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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 11.ª
Consulado de António Frederico Moor
Construção da Residência


De estilo arquitectónico semelhante às construídas nos países que Portugal administrou, depois do século XVI, em África e na Ásia. Porém, esta, a "Nobre Casa" foi dotada de um traço diferente e fica a ser conhecida por Sino/Portuguesa.
Actualmente poucas existem na Tailândia, além desta, que foi, também, denominada de palacete e durante 150 anos; tendo servido de residência de cônsules, encarregados de negócios e embaixadores de Portugal em Banguecoque.
Encontram-se, algumas, de tamanho inferior, na capital tailandesa, no Phuket, ao sul da Tailândia, na costa do mar de Andaman.
Mas essas poucas começam a desaparecer, sob o desenfreado progresso de que, a ele, nada escapa incluindo a identidade cultural e as características de um passado. O príncipio da construção desta casa, segundo um estudo levado a cabo por Jorge Morbey, publicado numa monografia "Uma Casa Histórica em Banguecoque - a Residência do Embaixador de Portugal", parte em 28 de Dezembro de 1786 e de uma carta do Rei Rama I endereçou à Raínha D. Maria I, na qual refere que se encontraria muito feliz em lhe oferecer uma parcela de terreno para construir uma igreja e que fosse enviado, para Banguecoque, um padre.


Esta doação foi firmada em 30 de Abril de 1820, não para construir igreja (esta seria, localizada, num outro oferecimento de terreno, a 300 metros ao norte, do consulado) onde foi construída uma igreja rudimentar e, ao lado, casas para a fixação da comunidade, católica, luso-descendente, que ficaria a ser conhecido pelo "Bairro do Rosário.

A doação de uma larga porção de terreno (referida em partes anteriores a esta) foi concretizada, em 9 de Novembro de 1820.

A construção do edifício foi iniciada, segundo Jorge Morbey, por António Frederico Moor no ano de 1860 e sob a decisão do Governador de Macau Izidoro Francisco Guimarães de quando se deslocou a Banguecoque para a assinar o "Tratado de Amizade, Comércio e Navegação" entre Portugal e o Sião, em 10 de Fevereiro de 1859.
Porém a casa, só passados 17 anos ficaria concluída e graças a um empréstimo de um português abastado e influente na Corte do Sião, Luis Maria Xavier, para que a obra fosse concluída, de 6.500 patacas, mexicanas, ao juro de 8%, ao ano, quando o corrente, praticado no Sião era de 15%. Em 27 de Fevereiro de 1875, foi firmado um contrato com o construtor, Joachim Grassi, de nacionalidade austríaca.

No período de cinco meses concluiu a obra, na gerência do cônsul António Feliciano Marques Pereira.

O edifício está pronto e habitável em 1877. Ocupa uma área de 26,20 de comprimento e 19.50 de largura. Os materiais aplicados: tijolos siameses, o tecto com madeira javanesa e ladrilhos chineses para revestir o chão.

A massa, consistente, para substituir o cimento (que não tinha ainda chegado ao Sião) foi uma mistura, moída, de casca de ostras e areia do rio . A parte exterior foi caiada com uma mistura de pedra calcária moida e areia, fina, peneirada, do rio.

As madeira usada nos caixilhos das janelas, portas em outras aplicações foi a de Teca, com muita abundância no Sião e de fácil transporte para chegar a Banguecoque flutuando no curso do rio Chao Prya.

Os alicerces do edifícios, dado ao chão lodoso, foi composto de uma larga base de toros de teca, ligados uns aos outros, que oferece uma consistência, de suporte, ao peso de toda a estrutura do edifício.

A madeira de teca resiste â penetração de "termitas" o que a leva uma durabilidade, eterna, ao ponto de ter sido encontrados, em várias partes do Sião, toros de árvores que entraram no período de fossilação.

Só passados 47 anos, depois de firmado a doação do terreno em 1820 é que o representante de Portugal tem uma casa, decente para viver. Todas as misérias que seguiam no consulado de Portugal no Reino do Sião, eram, extremamente degradantes perante a comunidade internacional, bastante significativa, em Banguecoque.

O erário público, na Ásia como em Portugal estava falido, ao ponto de o cônsul, assumir a responsabilidade pelos empréstimos que ia conseguindo e agora, como tinha acontecido, anos anteriores, náo eram solicitados à Corte do Sião, mas a portugueses que se firmaram, económicamente, no reino.

Mais adiante iremos contar, alguns casos, entre membros da comunidade luso descendente, que depositavam montantes no consulado e estes desapareciam. Em 1848 de quando o jornalista, inglês Fred A. Neale, visitou Banguecoque, descreve o residência habitada pelo cônsul Marcelino Rosa, o terreno e o edifício onde se instalava a missão dos missionários, protestantes, baptistas americanos:

" A residência do Senhor Marcelino Rosa, Cônsul Português, foi rudimentarmente construída, com bambus, toros de árvores e caiada de branco Simplesmente mobilada e situada numa posição airosa no Siam. A intenção do Governo Português era construir em tijolos um esplêndido palácio, que servisse de residência a embaixadores acreditados junto à ilustre Corte do Siam e, assim, está longe o progresso de levar a cabo a concretização, porque um barco carregado de tijolaria fina, operários e artífices sairam de Goa (uma ilha portuguesa na Costa do Malabar) em direcção a Bangkok.

Mas, oh desventura!

A embarcação não conseguiu vencer a tormenta a que esteve sujeita no Mar do Sul da China, afundou-se, levando consigo, para o fundo do oceano, todos os materiais. Os ocupantes salvaram-se a muito custo e, por tal desgraça, o pobre do Cônsul já perdeu as esperanças que o seu Governo tome o risco de lhe enviar outro carregamento".

Não temos conhecimento desse náufrágio em documentos e nos leva a crer que o cônsul Rosa, para esconder as misérias que levava, teria inventado esta história ao Fred Neale. Mais adiante Neale prossegue o seu relato: "O consulado português e as casas dos Missionários Baptistas Americanos são vizinhas. Pela tarde quando o sol se aproxima do horizonte, o Senhor Marcelino Rosa e os seus amigos, estrangeiros, sentam-se em cadeiras, debaixo da grande e secular árvores de tamarindeiro (nota nossa: já referida esta árvore em parte anterior, ainda hoje se encontra no mesmo local). Conversam, observam a movimentação dos barcos no rio que se queda a uma vintena de metros. Por vezes interrompem a conversa e caiem na melancolia pela vida miserável de isolamento. Ficam mudos, porque náo têm a certeza se ao outro dia acordam vivos".

A uns 50 metros do local da "cavaqueira", quotidiano situa-se o cemitério das Missões Americanas e era aquela paisagem, macabra, que lhes dava aso à morbidez, numa terra onde as pessoas, só por felicidade, chegavam com vida à "casa" dos 50 anos".

O palacete tem a frontaria virada para o o rio Chao Praya a cerca de uns 50 metros da margem. Toda a movimentação de pessoas e mercadorias, dentro de Banguecoque, era efectuada pelo grande rio e canais e por esse motivo todas as casas, construídas nas margens do rio, tinham por obrigatoridade e necessidade de ser virada para o rio.

Não se conhece o nome do arquitecto que fez o "risco" que não, viria a descurar nada, procurando adaptá-la com os requisitos, indispensáveis, para o conforto dos cônsules e suas famílias. A varanda assente em pilastras, avança da frontaria e é coberta com um tecto falso onde o ar circula livremente para refrescar o ambiente durante a calmaria natural dos trópicos.

A electricidade ainda não tinha chegado ao Sião, chegaria passado 40 anos e no início do século XX. A iluminação durante a noite era feita através de gorduras estraídas de frutos de árvores, oleaginosas, muito abundantes nesta terra farta de comida.

O petróleo viria mais tarde.

O palacete foi electrificado no ano de 1905, com trinta lâmpadas e depois do melhoramente o Cônsul Luis Leopoldo Flores, em ofício para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa informava: "Esta casa é demasiada grande e não pode ser alumiada com candeeiros de petróleo".

Durante o seu século e meio (mais ou menos de vida), sofreu reveses, o desleixo de cônsules e embaixadores, que pouco ou mesmo nada se interessaram pela sua manutenção e o palacete chegou a entrar em verdadeira decadência que em nada honrava Portugal no Reino do Sião.

Lisboa, por norma, não atendia o clamor dos nossos representantes, diplomatas e consules. Ignoravam os apelos, sem ter mostrado interesse de conservar este "padrão" luso, vivo em terras siamesas.

Em 198o estava praticamente degradado! O Embaixador José Eduardo de Melo Gouveia foi acreditado na Corte da Tailândia, em 1981 e viria a fazer reviver uma casa, em estado miserável de conservação, em um dos mais belos edifício, antigo, construído na década 70 do século XIX, juto à margem esquerda do rio Chao Prya.

Em 1984, por ocasião da celebração dos 50 anos da "Associação dos Arquitectos Siamese" foi-lhe conferida o prémio do edifício, histórico melhor conservado, na beira rio, de Banguecoque.

Numa parede lateral, ao lado esquerdo da entrada para a arcada foi aposta uma placa comemorativa de bronze, cuja cerimónia presidiu Sua Alteza a Princesa Maha Chakri Sirindhorn, honrando, com isto, uma passado histórico de Portugal no Reino do Sião desde 1511.

À margem: Como já tenho referido em outros escritos, entrei naquela casa, pela



primeira vez no ano de 1978. A Chancelaria, funcionava no salão, que bem se pode chamar nobre, do lado direito da entrada principal. Fiquei com uma péssima impressão pelo mau estado em que se encontrava e pelos barracóes que estavam por ali abandonados e os taipais de chapa enferrujados.

Olhei para todas aquelas desgraças e murmurei para mim: "é isto a embaixada de Portugal em Banguecoque?"

Era mesmo para envergonhar qualquer português que ali fosse, como utente requerer um documento. Foi por isso mesmo que eu fui lá para substituir o meu documento de viagem com, apenas, duas folhas em branco para carimbar, nos aeroportos.

Passado três anos (1981) voltei novamente à chancelaria para obter um outro passaporte. Lá estavam os mesmos funcionários que tinha encontrado pela primeira vez: o vice-cônsul José de Souza, o chanceler Chalerm e a velha Noi, a mulher de limpeza. Mas quando estava junto ao balcão, chegou-se junto a mim um indíviduo a quem de pronto o vice-cônsul José de Souza lhe transmite: "Senhor Embaixador este senhor é português..."


Encontrar-se um português em Banguecoque, nos anos de 1980, seria o mesmo que encontrar uma agulha em palheiro...
Quando por toda a baixa de Banguecoque ainda havia quintais e pescavam camarão, miúdo, num canal adjacente à Sukhumvit Road.

O embaixador, admirado por encontrar ali um português, perguntou-me se, em tom de brincadeira, se estava em Banguecoque para me divirtir...

Não, não senhor embaixador, venho apenas passar duas semanas de férias a Banguecoque junto a minha mulher. Conversamos, por algum tempo, preenchi a aplicação para o passaporte e fui me embora.

Não vou aqui mencionar os dias que corri para a chancelaria para me ser dado o passaporte... O José de Souza respondia-me: "venha amanhã e esse amanhã só terminou quando (por onde desconhecia), o embaixador me via correr todos os dias para embaixada e deu dois "berros" ao Souza e levei o passaporte comigo."


Só fazia tensão de voltar à embaixada quando necessitasse de um outro passaporte.
Um dia já sentado na cadeira do avião que me levaria de volta à Arábia Saudita, a hospedeira entregou o "Bangkokpost" com uma fotografia do embaixador Mello Gouveia, em grande plano a dar conta da presença de portugueses em Ayuthaya. Saberia lá eu que os portugueses também se tinham fixado na Tailândia?

Nunca me passaria pela cabeça!

De volta a Banguecoque, trouxe comigo o recorte do jornal e, agora, não fui à embaixada mas para Ayuthaya e encontrar o "Ban Portuguete" . Depois de muito perguntar minha mulher a várias pessoas lá demos com a picada, poeirenta, que nos levaria ao local certo.

Estavam a iniciar as escavações das ruínas. Entusiasmei com a história de Portugal na Tailândia e dali, parte, o meu relacionamento com o embaixador Mello Gouveia.




As minhas férias era passadas todos os dias na embaixada e grangeei a amizade e simpatia do Embaixador Mello Gouveia, até ha meia dúzia de dias e a última carta que eu recebi dele.

Um amigo que nunca se esquece do amigo...

São 27 anos de amizade, com um embaixador, que sempre acreditou em mim.

Não fui esmolar, ou pedir favores ao embaixador, não necessitava disso, porque ganhava bem, no duro é certo, no desertos arábes.

Nas minhas férias ajudava na embaixada em tudo que fosse necessário inclusivamente a invenção, automática de bombagem da água do jardim e reparação da mesma, que custou 7.ooo bahts ao orçamento da embaixada.
Vesti o fato de macaco, peguei em ferramenta e enfiei-me, dentro do poço de sucoção da água vinda do rio, pela enorme bomba eléctrica, para retirar, com um pequeno "camelot" a pesada tubagem.

Na embaixada não havia dinheiro e só, depois, 300 mil bahts da renda, anual, de um espaço alugado ao hotel vizinho. Eu era um homem de trabalho, um mecânico especializado e não de gabinete e ajudava a fazer, de graça, todo que fosse necessário durante as férias de duas/três, depois de seis semanas no deserto.


Dava prazer trabalhar-se com o Embaixador Mello-Gouveia.

Não encerrava, dentro dele vaidade alguma do estatuto de embaixador.

Mas era e foi o diplomata dos mais finos que lidei.

Homem de improsivos, um contador de história e humanista.

Mas a minha vida cambiou-se com a crise do petróleo em 1985 e tive a mesma sorte de uns cinco mil colegas da Texas Instrumentos que fomos despedidos.

O dinheiro que amealhei investi-o em dois apartamentos e numa casa onde habito há 21 anos.

Ainda fui experimentar Macau durante um ano na companhia de electricidade, mas regressei a Banguecoque.

Depois de muitas dificuldades, perante o embaixador Castello Branco, lá entrei para a embaixada com o ordenado, o mesmo, que pagava à Noi a mulher da limpeza 2.500 bahts.

Mas eu precisava, da residência na Tailândia, para criar a minha filha de um ano e meio de idade.

O embaixador Castello-Branco, foi o homem mais dificil que encontrei de lidar em toda a minha vida...

Nunca se sabia para que lado estava virado...

Posso mesmo afirmar que era uma pessoa de relacionamento "intragável" e o poderá provar o Dr. Paulo Rufino que ainda trabalhou junto a ele por dois anos. Depois de três anos a trabalhar na embaixada e fazer todo o serviço de expediente (difícil, de aprender, para um mecânico entrar naquela rotina), lá me inseriu no quadro dos assalariados, em 1991, do MNE, com 500 dólares de ordenado mensal.

Partiu de Baguecoque, em 1995, para a reforma e, durante, durante quatro anos, o meu ordenado estava, aumentado em 10 dólares.

Bem eu trabalhei com ele 7 anos e nunca fez nada para que fosse aumentado... Nem ao menos que fosse um acrescento das rendas, recebidas, da parcela do hotel, ou da verba que recebia de cerca de 14 mil dólares anuais, de subsídio do Governo de Macau, para promover o território em Banguecoque, que me parece que promoveu a sua conta bancária, durante os seis anos, dos avultados montantes, desde o governo interino do Dr.Murteira Nabo ao do General Rocha Vieira.

A supervisão daquele edificio, que por 16 anos foi minha e, carinhosamente, tomei o cargo a sua conservação (com os mínimos gastos) com a chegada do embaixador Tadeu Soares, tudo viria a tomar diferente rumo.
Dois diligentes e honestos funcionários que por anos, olharam e conservaram aquela casa foram mandados embora. O embaixador Tadeu Soares, viria a encarregar a supervisão, dos bens do Estado, um indivíduo de nome Alípio Monteiro, de nacionalidade canadiana (nasceu em S.Tomé), que para uns diz que é reformado da TAP; para outros esteve metido em negócios de petróleo.

Porém o curriculum deste homem é uma autêntica mistura de "grelos" e uma completa salsada.

Doente crónico da moléstia "malária" (sem conta faltas ao serviço) apesar de dúvidas sobre a seriedade das suas actividades continua na Missão Diplomática de pedra e cal.

Depois de o embaixador Castello-Branco, ter deixado Banguecoque, enviou uma carta ao, falecido Conselheiro de Embaixada, Jorge de Oliveira Baptista, onde me dava como um homem intriguista, "surripiador" de papeis da embaixada e ligação ao Embaixador Mello Gouveia em cima de irregularidades sobre o arrendamento do Jardim de Portugal, ao hotel vizinho. Essa carta (como já em outros textos a mencionei), viria a arruinar a minha carreira, curta é certo, na embaixada,

Esta carta está, penso, encerrada no cofre da missão , junto a outras, de recomendações que os chefes de missão, ou outros diplomatas, têm por obrigação de ler antes de iniciarem a comissão de serviço.

Nessas recomendações estão os nomes dos funcionários a quem eles poderão confiar e aqueles que terão que ter debaixo do "olho"...

Um dos que ficou debaixo do "olho" fui eu como um conspirador, um "malandro" que deveriam ter muito cuidado comigo, porque era um homem perigoso.
O embaixador Faria e Maya (chefe de missão actual) é amigo do embaixador Castello-Branco e bem, estava, informado, a meu respeito, quando chegou a Banguecoque.

Evidentemente, antes de viajar para a capital tailandesa, teria feito uma visita de cortesia, ao ex-chefe de missão (1988-1995), seu amigo, a dar-lhe conta do seu próximo posto, (Banguecoque) onde o embaixador Castello-Branco o tinha chefiado, por duas vezes e este o informar de "cobras, lagartos e sapos" a meu respeito.
Se outra visita fizesse ao embaixador Tadeu Soares, estou por certo que dizer-lhe-ia o mesmo: "cuidado com esse (eu) tipo".

O ano passada, quando partia uns dias para férias (não sei para onde), no meu gabinete de trabalho diz-me: vou estar com o embaixador Castello-Branco..

De imediato lhe respondi: "senhor embaixador espero que lhe não vá dizer mal de mim! Respondeu-me com um não.

Desde que que o embaixador Tadeu Soares chegou a Banguecoque, entregou a supervisão dos bens do Estado ao Alípio Monteiro (admitido por ele) até hoje.

Alertei várias vezes o embaixador Lima Pimentel de irregularidades, notadas por mim (outros funcionários), levadas a cabo pelo Alípio.

O mesmo transmiti ao embaixador Faria e Maya.

O Alípio Monteiro continua na embaixada acomodado, desde Julho de 1999, por três embaixadores, por dois números dois que suspeitas, bem tive, de manipulações/malabarismos, por esse senhor, de fundos que são propriedade do Estado Português.

Um indivíduo, estranho, fechado e de fraco relacionamento com o pessoal que o rodeia.

Pretensioso e sempre tomou, por sua conta, atribuições de chefia, que na realidade nunca haja tido, o elevar-se sobre os outros.

Eu como arquivador de todo o expediente da embaixada, desde 1988, nunca tive acesso ao arquivo de contabilidade, operado pelo Alípio, desde Julho de 1999 quando foi admitido na embaixada, porque o fechou a "sete chaves" , referente a despesas, efectuadas, com obras e outros gastos, onde dezenas de recibos são simples papeis, onde no cabeçalho não designa o nome da companhia onde a mercadoria foi adquirida.

Porque teria sido?

Compreendi o motivo...

Eu era o "calcanhar" de Aquilles para o Alípio Monteiro!

José Martins

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

PERGUNTA AO SR. ALIPIO MONTEIRO

Dado que a próxima parte (11.ª) é sobre a história da residência, dos embaixadores, desde o início da construção (década 60 do século XIX) aos dias actuais, pedia o favor da resposta, cujo texto está inserido na foto, que pode ser, fornecida no comentário ou pelo e-mail: josegomes.martins@gmail.com






P.S. Para onde foram os milhares de telhas que estavam lá (há muitos anos) se foram vendidas, oferecidas ou deitadas para o lixo? E quanto custou essa obra?

José Martins

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 10.ª
Consulado António Frederico Moor

Na ocasião que António Frederico Moor assume a gerência do consulado surge uma nova era no Reino Sião, ou seja a da modernizaçã0 que iria ser continuada e chegou aos dias de hoje.
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Sua Majestade o Rei Mongkut era um homem extremamente inteligente e uma intuição fora do vulgar para assimilar línguas estrangeiras com relativa facilidade. 
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A instalação dos missionários americanos em Banguecoque viria a moldar o perfil deste grande homem e o futuro do Sião.
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O Princípe Mongkut, filho mais velho do Rei Rama II e da Rainha Srisuriyendra é o herdeiro, universal, do trono do Sião.

Na idade dos 15 anos o Princípe Mongkut foi a apresentado ao nobres, siameses, como o legítimo sucessor de seu Pai Rama II e o continuador da Dinastia Chakri. A juventude do príncipe é passada entre os muros do Grand Palace fora da vista dos siameses que um dia viriam ser seus súbditos, seguindo, assim, a tradição da Casa Real. Estudou a literatura Siamesa e a Pali, poesia , a história do Sião, a arte antiga de prática de guerra, incluindo as armas de defesa utilizadas. 
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O jovem princípe Mongkut pouco teria aprendido relacionado com as exigências protocolares da corte. Seu meio irmão o Princípe Krom Mun Chesdabodindr (mais tarde entronizado Rei Rama III), nasceu em 1787 de mãe plebeia o qual não teria o direito à sucessão da coroa siamesa. Mas, o príncipe de jovem, mostrou vocação e capacidades de saber lidar com a direcção e os destinos do reino. 
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Bem visto pelos nobres, integrou-se em vários projectos e visitas aos meios rurais, levados a cabo pelo seu avó (Rama I) e de seu Pai (Rama II). Príncipe Krom grangeou além da simpatia dos membros da família real, tem toda a nobreza e o povo consigo. 
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Em 1824 o Rei Rama II faleceu, Príncipe Mogkut tinha apenas 20 anos de idade, seguido a religião budista e entrado num templo.(Nota: o templo Wat Pawarnives, onde Monge Mongkut viveu é, justamente, pegado ao Campo da Imaculada Conceição, em Samsen, onde antes do nascer do sol recolhia, no bairro, esmolas) 
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O Monge Mongkut, depois de ter professado e seguir a doutrina do Lorde Buda, deixou de estar sob a jurisdição da Corte, mas sujeitar-se às Leis do Budismo e aos altos prelados que regem a Igreja Budista. Com isto é entronizado seu meio irmão o Príncipe Chesdabondindr, ao qual lhe foi dado o título de Phra Nang Klao (O Rei que se senta nas nossas cabeças).
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Monge Mongkut vive 26 years no templo e aquelas todas comodidades que teve entre os muros do Grand Palace, são trocados pela extrema pobreza. Viveu como um normal monge budista e pelas manhãs, descalço, caminhava entre os bairros e navegava, em almadias, ao longo do rio Chao Prya recolhendo comida para os monges do templo e flores de lótus para adornar os altares do templo. Quando a estação das chuvas chegava ao fim o Monge Mongkut, deslocava-se às províncias onde pregava sermões aos siameses. 
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Todas as longas jornadas, eram feitas pelo pé e o Monge Mongkut descalço. M.R. Seni Pramoj e M.R. Kukrit Pramoj, na sua obra "A King of Siam Speaks" - The Siam Society - Bangkok 1987, numa passagem: "Com ele não seguia vaidade, não levava bolsa com dinheiro ou sapatos calçados. Por algumas veses pouca saúde. Quando convidado para entrar numa casa o Monge Mongkut dizia: Paz para esta casa e ali descansava, bebia e comia o que por lá havia
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Estas peregrinações aos meios rurais do Sião, as caminhadas de madrugada em Banguecoque recolhendo esmolas; o misturar-se com o povo deu ao Monge Mongkut o modo de vida, real, dos siameses. Porém, Monge Mongkut, ainda no templo budista aprendeu a língua inglesa que a falava e escrevia correctamente. 
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Ainda não tinha sido entronizado como Rei do Sião trava correspondência, com os seus amigos, americanos, com o senhor e senhora Eddy de Nova Iorque: em 1848, 1849 e depois de assumir a direcção dos destinos do Reino Sião, era ele próprio que escrevia as cartas aos cônsules; embaixadores, outras altas individualidades estrangeiras onde se incluiu troca de correspondência com a Rainha Vitória de Inglaterra e o Presidente dos Estados Unidos Buchanan.Todas a prosa se pode considerar escrita dentro de subtileza, elegância e amável em todas as passagens. 
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Era um Homem de uma cultura invulgar para a época. Dormia 5 horas por noite. Um visionário que entende que para o Reino do Sião seguir a senda do progresso deveriam seus, filhos príncipes aprenderem a língua inglesa. 
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E foi com isto que o Rei Mongkut escreveu uma carta ao sr, Adamson Esquire, gerente da filial "Borneo Company Limitada" , em Singapura para lhe contratar a senhora Leonowens, professora de inglês, na cidade ilha, para ensinar a língua inglesa a seus filhos, príncipes, no Grand Palace, com um salário de $150 por mês com alojamento. 
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Ana Leonowens, senhora arrogante, no bom estilo vitoriano da época, ao fim de cinco anos, partiu de Banguecoque, escreveu um livro onde "parodia" um Grande Rei na obra "The Romance of the Haren", que não corresponde à realidade e escrito como forma da Ana, fazer dinheiro. 
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O conteúdo do livro foi aproveitado para produzir uma longa metragem, um espectáculo musical de vários anos exibido em Nova Iorque e serviu (mesmo com todas a mentiras ficcionadas, pela novelista) para que a Tailândia fosse mais conhecida no mundo. Para melhor informação relacionada com a Anna Leonwens convidamos a um clique: http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/ana-leonowens-no-bairro-portugus-da.html
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Voltando à gerência do consulado por Frederico Moor não se registou desenvolvimento, comercial, ou diplomático entre o Sião e Portugal. O cônsul Moor, teve como é óbvio, uma excelente educação, antes de vir para Banguecoque. 
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Corria-lhe nas veias sangue holandês, por parte de seu pai Hugh Moor, pelo lado da mãe (possivelmente) chinês e português. Embora, tenhamos, procurado em várias fontes não conseguimos obter a informação se sua mãe Ana Maria (pelo casamento foi acrescentado Moor) a quem Monsenhor Manuel Teixeira a dá como macaense. 
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Por norma, ainda actualmente, quando é aplicado o "pejorativo" "macaense" a uma pessoa é pelo facto de descender de cruzamento de sangues português/chinês, mesmo diluído que seja. A família de Hugh Moor, não temos dúvida alguma, deveria ser de prestígio na sociedade macaense nos finais do século XVIII.
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A irmã de António Frederico Moor, Ana Doroteia Rosa, viria a casar com José Osório de Castro Cabral e Albuquerque, Governador de Macau (1817-1821), de qual matrimónio nasceram 7 filhos e 4 filhas. 
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A família Osório Castro foi uma família (hoje quase extinta) com raízes e muito respeitada na minha aldeia, Arcozelo da Serra (Serra da Estrela) e por ironia, uma casa dos meus antepassados, com uma porção de terreno, de há mais de 300 anos, hoje é minha por herança, pega, com uma enorme quinta, propriedade dos Osórios Castro. 
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Consultando o livro "Relações Entre Macau e Siã0" , que se pode considerar um cronológico dos ofícios saidos de Macau para Banguecoque e vice-versa, não vamos encontrar grande actividade burocrática e, apenas, em 16 anos foram trocados 30 oficios entre os dois lados. 
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Não deixa de ser curioso em mencionar que o consulado continuava a viver sob a penúria de faltas de fundos para a sobrevivência do cônsul, dos funcionários e compra de material para o funcionamento da chancelaria. 
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Uma acta do Leal Senado (secção finanças) datada em 19 de Março de 1856, um ano depois de António Frederico Moor ter assumido a gerência, descreve: "Acta da sessão da Junta de Fazenda de 19 de Março de 1856 em que, entre outros assuntos, se mandou pagar $40 (patacas?) a Manuel Pereira por ter abonado igual quantia ao cônsul de Portugal em Banquecoque, António Frederico Moor, destinados à compra de lustres para oferecer ao rei de Sião. Finanças actas". 
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Ora o cônsul quando se via em dificuldades financeiras valia-se de membros da comunidade portuguesa/luso-descendente, em mendigar-lhes dinheiro o que tal coisa revertia em perda de personalidade do representante, de Portugal e não só, em surdina, críticas ao Governo Português. Não havia dinheiro para pagar aos funcionários e ordenados seguiam com três anos de atraso!
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Bem nos dá conta disso, o conteúdo, a acta do Leal Senado, datada em 13 de Novembro de 1857: "Acta da sessão da Junta de Fazenda de 13 de Novembro de 1857 em que, entre outros assuntos, se mandou pagar os ordenados do escrivão da feitoria de Portugal em Banguecoque, Joaquim Maximiano da Silva, relativos ao primeiro trimestre de 1854". Os ordenados do segundo trimestre seriam aprovados, em 3 de Fevereiro do ano seguinte (1858).
E para finalizar o pagamento do ordenado 4.º trimestre, do ano de 1854, aconteceu em Dezembro do mesmo ano".
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Foi na gerência de Frederico Moor que foi realizado (já mencionado em parte anterior a esta) um tratado entre Portugal e o Sião e vamos transcrever a portaria: " 26 de Junho de 1858. Portaria do Ministério da Marinha e Ultramar a comunicar as instruções pelas quais o governador de Macau e plenipotenciário do Rei de Portugal para concluir e firmar até ao ponto de ratificação um tratado de amizade e comércio com o reino do Sião, Isidoro Francisco Guimarães, se deverá reger no cumprimento da referida missão. Administração Civil. Portarias. Uma outra Acta de 27 de Novembro de 1858, da Junta de Fazenda, deliberou e assinou uma ordem de pagamento de quinhentos mil reis a favor do governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, para concluir o tratado com o Sião. Mais uma Portaria de 30 de Dezembros de 1858:"...se assinou uma ordem de pagamento a favor do comissário do brigue "Mondego" para despesas do dito navio na sua viagem ao reino do Sião para transportar o ministro plenipotenciário de Portugal, Isidoro Francisco Guimarães, que vai a Banguecoque concluir o tratado de amizade e comércio entre estes dois países. 
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Continuamos a recomendar aos interessados no texto do Tratado e como foi recebido o Governador de Macau, em Banguecoque, um clique http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/texto-do-tratado-de-1859-entre-portugal.html
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Na parte a seguir vamos falar no palacete que passa a ser a residência dos cônsules de embaixadores de Portugal até ao presente e iniciada a construção, por António Frederico Moor. Em quarenta anos desde que Portugal abriu a sua representação no Sião, foram nomeados, três cônsules e durante as quatro décadas, apenas, teve um expediente de 160 ofícios entre Macau e o Sião o que dá uma média de quatro por ano.
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A presença de Portugal na Ásia estava decadente e pouco interesse existia, por parte de Lisboa que essa presença fosse reactivada. A chaga que entrou na estigmatização pela perda da independência, que não foi pela força das armas, mas pelos interesses monárquicos, em favor da Espanha, foi uma ferida que nunca encontrou a cura. 
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A fuga da Família Real portuguesas e instalar a corte no Brasil foi mais um desaire para Portugal. Os ingleses, os holandeses, franceses e outros países da Europa foram tomando o lugar a Portugal e a dissipar-se toda aquela grandeza que tinha havido.
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Os negócios de Macau da Índia e de Timor, pouco mais dariam (se dessem!), para manter a máquina administrativa das pessoas que de Lisboa tinham sido para ali destacadas. Os nossos três cônsul no Reino do Sião, viveram nas maiores e angustiantes necessidades para sobreviverem.
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Humilhados por se verem na necessidade, algumas vezes, de pedir empréstimo em dinheiro à Corte e a membros da comunidade portuguesa residente.
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Sujeitaram-se a viver de habilidades, muitas vezes poucas dignas, valendo-se do arrendamento de parcelas de terreno que tinha sido doado pelo Rei Rama II, que desses actos não davam conhecimento, exacto, ao Vice-Rei da Índia ou a Macau. Faziam-no por imperativa necessidade para que tivessem, algum dinheiro e mantendo o funcionamento do consulado.
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Não é agradável para nós contarmos "misérias" de um passado, mas teremos que o levar em frente para que a história não se perca e apenas se contem grandezas, falsas, quando na realidade não existiram.
José Martins
Fim da 10.ª Parte.
CONTINUA

domingo, 19 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 9ª
António Frederico Moor o terceiro cônsul de Portugal no Reino do Sião
Pouco antes da saída de Marcelino Rosa, faleceu o Rei Rama III, sucedendo-lhe seu meio irmão que viria a ser coroado com grande esplendor. Antes que descreva a obra do terceiro cônsul de Portugal no Sião, vamos transcrever o que o português Carlos Caldeira escreveu em 1858: « O trono do Sião é ocupado por dois reis. O primeiro, Somdet Pha Maha Mongkut, chamado grande rei, mostra muita inteligência, e parece ter lido muito os livros europeus, sobretudo a história das dinastias reinantes. Possue vasto conhecimento das línguas orientais antigas; fala as línguas modernas melhor que nenhum dos seus súbditos; conhece alguma coisa de latin; e tão correntemente o inglês, que o escreve com grande facilidade. Assim, faz figurar, com ufania, entre os seus títulos, o de professor de línguas»
Carlos Caldeira, em 1858, descreve as festas da coroação do rei Mongkut, celebradas dois anos antes em Banguecoque, tendo o retrato da Raínha de Portugal na sala do trono: « O sobredito cônsul (aqui refere-se a Carlos Manuel da Silveira), foi demitido em 1833 pela sua incapacidade. Hoje ainda alli temos um macaista Marcelino de Araújo Rosa, e ainda a nação portuguesa é a única que gosa de tal privilégio em Sião onde a nossa bandeira é respeitada há mais de 3 séculos. Recentemente alli ocorrerarm factos bem curiosos, comprovativos do prestígio de que ainda gozam os portugueses nestas partes. Em Abril de 1852 (aliás 1851) faleceu o velho rei do Sião com 63 anos de idade, e 27 de reinado, e o conselho supremo, composto por princípes, mandarins, e outros dignatários chamou para ocupar o trono o princípe Somdet Phra-Paracinde-Mahá-Mong-Kut. Logo que o novo rei foi proclamado, lhe dirigiu o nosso côncul uma carta de felicitaçóes, que foi entregue por via do mandarim Pascoal Ribeiro d´Albergaria, que serviu de capitão do porto, e intérprete do Estado, por quem o rei mandou agradecer, convidando o cônsul para a festa da sua entronização que teve lugar em 15 de Maio immediato. Dizem ter sido das mais brilhantes de que há notícia em Sião. O rei tinha na sala do do trono, , aos seu lado no lugar mais nobre, o retrato da rainha de Portugal, a quem trata por irmã, e ali recebeu felecitações de vários dignatários, co cônsul portuguez, e dos negociantes e missionários estrangeiros, assegurando a todos que permitia a continuação dos estabelecimentos estrangeiros, tanto comerciaes como religiosos; depois os convidou a um jantar, preparado à europeia, no fim do qual distribuiram aos convidados algumas flores de ouro e prata, e moedas dos mesmo metais. No dia 20, houve uma grande procissáo, ao uso do país, que o novo rei acompanhou, lançando ao povo moedas de prata no valor de um maz (130 reis); em 21, repetiu-se a mesma cerimónia no rio, sendo as moedas de prata lançadas à ágoa em paus boiantes de forma de limóes, e em grande profusão... A procissão compôs-se de 5.000 pessoas, e de muitos elefantes e cavalos ricamente ajaezados. Houve nestas solemnidades salvas de 21 tiros, e ainda a companhia ou corpo d´artilheiros denominada artilharia portuguesa. Entre os presentes que os príncipes ofereceram ao rei, figurou como especialidade o rabo de um elefante branco... Na última monção partiram de Bangkok 4 navios europeus; um para Cantáo com embaixadores, outro com fazendas para Hong Kong, e dois para Xangai. Para Macau já não há comércio algum, nem ali aportam embarcações siamesas, como dantes succedia, no entanto, conserva-se um consulado inútil, com o que se dispendem 1.000 patacas anualmente pela fazenda de Macau» (Nota: Carlos Caldeira, podemos considerá-lo um jornalista que efectuou uma viagem de Lisboa à China que viria a ser publicado aquilo que viu no Oriente num livro: "Apontamentos d´uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa». Parte 2.ª (Lisboa,1853), 7-8,.
António Frederico Moor, foi nomeado cônsul efectivo, em 22 de Março de 1855, e esteve no cargo até 28 de Abril de 1868. Foi, igualmente. encarregado, interinamente, de negócios da França no Sião.
Mas quem era António Frederico Moor?
Vamos transcrever como o Monsenhor Manuel Teixeira o descreveu: Hugh Moor, natural de Rotterdam, veio para Macau como médico da "Oast Indische Compagnie»; quando esta Companhia holandesa se extinguiu, o Dr. Moor fixou aqui resiência e aqui morreu. Era casado com Ana Maria Moor, natural de Macau, de quem teve ( que nós saibamos) dois filhos.
1. Ana Maria Doroteia Rosa; casou com José Osório de Castro Cabral Albuquerque, governador de Macau (1817-1823), de quem teve um filho, Joáo, nasceu a 13 de Novembro de 1821. António Frederico Moor, nasceu em Macau, a 19 de Agosto de 1807, e viria a falecer em Bangkolém, perto de Bangkok a 22 de Fevereiro de 1877; casou com Joana Maria Grandpré, nascida em Macau, a 21 de Maio de 1818, filha de Alexandre Joaquim Grandpré e de Juliana Antónia Alves, neta paterna de Alexandre Joaquim Grandepré e de Teodora Francisca de Paula Proença, e materna de Joáo António Alves e de Rita Catarina Quíncio. António Moor teve de sua mulher Joana Grandepré os filhos:
1. Emílio Aquiles Moor, nasceu em Macau a 27 de Fevereiro de 1843; faleceu solteiro na província de Muang-man, en Sião, em Agosto de 1870.
2. Hersília Victória Moor; nasceu em Macau, em Janeiro de 1844, e faleceu solteira em Bangkok a 21 de Setembro de 1870.
António Frederico Moor, que enviuvara, casou, outra vez, pouco antes de morrer, com Catarina Maria do Rosário, natural de Timor, a qual faleceu em Bangkok de hemoptise, a 31 de Agosto de 1877. Assim se extinguiu esta família. António Frederico Moor exerceu o seu cargo até 28 de Abril de 1868, sendo a sua gerência interrompida apenas em 1863, ano em que desempenhou interinamente, as funçóes consulares Joaquim Maximiano da Silva. (Dado que náo temos informação sobre o motivo que o Moor, teria entregue a gerência a Maximiano da Silva, prevemos que deveria ter-se deslocado a Macau).
O rei Rama IV comunicou ao nosso Cônsul o desejo de de assinar um tratado com Portugal. A Portaria do Ministério da Marinha e Ultramar a comunicar as instruções pelas quais o Governador de Macau e Plenipotenciário do Rei de Portugal para concluir e firmar até ao ponto de ratificação um tratado de amizade e comércio com o reino do Sião, Isidoro Guimaráes, se deverá reger no cumprimento da referida missão. (Sobre o conteúdo deste Tratado convidamos a um clique http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/texto-do-tratado-de-1859-entre-portugal.html um outro nosso blogue, onde foi inserido, o texto e a visita, a Banguecoque, do Governador de Macau Isidoro Guimarães).
Voltando a Sua Majestade o Rei Mongkut, Rama IV, nasceu em 18 de Outubro de 1804, denominado Príncipe Celestial de primeira classe, e viria a ser entronizado com o nome de Somdet-Phra-Paramender-Maha-Mongkut. Antes do falecimento de seu meio-irmáo, fora nomeado Director-Geral do Departamento dos Pagens Reais; aos 20 anos, recebeu a ordenação de monge budista, vivendo num templo durante os 27 anos do reinado de Rama III; estudou, profundamente, a religião budista a fundo, obtendo no exame o grau de "parien" (doutor).
Nomeado superior do Templo de Bouvinnivet em 1837: tratou de purificar o budismo e viria a fundar a congregaçao de Tammayut Nikaya, daqueles que aderem à lei.
Com os seus amigos, os missionários americanos, Reverendos Dr. B. Bradley e J.Caswel e o latim com Monsenhor Jean Pallegois, bispo titular de Mallos e coadjutor do vigário apostólico do Siáo (1838-1842). Rei Mongkut foi o primeiro monarca siamês a falar e a escrever a língua inglesa. Carlos Caldeira informa:«Por falecimento do cônsul Rosa, foi nomeado macaense, António Frederico Moor, que hoje (1858) reside em Bangkok, e de quem recebemos cartas recentes, que suscitaram escrever este artigo: É só pelo antigo e arraigado prestígio do nome português, que o nosso cônsul goza da estima e consideração da corte de Bangkok. perante a qual é também interinamente encarregado de negócios da França, o que é bem significativo...
Concluiremos esta notícia transcrevendo do jornal francez La Press, o que publicou sobre este assunpto no meado de março último, ignorando a nossa incúria e a verdadeira causa do~favor que gozamos no Sião.
«Muitas potências ocidentais tèm feito novos tratados de amizade e comércio com o reino do Sião. Os portugueses e os franceses, ingleses e americanos têm hoje direito de se estabelecerem em Bangkok, de comprar propriedades e de se entregarem a todas as indústrias que julgarem proveitosas.
Podem igualmente, sobre condições razoáveis, importar e exportar géneros no país e do país.
Há, portanto, grande vantagem nestes trabalhos; mas cumpre que não se deixem cair em desuso, aliás acabarão por si mesmos. Esta observação cabe principalmente à França, que por descuido tem perdido as vantagens do tratado que fez.
Portugal, Inglaterra e os Estados Unidos mandaram cônsules para Bangkok e, semelhantemente muitos estabelecimentos industriais naquelas regiões são protegidos pelos seus respectivos governos. Resulta daqui que os súbditos destas três nações acham ali protecção.
Porque não fará o mesmo a França?
O redactor da Press ignorava que o poderoso império francês é representado em Sião pelo humilde cônsul de Portugal, a quem incumbiu tais funções mr. Montigny, cônsul de França em Shangae (na China), quando foi a Bangkok negociar o tratado»
«O Rei Mongkut tem perguntado ao cônsul porque não se apressa a fazer tratado que o equipare às nações que os têm com Sião. É verdade que os nossos navios, que de Macau vão a Bangkok, gozam dos mesmos privilégios, e pagam os mesmos direitos que os das nações que já têm tratados; mas isto é pura cortezia e favor do governo siamês, que nos pode retirar quando bem lhe prouver. Esta circunstância, lisongeira para Portugal, mais devia determinar o governo, ainda que só fosse por espírito de grata civilidade, a realizar quanto antes uma convenção da qual o reino e mais particularmente as nossas províncias da Ásia e da Ásia Oriental poderão colher vantagens muito reais».As nações que firmaram tratados de amizade e commércio com o Sião neste reinado foram as seguintes:
Em 18 de Abril de 1855, foi assinado o tratado anglo-siamês por John Bowring, governador de Hong Kong, enviado pela Raínha Victória.
A 29 de Maio de 1856, novo tratado de Amizade, Commércio e Navegação com E.U.A., assinado por Townsend Harris, Cônsul-Geral da América no Japáo, enviado ao Sião pelo Presidente Franklin Pierce; no mesmo ano 1856, Tratado franco-siamês, assinado por Mr. de Montigny, enviado por Napoleão III: em 1856, Tratado com a Dinamarca; em 1860, com a Holanda; em 1862, com a Prússia; e em 1868 com a Suécia-Noruega, a Bélgica e a Itália.
O cônsul A.F. Moor informou Portugal dos desejos do rei Mongkut para que lhe fosse enviado um ministro com poderes para efectuar um tratado de aliança com o Sião.
O Minsitro escolhido foi Isidoro Francisco Guimarães, Visconde da Praia Grande, Governador de Macau e Ministro Plenipotenciário de Portugal às cortes da China, do Japãõ e do Sião (1851-1863), que concluiu o tratado com o Sião em 1859.
José Martins
Fim da parte 9.ª
Fontes: Várias dos nossos arquivos.
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