o estreito de Malaca e o Golfo do Sião (Golfo da Tailândia) e daqui aberta a porta para o extremo Oriente.
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No ano de 1506 os portugueses desembarcam, em Ceilão, na ilha de Sinhala dripa e  passados  oito anos de Gama ter chegado a Calecute. A ilha está dividida em vários condados e como chefe máximo um Grande Rei ou Imperador. 
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Como religiões tem a budista e, outras com menores significados a muçulmana e a hindu. É muito fértil de produtos gerados da terra, onde se destaca, em primeiro lugar a canela, a folha do betel, corantes, marfim, pérolas e safiras.
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Porto de águas seguras e de notável movimento marítimo é o de Colombo, a uma hora de viagem de Kotte, na Costa Ocidental. O palácio do Grande Rei está edificado na cidade de Kotte, que os portugueses tentaram desde logo dominar e, embora, com algumas dificuldades o propósito foi conseguido. 
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Após uma dúzia de anos (1518) dos portugueses chegarem ao Ceilão já tinham construído uma fortaleza para defender o Rei de Kotte. Passado três anos (1521) os portugueses dominam, totalmente, o comércio do Ceilão. A influência lusa expande-se, pela ilha e dentro dos muros do palácio imperial. 
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Os sobrinhos do Grande Rei, princípes Raygam, Mayadunne e Bhuvanaikabahu conspiraram contra o tio, para, assim, concretizarem as sua ambições do Poder e assassinaram-no. O propósito dos conspiradores era o de dividirem o Reino em  três parcelas. 
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Dada solidificação e poderio dos portugueses no Ceilão são chamados para arbitrarem a questão da situação. O portugueses colocam-se ao lado do princípe Bhuvanaikabhu e intronizado como Rei de Kotte. E como seu colaborador fica o irmão Raygam, que acabou por falecer pouco depois.  
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O princípe Mayadunne, foi lhe oferecido o condado de  Sitavaka e  aliou-se aos muçulmanos de Calecute, dado, que estes estavam alarmados com a influência dos portugueses na corte do Rei de Kotte e decidiram atacar para o destronar Bhuvanaikabhu. A decisão dos portugueses de terem optado pelo príncipe Bhuvanaikabhu teria que ser respeitada e, para que que fosse aumentada a defesa dos porto, do palácio e do monarca foi pedido auxilio naval a Goa e dali parte uma armada, debaixo das ordens do Vice-Rei D. Garcia de Noronha e comandada por Miguel Ferreira.
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Havia a necessidade, dos portugueses, de fortalecer a defesa do Ceilão, não só dos muçumanos mas também dos turcos dado que corriam rumores, em Goa, que a chegada deles à ilha seria eminente. O Vice-Rei D. Nuno da Cunha, ordenou a partida da nau Catur com a finalidade de alertar os portugueses da costa do Coramandel que os otomanos tinham partido de Diu para Goa.
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A disputas de 1521 a 1538 entre os portugueses e muçulmanos eram constante e foi então travada uma batalha em 1538 por Martin Afonso de Sousa, na cidade de Vedalai (norte do Ceilão, que desbaratou a frota muçulmana e entra triunfalmente em Kotte. 
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No ano seguinte  os muçulmanos não desarman e convencidos que ainda podem derrotar os portugueses e chamar a eles o comércio da ilha, são definitivamente derrotados por Miguel Ferreira, à porta de Kotte.
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Miguel Ferreira um português de convicções, depois de vencer os muçulmanos avança, com os seus aliados sinhaleses e  suas tropas para Sitavaka e exige um tratado de paz com Mayudunne e, uma das condições que lhe foram impostas: lhe entregasse as cabeças dos líderes muçulmanos.
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Miguel Ferreira partiu para Ceilão, sob as ordens do Governador Nuno da Cunha  e, em 26 de Novembro de 1539 está de regresso a Goa e elabora um extenso relatório ao Rei D. João III a dar-lhe conta da vitória sobre os muçulmanos em Ceilão.
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Numa das passagens do relatório Miguel Ferreira informa o rei de Portugal, do seguinte: que enviara como seu emissário Manuel Queiróz para negociar a paz com Mayadunne e uma das suas exigências era que lhe entregasse as cabeças dos líderes muçulmanos. Passagens do relatório dirigido ao Rei João III de Portugal
<>....
 
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<<...e no derradeiro os mandou matar e me mandou as cabeças delles e mandou-me a cabeça de Patemerqua e a de Cunhalemerqua e seu sobrinho e a de hu seu cunhado e d’outros muytos capitães e alargou a el-Rey todas as terras que tinha e todos os portos do mar que tinha e pagou a el-Rey todos os gastos, que tinha feitos na guerra.
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E asy se veo el-Rey pera Cota muito ledo e muito comtente louvando muito a Vossa Alteza, que lhe mamdara emtregar seu Reino tudo ha elle perdido.>>
A paz fica, mais ou menos estabelizada, com o Rei ao lado dos portugueses, no Ceilão.
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O prestígio de Portugal no Oriente destaca-se e em 1542 uma delegação diplomática, do Ceilão chefiada pelo Embaixador Sri Radaraksa, parte com destino a Lisboa, fazendo uma escala por Goa onde dali segue para Lisboa e avistar-se com o Rei D. João III.
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Com eles, seguem presentes para o monarca português e duas estatuetas, uma com a figura do Princípe Dharmapala que tinha a sua altura e uma coroa, de ouro maciço para que D.João III lha colocasse na cabeça como forma de o intronizar como Rei de Kotte e herdeiro de Bhuvanek Bahu que sempre estivera ao lado dos portugueses.
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A cerimónia, segunda foi narrada pelo Padre F. Queiroz (1687) : “que o Embaixador do Ceilão foi recebido por D.João III, que coroou o Príncipe na presença de grandes personagens do reino, aos quais foi lida uma mensagem.”
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Em princípios do ano de 1541, D. Martim Afonso de Sousa, quando foi assumiu o alto cargo de Governador da Índia, cerimónia que teve lugar em Lisboa, teria garantido a S. Francisco Xavier que a ilha de Ceilão estava pronta para aceitar a religião Cristã e a conversão da população. 
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A informação transmitida ao Apóstolo das Índias, já tinha sido dada, oficialmente, de Goa ao rei de Portugal pelo D.Estevão da Gama que era o segundo filho de Vasco da Gama. Francisco Xavier chega a Goa em 1542 para a missão, ao serviço do Rei de Portugal, de cristianizar o Oriente.
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O Rei de Portugal, por anos, foi firmando tratados com  o Rei do Ceilão. No primeiro instrumento estão descritas várias cláusulas em que se nota que Portugal tinha absoluta suserania sobre o Ceilão e do seu Rei. Se compreende a razão do monopólio para evitar a infiltração dos muçulmanos.
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Numa clásula:
1º - O rei de Ceilão é obrigado a pagar ao rei de Portugal determinada quantidade de <>< muitas veses, porém, a produção da canela excede muito a referida quantidade, pelo que pede que a canela, que sobrar, possa ser vendida << do Cabo de Camorym pera baixo>>;
2º - Toda a canela produzida, deveria ser metida numa casa da qual o feitor de D.João III terá uma chave e o <> do rei de Ceilão terá outra; como, mesmo assim, o feitor desvia, em seu proveito, a canela melhor, deve prover-se no sentido de evitar um tal abuso.
3º - Os portugueses que forem negociar para Ceilão, deverão pagar os direitos de tudo o que venderem ou comprarem, assim como nenhum mercador poderá impor preços ou forçar a venda dos artigos que pretendem obter.
Durante o reinado de D.João III foram efectuadas diversas negociações com o Rei do Ceilão
Almeirim, 12 de Março de 1543
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Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu a respeito do direito de sucessão do Príncipe Dharmapala;
Almeirim, 13 de Março de 1543
Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu a respeito do comércio dos portugueses em Ceilão; 
Almeirim, 13 de Março de 1543
Alvará de D.João III para o Rei Bhuvaneka Bahu a respeito da construção naval dos portugueses em Ceilão;
Almeirim 13 de Março de 1543
Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu a respeito das terras dos portugueses em Ceilão;
Almeirim, 13 de Março de 1543
Alvará de D.João III para Bhuvakeca Bahu a respeito do controle ou vigilância dos barcos;
Almeirim, 14 de Março de 1543
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Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu a respeito so comércio de compra e venda dos portugueses;
Almeirim, 14 de Março de 1543
 Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu a respeito dos direitos alfandegários;
Almeirim, 14 de Marçol de 1543
Alvará de D. João III para Bhuvaneka Bahu a respeito dos direitos a pagar pelos Neo-convertidos;
Almeirim, 16 de Março de 1543
Alvará de D. João III para Bhuvaneka Bahu a respeito do lugar de interprete em Ceilão;
Almeirim, 16 de Março de 1543
Alvará de D.João III para Bhuvaneka Bahu sobre o lugar de camareiro-mor do Rei de Kotte
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São, assim, assinados 13 Alvarás que continuam a garantir ao Rei de Portugal a concessão do comércio geral com o Reino do Ceilão.
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O relacionamento entre os dois reinos é salutar e prova-o os presentes, valiosos, oferecidos ao Rei João III e aos vice-Reis da Índia. O Rei Bhuvaneka e conhecendo o poderio naval dos portugueses, com bases em Goa e em  Malaca e da navegabilidade, constante, das naus nos mares da Ásia, só Portugal lhe pode garantir (mesmo com os monopólios concedidos) o trono e a coroa.
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A descoberta do Caminho Maritímo pela rota do Cabo para Índia, por Vasco da Gama, dá os seus frutos logo após a conquista de Malaca, por Afonso de Albuquerque, em 1511 e em meados dos século XVI e poderia português na Ásia está em absoluta consolidação.
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S.Franscisco Xavier sonha e nos seus planos está a conversão dos sinhaleses ao cristianismo, mas sabia,também, que iria deparar com dificuldades, não de carácter violento, mas porque, embora a religião budista não tenha as raízes no Ceilão, mas na Índia; foi desta ilha que partiram os monges budistas, missionários, a dissiminá-la pela Ásia até ao Japão.
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S.Francisco de Xavier em 1543 encontrava-se em Cochin e, ainda nada sabia daquilo que se estava a passar no Ceilão, sobre a cristianização e, entretanto chega do Ceilão André de Sousa com o Princípe D. João, filho de Bhunaveka Bahu e que lhe tinha sido dado o nome do de Infante D.João. 
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Oito dias depois chegava a Cochim um outro seu irmão que  com o nome, cristão de Luiz. S.Francisco de Xavier, avistou-se com eles e não os conseguiu convencer. O mesmo já tinha sucedido, o mesmo, ao Frei João de Vila do Conde.Os principes, defacto tinham nomes cristãos, mas não se tinham convertido. O clérigo pensavam, porém, que os princípes se converteriam e assim, obterem, mais protecção dos portugueses.
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O Apóstolo do Oriente, veio para a Índia e umas das suas convicções era que o Ceilão iria ser uma certeza cristã dado que tinha sido informado dos resultados de 600 baptismos na ilha de Mannar (norte da ilha) e que teriam sido os convertidos dominados e obrigados à conversão pelo rei de Jafna.
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O Mestre Francisco ( como o tratava o Fernão Mendes Pinto) não desiste dos intentos de vir a concretizar o sonho de introduzir o cristianismo no Ceilão.
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Vejamos o que nos diz o Padre Fernão Guerreiro na sua obra “Relação anual das coisas que fizeram os Padres da Companhia de Jesus nas suas missões do Japão, China, Cataio, Tidore, Ternate, Ambrino, Malaca, Pegu, Bengala, Manar, Ceilão.......(seguem-se outros países), Tomo primeiro, de 1600 a 1603 (Coimbra, Imprensa da Universidade, 1930, dirigido e prefaciado por Artur Viegas):
<< A companhia de Jesus que, por intermédio de S. Francisco Xavier, foi a primeira a pregar o Evangelho em Ceilão, para evitar contendas com os  Franciscanos não continuou o seu trabalho apostólico. Porém, em 1602, decidiram recomeçá-lo.
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O primeiro padre da nossa companhia que entrou na ilha de Ceilão foi o Padre Mestre Francisco, há mais de  cincoenta anos, e nela pregou o sagrado evangelho principalmente no Reino de Candia, onde converteu o mesmo rei e muitos dos seus....>>
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De facto o cristianismo penetrou na ilha do Ceilão mas nunca ganhou raizes e passados 460 anos apenas 8% da população é cristão, 69% budista, 15% indu e 8% muçulmana.
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Luis de Camões, o poeta, no Canto IX, estância 14) e,  Canto X, estãncia 51, continua a referir-se ao Ceilão e, sem a menor dúvida que o poeta esteve na ilha. O poeta  transmite a visão e os seus sentimentos daquilo que observa, por onde passa, não para a prosa, corrente, mas sim para a lirica

                                   <<...Com que Ceilão é rica, ilustre e bela.>>
                                        A nobre ilha tambem de Taprobana
                                        Já pelo nome antigo tão famosa,
                                        Quanto agora soberba e soberana
                                        Pela cortiça cálida, cheirosa,
                                        Dela dará tributo à Lusitana
                                        Bandeira, quando, excelsa e gloriosa,
                                       Vencendo, se erguerá na torre erguida,
                                        Em Columbo, dos próprios não temida.>>
                               .
                                   << Olha, em Ceilão, que monte se alevanta
                            Tanto, que nuvens passa ou a vista engana;
                            Os naturais o tem por cosa santa,
   Pola pedra onde está a pegada humana....>>                           
 
A religião cristã, de facto, não se instalou no Ceilão, mas a influência portuguesa na ilha ficou vinculada, desde Colombo a Jefna no norte. Ela reside e, ainda, muito forte na ilha.

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Em 1982 visitei a ilha por 15 dias. Não fazia a minima ideia de que os portugueses tinham passado por ali e permanecido pelo curto espaço de cerca de um século. Antes do avião aterrar no aeroporto de Colombo deparamos, do alto, uma beleza que nos maravilha. A aeronave, na sua queda para se aproximar da  pista, passa arasar  a copa da ramagem, verde, dos coqueiros.
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A poucos quilómetros do aerporto e quase a entrar na cidade de Colombo deparo com as tabuletas a anunciar as lojas comerciais, escritas, em nomes portugueses, e ali estão: os Sousas, os Gamas, os Xavieres, os Coutinhos e outros nomes e apelidos lusos.
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Entretanto não ficaram só os nomes, por gerações, mas também a memória da passagem dos portugueses no Ceilão. Ela constitui um facto e, mais nos deu a convicção de tal, depois de viajarmos de comboio de de Colombo a Baticola (há aqui um forte português com canhões da fundição do Manuel Bocarro de Macau), Jafna e  Kenkansantorai e, com as pessoas que falámos e, quando lhe dissemos que eramos de Portugal, foi visivel a satisfação das pessoas que nos ouviram e simpáticamente nos ofereceram chá e a bebida, fortificante, “tódi” extraída da árvore do coqueiro.

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A norte e na província de Jafna na ponta ao norte da ilha e o estreito que liga o  as águas do Coramandel, uma pequena povoação costeira de nome Kenkansantorai, hospedei-me numa humilde pousada do Governo de Sri Lanka, para que ali ficassem acomodados os visitantes estrangeiros. 
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Para lá do canal, à noite, vislumbravam-se as luzes de Madras, na Índia e durante o dia, coisa nunca vista, pescadores com água até aos joelhos agarravam peixes à mão, quando estes ao saltar da água azul do mar e, brilhavam as suas escamas, prateadas, ao penetrarem na luz do sol.
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O gerente dessa pousada da etnia singalesa, Joaquim de Sousa, quando soube que eu era português foi buscar-me um livro da terceira clase, do ensino elementar; um gravador e pediu-me que lhe gravasse todo o conteúdo para que o aprendesse. O que naturalmente o fiz da primeira à última página.
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No Ceilão foi cunhada moeda portuguesa. O comércio português na Ásia atinge o auge já no reinado de D. Manuel e porisso há a necessidade de ser emitida moeda dado que esta se poderia perder, roubada pelos piratas que infestavam os mares, ou nos naufrágios das naus durante as tempestadas ou erros de navegação que as levava aos encalhes ou detroçadas contra os 
rochedos das costas do Atlântico e do Índico.
 
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No reinado de D.Manuel I é cunhada moeda em Goa, Cochim e Malaca; nos de D.João III e D. Sebastião em Goa; na era filipina e no reinado de D.João IV a moeda continua a ser produzida nas Casas da Moeda de Goa e no Ceilão. 
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A moeda portuguesa está assim instrumentalizada nos portos da Ásia e extremo-Oriente dado que, também, não ser efectuada nenhuma transação comercial com o ocidente, dispensar a língua lusa, na concretização das permutas comerciais, quer nestas fosse utilizada a moeda ou os produtos da terra.
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Depois da moeda cunhada na ilha temos o teatro, as procissões as cerimónias religiosas  introduzido pelos missionários franciscanos de carácter lusitano. Certas passagens do autos de Gil Vicente foram adaptados a peças teatrais e exibidas no Ceilão.
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Duzentas e dezanove palavras lusas foram introduzidas na língua sinhalesa. E mais, os pandeiros do Minho, as peneiras de arame, as almofadas de rendilheiras de Vila do Conde, os bilros da Póvoa de Varzim, as espichas de osso para correias de roca de Santa Maria de Portuzelo, as lanternas das Alminhas, as camisas de mulher de Viana do Castelo que ainda hoje estão em uso no Ceilão. Sobre a história de Portugal no Ceilão há muito mais para descrever durante os 165 anos de permanência lusitana na ilha.
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O Rei de Kotte, ofereceu, várias peças artisiticas, onde se incluiam cofres de marfim ao Rei de Portugal e a Vice-Reis da Índia de valor incalculável cujo estas peças valiosas foram executadas em 1545. Porém, sem se saber como foram, algumas, parar a Munique e vendidos em Lisboa ao Arquiduque ou Hertzog Albrecht da Baviera, através dos seus seus enviados comerciais (ou diplomáticos).
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B.Xavier Coutinho na sua obra “Portugal na História e na Arte de Ceilão”, 1972 escreve:
<< Porém, do que não há dúvida, é que estes cofres vieram de Ceilão para Lisboa e pertenceram a D.João III. Inexplicávelmente, porém, desde 1598, estã na capital do reino da Baviera, em Munique. Assim, os dois cofres, vindos para Lisboa, certamente no século XVI; segundo o inventário citado, eram de proveniência indiana, o que aliás não é verdade, mas afirmação que se compreende, pois, para o inventariador do século XVI, Ceilão era Índia.>>
José Martins 2003
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P.S. Foi-me muito últil a informação recolhida da obra “Portugal na História e na Arte de Ceilão “Tombos of Ceylon (Arquivo Histórico Ultramarino) – Ceilão e Portugal-Relações Culturais de B. Xavier Coutinho -  Lisboa 1972