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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A MINHA RUA DA SILOM - AS GRAÇAS DO DEUS SHIVA

 Nota: não me lembro o ano que a peça a seguir foi escrita. Seguramente há mais de 10 anos. Foi publicada no website www.aquimaria.com , que circula na internet há 13 anos. Hoje ao acaso passei por lá, copiei o artigo e que lhes sirva para o que melhor entenderem - José Martins
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POSTAIS DE BANGUECOQUE
 
A MINHA RUA DA SILOM
AS GRAÇAS DO DEUS SHIVA
 
Banguecoque, “Cidade dos Anjos”, assim lhe chamaram, a dos mil e um templos e muitos,outros,contrastes
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Burgo de tranquilidade, debaixo dos auspícios do Lord Buda, do Deus Shiva,trazida esta divindade pelos Kmers, do antigo império com o mesmo nome que imperou nas terras nordestinas tailandesas, a confinarem com as fronteiras do Laos e Cambodja e se harmonizou com o budismo, nas terras de Lopburi, onde aqui se elege e adora o macaco. 
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Outros credos, também, se instalaram, entre estas o catolicismo, trazido pelos portugueses, há cerca de cinco séculos. Religiões que sempre viveram em paz,integradas, sob a protecção tolerante dos monarcas tailandeses.
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Não muito distante da zona ribeirina e onde a cidade começou, a partir de 1782, foi edificado o templo em honra do Deus Shiva, na Rua  Silom com uma outra entrada  da travessa número 14, a ex-romântica Thanon Pan, que foi ponto de encontro e concórdia das comunidades, estrangeiras, residentes no começo do século XX.
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Mais ao norte, a um quilómetro e meio quedam-se as Travessas um e dois do Paptong. Há quem lhe chame as travessas dos prazeres, dos homens  que juram, aos pés juntos, às suas adoradas esposas, pura fidelidade e, nos bares da Paptongs, quando esses infieis “malandros” vêm sós à Banguecoque, são uns autênticos valdevinos, Dom Juans, “babadinhos”, junto das donzelas tailandesas.
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Esquecia-me: ali, na Paptong também se instala o “mercado das pechinchas” à noite onde se compra um relógio de “botar figura”, por déz reis de mel coado e até, se adquirir um quilo de “cebolas” que marcam horas, terá um desconto especial.
A Rua da Silom, tem sido a minha paixão, desde há uns vinte anos.
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Bem, não me julguem por aí um “pinga-amor” e absecado pelos bares das raparigas da Travessa do Paptong. 
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Esse tempo já lá vai e quando a travessa era gira, com esplanadas no passeio, balcões no exterior e ali, ao fim da tarde, se bebia uma “imperial” fresquinha enquando se apreciava um filme vídio.
Eramos, nós, os clientes servidos por raparigas com dois “palminhos” de cara que poderiam vender o corpo mas nunca a alma!
A Silom foi sempre a artéria dos muitos contrastes. 
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Os triciclos Tuk-Tuks, conduzidos por motoristas de tez morena, bons “malandros” chegaram das terras planas do vasto  Esarn onde existe um riquissimo espólio cultural deixado pelos Khmers e foram os construtores do magnificente templo de Angkor, no Cambodja   
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Os condutores de Tuk Tuk, são simpatiquissímos, prestáveis ao turista, com aparente inocência inculcam: desde a loja do alfaiate indiano, à joalharia (pouco  recomendável) que lhe pode vender um pedaço de vidro colorido por ametista ou até um passeio dentro do trafego, automóvel, banguecoquiano que fará, daqueles que se servirem, uns autênticos herois e uma experiência,  única na vida, que certamente nunca mais se esquecerão.
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Os jovens alcoviteiros, nas esquinas, espreitam os movimentos do turistas que num instante, psicológicamente, o estudam se é “farangue” (estrangeiro para os tailandeses), de boa  catadura para lhe mostrar, um pequeno catálogo, de bolso, com figuras femininas, tailandesas, que o “massajarão” no estilo Tai, que  o deixará derreado, das costas, para uma semana, se porventura experimentar, a tradicional massagem (recomenda-se a experimentar e a repeti-la) e, se a rapariga, for jovem, e com sangue na guerla, se vingará pisando-o e esfregando-lhe os pés no costelado do Adão.
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Mesmo em frente à Travessa um do Paptong, ainda ali se encontra a tabuleta da TAP Air Portugal, mas não se iluda ou fique por ali a sonhar, porque a linha área nacional deixou de fazer escala em Banguecoque há uns três anos e, imperdoável a falta do Eng. Ferreira de Lima, na ocasião Presidente do Conselho de Administração não ter ordenado mandar tirar aquele camafeu anunciador e enganador.
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Ao principio da noite o movimento comercial, durante o dia, passou para as tendinhas no passeio onde ali existe à venda, camisolas, artesanato, CD room, piratas e nas àrvores que ornamentam os passeios, andorinhas empoleiradas a mandar a “cagadela” para as cabeças e roupa dos turistas.
O ditado “os de baixo estão sujeitos às andorinhas de cima”.
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Bem,deixo para outra ocasião, os outros, muitos,contrastes da Silom e vamos descrever a Procissão em honra do Deus Shiva, que todos anos, em Outubro tem lugar,mais ao Sul . Shiva da mitologia indiana, lorde do bem e do mal, das iras e o restaurador das desgraças em felicidade. 
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Senta-se a divindade, numa pele de leopardo, com as pernas cruzadas.Vive, segundo a mitologia dos crentes na sua fé e milagres no Monte Kallash, nas montanhas Himalaias. Recomendo, aos interessados na história, fascinante, um clique http://www.indianculturesonline.com/Mystica/html/shiva.htm.
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A noite escurece, o trânsito cortado e uns 300 metros da Silom são enganalados. Nos lados,junto ao passeio, erguem altares, onde os colares de pétalas amarelas são pendurados.junto à imagens dos ídolos indianos. Os crentes procuram, superar na decoração, os vizinhos. 
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Alguns alindam os altares com círios de um metro ou mais de altura. Frutas, tropicais e cocos descascados que mais tarde são partidos a simbolizarem a fartura da Tailândia Abundância que já o nosso Fernão Mendes Pinto a descreveu, há 450 anos, na Peregrinação: “da muita fertilidade do Reino do Sião, e de outras particularidaes dele, ....grandeza,abastança,riqueza, e fertilidade que vi neste Reino....”
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Junto ao templo do Deus Shiva, junta-se o povo de todos os credos e raças. Os pedestrais de centenas,talvez,milhares de figuras, mitológicas indianas estão iluminados. 
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Todos aguardam a saída da procissão com andores, os faquires, com espadas a trepassarem as faces, limões pendurados, por anzois, na carne das suas costas,um vaso de metal, que me dizem pesar mais de 30 quilos, sem rodilha, em cima da cabeça de um homem, que estéricamente, dança durante o percurso, do cortejo, de mais de duas horas. Uma banda de “putos” dá os últimos retoques à marcha que vão tocar., junto ao templo. 
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A deusa viva e já minha conhecida há uns bons dez anos, distribui essências divinas, depois do pecador expelir os demónios, em delírio, que pensa trazer no corpo. A comunidade “gay” da Silom, incensam o seu altar, adoram o Deus Shiva e pedem-lhe muita felicidade e, melhores negócios para os bares que exploram nas travessas da Silom. Fumo de incenso, perfumado entra nas narinas de todos crentes e mirones. 
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Turistas, disparam as suas máquinas sem querer perder pitada fotográfica do acontecimento religioso. Os adoradores dos cocos pelados, colocam velas, no monte que ali instalaram como altar. A procissão atingiu o rubro, uma multidão apinhada, a passos lentos seguem o andor do Deus Shiva. 
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O faquir, também protegido, leva um garfo de Satanáz a travessar-lhe a cara de uma lado ao outro. Duas pecadoras,grávidas, pedem a Shiva uma boa “horinha” e um bébé rechonchudinho. Por ali, também, muitas caritas, bonitinhas de fazerem ressucitar um defunto.
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Os andores, os faquires e muitos fieis recolheram ao templo. Os “almeidas e as almeidinhas” da Câmara de Banguecoque, varreram, lavaram e carregaram centenas de cestos de lixo para os camiões. A Silom voltou ao normal. A noite ainda é jovem às dez e esta vai começar até altas horas da madrugada.
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É a assim a minha Silom a artéria de muitos contrastes. Ali goza-se a paz e a serenidade graças à benção do Deus Shiva.
Jose Martins
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