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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MARIZA EM BANGUECOQUE

Faz hoje dois anos que a artista, portuguesa, Mariza actuou, no grande auditório do "Thailand Cultural Centre, para S.A. a Princesa Galyani (infelizmente falecida, irmã de S. Majestade o Rei da Tailândia), para a alta sociedade de Banguecoque, onde se incluiam: académicos, a diplomacia acreditada no Reino da Tailândia, gente ligada à arte, com uma assistência que ultrapassou o milhar de pessoas. O evento de grande qualidade artística, teve o patrocínio da Embaixada de Portugal, cujo o chefe de missão, de então, era o embaixador João de Lima Pimentel. O "Thailand Cultural Centre", já me é familiar há vários anos e ali, registei imagens (conservadas religiosamente nos meus arquivos), de grandes artistas portugueses: o maestro Silva Pereira a dirigir a "Orquestra Sinfónica de Bangkok"; o pianista Adriano Jordão; o guitarrista António Chaínho (por duas vezes); tunas académicas; grupos de Macau e ainda outros que de momento não me ocorrem à memória. Pelas quatro horas da tarde deixei a embaixada, artilhado com duas máquinas fotográficas, lentes e acompanhado do funcionário Marcos do Vale, com o objectivo de fixar imagens durante o último ensaio da Mariza e mais tarde, em sua actuação para o público. Ossos do ofício! Fui barrado de o fazer e desde logo avisado que não poderia fixar imagens durante a actuação da Mariza. Prometi que o não faria, embora depois bem arrependido fiquei, por ter verificado, dois fotógrafos, profissionais, a um canto, escondidos a disparar as suas máquinas sem "flash"... Bem o poderia ter feito, porque fui equipado com uma lente "zoom" de grande alcance e luminosidade que foca e recolhe imagens em objectivos com luz mínima. Muito me agradaria tirar uma foto, que fosse, a Sua Alteza a Princesa Galyani, sentada no seu camorote, real, na tribuna, superior, da grande e fina sala de espectáculos da cidade de Banguecoque. Bem é que no meu "palmaré" de memórias, também fui um felizardo de ter reportado, em imagens, a inauguração do edíficio/museu, no "Ban Portuguete" (Aldeia dos Portugueses em Ayuthaya), em Abril de 1995, cuja cerimónia foi presidida por essa Grande Senhora a Princesa Galyani da Tailândia. Depois do concerto, muito aplaudida a Mariza a Diva, atrevi-me a disparar, conforme pude, sem olhar à focagem e registar, já que mais não fosse as palmas da assistência. Sem o esperar e quando saía da sala para colher outras imagens da saída dos espectadores, dei com a Mariza a caminhar, num corredor, em minha direcção. Não hesitei e colhi a melhor imagem da Diva, quando regressava ao seu camarim depois de ter ido despedir-se da Princesa Galyani. Depois do espectáculo o embaixador Lima pimentel, ofereceu uma ceia, a convidados seus amigos (que calculo cerca de 100 pessoas); a presença de alguma comunidade portuguesa residente na Tailândia; Mariza e seus acompanhantes. Porém durante a ceia, algo viria acontecer, cujo repasto não chegaria ao fim... Tinha sido levado a efeito um "Golpe de Estado"... Dias antes, já corriam "sussurros", na cidade de Banguecoque que algo de anormal iria surgir na vida política da nação. A diplomacia, acreditada em Banguecoque, alguma (talvez por "leakage"), sabe, mais ou menos, que vai haver, sem data definida, "Golpe de Estado". Aquele primeiro ministro Thaksin Shinawatra que tinha sido excelente, na governação da Tailândia, no primeiro termo do seu mandato; no segundo era, fortemente, acusado, de actos corruptivos e as manifestações, contra a sua governação, eram o "pão-nosso-de-cada-dia", em Banguecoque. Penso que fui eu, o primeiro a saber a notícia do golpe. Minha mulher que é "viciada" do rádio e da televisão, durante todo o dia, tem conhecimento, do momento exacto do golpe militar. De imediato ligou-me para o telefone móvel e eu não atendia. O telefone tinha-o deixado no carro... Esse objecto tão útil, nos tempos que correm, nunca nutri grande afeição por ele e poucas vezes o uso e só o faço quando vou de viagem... Minha mulher está preocupada comigo. Insistia as chamadas, o telefone, tocava dentro do carro. Lembrou-se entretanto que eu deveria estar junto ao Marcos do Vales e ligou para o seu número. Acertou! Estava sentado com ele a cear. Deu-me a notícia e a recomendação: "Vem para casa depressa e não passes para os lados da "Imperial Plaza". Com uma notícia destas, tinha por obrigação de a transmitir ao meu embaixador Lima Pimentel, sentado numa mesa, junto à Mariza, uma sua filha de férias em Banguecoque e mais três pessoas que não sei o nome. Cheguei a boca ao seu ouvido esquerdo e passei-lhe a notícia. Não me ligou e fui repelido com um gesto negativo e de desagrado... Voltei para a minha mesa, onde sentado o Marcos do Vale e outros convidados. Claro que já não acabei de cear e preciso de ir para casa. tracei o itinerário para mim e Marcos do Vale que mora, para além, da direcção de minha casa. O embaixador Lima Pimentel, levantou-se da mesa e preparado para sair da sala. Passou junto a mim e disse-me ao ouvido como quem diz: "Eu tive conhecimento primeiro que você..! Foi mal agradecido e pouca correcta a sua atitude que me deveria ter dito: "Muito obrigado, pelo recado, mas eu já o sabia..." Não liguei lá muita importância, porque desfeitas e resposta iguais à de Lima Pimentel já eu estava habituado há muito... Os "mangas de alpaca" são uma "espécie", pouco cotada perante alguns embaixadores que Portugal (não todos.. há gente educada, simpática e agradecida) tem. Chuvia que "Deus a dava a cântaros", quando parti do "Thailand Cultural Centre". Ordenei ao Marcos do Vale para que não perdesse de vista o meu carro, não se fosse por aí perder-se no caminho. Não houve problemas até chegar a casa sob fortes bátegas de água. A guerra era noutro lugar onde não tinha havido um tiro sequer. Ao outro dia fui para o lugar da "guerra" que não era nenhuma... Mas havia por lá muita gente a tirar fotos aos tanques, militares, e a colocar-lhe flores. Um golpe militar onde até deu para se analisar que os soldados não foram só instruídos para dar tiros... Estava ali a "guerra e a paz". Mais um golpe que viria a modificar algo na política tailandesa. Esse golpe não resolveu tudo, politicamente, mas vai, estou por certo, colocar a política no lugar certo e a Tailândia (mesmo com as vozes de Velhos do Restelo), vai continuar na senda do progresso e, no futuro, um grande país (que já o é) no sudeste asiático.



José Martins - (Cultural)