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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O MEU SÁBADO EM PROCURA DA HISTÓRIA DE BANGUECOQUE

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Sábado Domingo e os dias da nova semana que se seguem são todos os iguais para mim. Orgulho-me de ser o único reformado do Ministério dos Negócios Estrangeiros depois de ter servido a diplomacia, em nome de Portugal, na Tailândia ter ficado por cá.
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No passado sábado, 15 de Agosto e o dia da veneração da Nossa Senhora de Assunção, em Portugal, estou em casa sem saber aquilo que irei fazer da parte de tarde. Não me apetece mexer uma palha nem bater tecla que valha porque estou sem inspiração nenhuma.





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Por devoção à Senhora de Assunção também não vou ser má língua e insurgir-me com os meus rivais, desta praça, que seguem demasiadamente cansados e com a cabeça feita em água de tantas investigações políticas e culturais dos seus dias e dias a passearem nos corredores das grandes superfícies comerciais onde a frescura do ar condicionado é de borla.
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Preguiçosamente inclinei o corpo para as costas do cadeirão que a minha mulher me comprou há uns cinco anos e tem se portado com resistência admirável na estrutura e nas quatro rodas na base.
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Fechei os olhos por um momento e quando me preparava para entrar nas brasas chegou-me à memória um templo ao ar livre e a história viva de Banguecoque depois de meados do século -XIX e princípios do XX.


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O lugar poderá ser macabro para alguns, dado que todo aquele espólio histórico está dentro de um cemitério, mas para mim não tem esse significado pelo amor à história e às coisas do passado.
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Trata-se do Cemitério Protestante, na Chalerm Krung Road e ali foram sepultadas as grandes figuras, estrangeiras, que elas se deve, hoje, a cidade de Banguecoque e o modernismo da Tailândia.
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Levanto-me do cadeirão pego na Nikon D70, verifico as as baterias e toca a dirigir-me para a Chalerm Krung e verificar como as coisas se quedavam e o terreno, frequentemente alagado motivado pela subida do caudal do Rio Chão Prya. Estava seco o solo em alguns locais e outros ainda alagados mas com pé para se caminhar.
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Quando visitei Banguecoque, pela primeira vez, há 32 anos e viria a ficar para sempre, a cidade encerrava ainda muito daquilo que tinha sido havia 150 anos.


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Casas de madeira de teca, na moderna rua da Silom, nas avenidas Sathorn e Sukhumvit. Na zona ribeirinha, apenas o velho Oriental Hotel, os correios Centrais, a residência dos embaixadores de Portugal, uma casa velha, desabitada, sino portuguesa, na Captain Bush Lane (que nunca cheguei a descobrir que ali teria vivido) e a seguir os armazéns da empresa fundada pelo Louis Leonwens (filho da famosa escritora Anna Leonwens).
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O cemitério protestante da Chalerm Kkung está carregado de história e nele repousam as individualidades, estrangeiras, que contribuíram para a modernização da cidade de Banguecoque e a Tailândia.
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Quando a terceira capital, Banguecoque, foi transferida de Ayuthaya em 1782 entrou numa nova era. Já me referi, anteriormente, que a cidade cresce com as navegações a vapor que da Europa e dos Estados Unidos entram na embocadura do Rio Chão Praya em procura das muitas riquezas de um Reino do Sião rico. Foi o fim dos centenários juncos chineses.
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Seria longa a história e preenchia inúmeras páginas se aqui a fosse contar no seu todo. Vamos porém resumi-la. A partir da década 30 do século XIX, chegaram a Banguecoque os missionários protestantes americanos de que viriam a influenciar S.M. Majestade o Rei Mongkut, antes de ser entronizado Rei Rama IV, que viria não só a expressar-se fluentemente na língua inglesa com obter conhecimentos sobre os hábitos do
ocidente.



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Na década de 50, do século XIX, já existe uma comunidade, estrangeira numerosa em Banguecoque e foi aumentando até aos dias de actuais.
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Empresas estrangeiras estabelecem-se num quarteirão, não muito distante da margem esquerda do Rio Chão Prya e numa extensão de uns quinhentos metros que se situava entre o princípio do “China Twon” até bifurcação da Chalerm Krung com a Silom Road.
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Mas entre as pessoas, estrangeiras que geriam empresas ou exerciam suas actividades dentro das mesmas, há outras contratadas pelo S.M. o Rei Mongkut , para modernizarem o reino no estilo da administração ocidental. Porém dada a insalubridade de Banguecoque e a disposição da cidade em solo alagadiço estava a nova capital sujeita a pandemias como a febre tifóide e a cólera que não poupava classe étnicas e uma esperança de vida muito limitada e pouco além de meio século de vida.
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Onde há vida existe a morte e, com os hábitos das comunidades estrangeiras onde se incluem, a chinesa e muçulmana com a tradição de enterramento dos corpos, a Coroa siamesa doou-lhes terrenos para enterrarem os seus defuntos.
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As concessões são oferecidas conforme a etnia a que pertenciam. São assim implantados os cemitérios Protestante, na extensão da Chalerm Krung, o Católico, Ortodoxo e o chinês, na Silom Road em talhões separados. O três bairros portugueses; Senhora do Rosário, Santa Cruz e da Imaculada Conceição têm os seus próprios cemitérios paroquiais que desapareceu, o do Rosário e o de Santa Cruz sendo o terreno ocupado com construções para a Igreja Católica.
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O católico da Silom Road, também desapareceu e apenas ficou o talhão chinês e uns espaços, particulares, que pertencem a famílias chineses abastadas, que não consentem que naqueles espaços, bastante, largos a profanação do espaço onde dormem seus antepassados, praticamente desde a fundação de Banguecoque em 1782.
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Toda a história, viva, da fundação da cidade perdeu-se e difícil poder fazer-se um
inventaria dos que ali foram enterrados que foram um quinhão que contribuíram para edificar a grande cidade, de Banguecoque, que é hoje.
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Mas o Cemitério Protestante da Silom Road já está dado como monumento da cidade e vai ficar para sempre. Há uns quatro anos descobrimo-lo, fizemos umas poucas imagens, mas não podemos caminhar pelo meio das sepulturas dado que o terreno, que se afunda ano por ano, estava completamente alagado. O capim alto também dificultava para ler os nomes dos epitáfios que parte deles completamente apagados.


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Pelas arvores, com as raízes protegidas, estendidas pelo chão, me pareceu que aquele campo histórico vai ser transformado em Parque e os nomes, esculpidos no granito ou em mármore fina de Carrara, e trabalhava por artistas italianos que viviam em Banguecoque vão ser avivados e dar a oportunidade que sejam lidos os nomes das importantes figuras que ali dormem.
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O meu objectivo é o poder encontrar o nome de duas pessoas para que possa completar a investigação sobre suas vidas e obras.
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As fotografias inseridas bem dão conta das proeminentes figuras que ali foram enterradas entre elas o Almirante Bush, o nome da rua onde se situa a Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Digno de realce que pelos bons serviços que prestaram ao Reino Sua Majestade o rei Chulalongkorn mandava-me erigir um monumento como prova de gratidão aos seus bons serviços.
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Voltarei de quando aquele monumento nacional ao ar livre esteja transformado em parque, os nomes nos epitáfios avivados e continuar a minha investigação. Mas já recolhi vários nomes que me eram familiares, entre eles membros da família do médico Campbell e outras que deixaram nome em Banguecoque.
José Martins